Como responsável do espaço da Seleção Nacional no Domínio de Bola, há um assunto ao qual não posso fugir… Refiro-me ao estranho caso de Hugo Viana. Este controverso jogador iniciou a sua carreira muito cedo no Sporting. Ainda muito novo começou a esbanjar talento pelos relvados de Portugal. O seu pé esquerdo mostrava perícia e uma precisão raramente vista nos relvados portugueses. Estava, perante nós, um médio com um futuro promissor e, segundo os jornais da altura, mais um craque produzido pela mágica escola de talentos do Sporting. Contudo, este jovem teve um percurso com altos e baixos. Demasiado cedo migrou para o Newcastle do enorme Sir. Bobby Robson. Digo demasiado cedo porque, na altura, o enorme potencial vaticinado não se confirmou. Na minha humilde opinião, este jovem foi vendido cedo demais, pois a ânsia de fazer milhões era mais forte (o que já vinha a acontecer com outros craques). A partir daí, foi sempre a regredir… Voltou ao Sporting sem sucesso. Partiu para Valência onde andou pelas ruas da amargura. Chegou ao Sporting de Braga onde não pegou à primeira. Todavia, à segunda tentativa, pela mão de Domingos, este craque ganhou uma segunda vida e voltou a mostrar aos portugueses todas as qualidades exibidas no início da sua carreira.

O caso começa aqui… Portugal troca de selecionador, e este, desde o início, começa a construir a sua equipa. Não olha a rótulos, nem a lobbys e convoca quem bem entende e ponto final! As primeiras vítimas desta atitude são Bosingwa e Ricardo Carvalho… O defesa direito passa ao lado no Chelsea e anda sempre agarrado às coxas. O central, apesar de ser um dos melhores de sempre (que ninguém tenha a mínima dúvida), não joga no Real e aparentemente não aguenta ser suplente. A terceira vítima é Hugo Viana. Aqui o caso muda de figura. Este joga bem, é peça indispensável no SP.Braga e tem primado pelos seus toques de magia e requinte… Enquanto os primeiros refutam a decisão do treinador de Portugal com base nos seus rótulos, este contesta mostrando todas as semanas a sua classe e talento.

Olhando para as diversas soluções para o meio campo, o caso ganha ainda contornos mais estranhos. Temos algumas soluções indiscutíveis: Moutinho, Meireles, Veloso… Sobram para os restantes lugares Carlos Martins, Manuel Fernandes e Ruben Micael. Dissecando estes habituais titulares, não consigo perceber as declarações do selecionador na entrevista ao mais futebol: “Adaptam-se melhor àquilo que pretendemos para o nosso modelo de jogo. O que não significa que o Hugo Viana não possa vir. Os outros reúnem características que servem melhor os nossos interesses.” Atualmente, Hugo Viana não dá mais garantias que Ruben Micael e Carlos Martins? Encontro algumas possíveis explicações para esta decisão do treinador (um quanto estranha). Ou considera que Viana não está familiarizado com a mecânica da seleção, não gosta da sua inconsistência ou que, no caso de ser convocado e ficar no banco, poderia promover um mau ambiente no balneário…

Para já, Portugal tem como resultados, com Paulo Bento ao leme, num total de 14 jogos realizados, uma derrota num jogo oficial, uma num amigável e, nos restantes, tudo bons resultados e, alguns destes, com grandes exibições! Perante estes resultados, é até provável que Portugal faça um grande Euro com os habitués da convocatória. Considero que, sem sombra de dúvidas, Hugo Viana merecia um lugar na mesma. Quem não imagina este médio a fazer passes de um flanco para outro, para as costas da defesa adversária, pedindo a velocidade de Nani, Ronaldo e Almeida? Certamente, todos os verdadeiros adeptos do futebol…

Vamos esperar pela convocatória, esperando igualmente que Hugo Viana esteja presente. Caso o cenário seja diferente, resta-nos torcer pela nossa equipa com a esperança que a ausência deste médio não seja sentida, ficando apenas na nossa imaginação aquilo que ele poderia fazer…

 

Cumprimentos

João Silva

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