Com franqueza, ainda me é difícil compreender o comportamento do meu Benfica no Clássico. O futebol é muitas vezes sinónimo de injustiça e ingratidão, no entanto, o maior clube português, aquele que alegadamente está “dez anos à frente da concorrência”, persiste em não perceber qual a melhor abordagem nos desafios contra o grande rival.

Empatar este jogo seria, bem vistas as coisas, um mau resultado para o Benfica; jogávamos em casa, no alto do fervor do inferno da Luz e depois de uma série de vitórias recheadas com bom futebol, aliado ainda ao facto do Futebol Clube do Porto estar a passar pelo momento menos fugaz da época – perdendo inclusivamente a tão almejada liderança. Não colocando em causa os méritos de Sérgio Conceição, que os tem, a nota artística dos azuis e brancos é muitas vezes maquilhada com força física e sprints desenfreados. A abordagem era então até certo ponto simples: tudo pelo Penta. Foi precisamente isso que Rui Vitória não passou à sua equipa, sendo que neste aspeto estarei sempre do lado do treinador que perdeu tentando vencer, ao invés daquele que perdeu procurando não ser derrotado.

Voltando ao estigma dos encarnados frente ao rival do Porto, e por muitas teorias que se criem, a meu ver a grande diferença está mesmo patenteada na importância que cada clube atribui ao embate que é bem mais do que uma simples partida de futebol. Os jogadores do Futebol Clube do Porto, a partir do momento que vestem de azul e branco, ficam cientes que aquele jogo tem uma importância abismal para os seus adeptos, para as suas gentes, para uma região, sem que isso lhes intimide na hora de pisar o relvado da Luz. Pior (no sentido benfiquista), sente-se perfeitamente que os jogadores do Futebol Clube do Porto desfrutam cada minuto da partida. Nesta, em particular, e mesmo numa primeira parte com supremacia do oponente, não senti, em momento algum, qualquer tipo de descontrolo emocional nos jogadores portistas. Por outro lado, os jogadores do Benfica ficaram abalados com a reação do adversário. Temeram perder o jogo. O banco temeu perder o jogo… e perderam.

Outros fatores contribuíram para este infeliz desfecho, concordando que a ausência de Jonas teve algum peso e o próprio comportamento do “estádio”, quase sempre muito apático, em nada desequilibrou a balança a favor do Benfica. O pináculo de uma tarde para esquecer foi mesmo a entrada do desinspirado Seferović, pouco antes do momento da redenção de Herrera.

Em suma, apesar da sensação amarga que promete não partir tão cedo, continuo a acreditar que este título não está entregue. Serão quatro verdadeiras finais, cheias de emoção, com um clássico marcado para Alvalade. O penta pode até ter ficado à distância de um milagre… mas os milagres (futebolísticos) existem.

Autor: Jaime da Silva Moreira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.