“O impacto das leis de jogo no futuro do futebol”. Este foi o mote do primeiro painel relacionado com matérias de arbitragem no Thinking Football, composto por Duarte Gomes (ex-árbitro), Vítor Pereira (ex-árbitro, ex-presidente do Conselho de Arbitragem da Liga e atual observador da UEFA) e Lukas Brude (IFAB). Vítor Pereira deu a sua posição sobre três leis que considera serem “controversas” no futebol atual: a lei 11, sobre o fora-de-jogo, a lei 12, sobre as faltas e nomeadamente as situações de mão na bola, e a lei 14, dos pontapés de penálti.

Após um profundo estudo das matérias e com base e décadas de experiência, Vítor Pereira defende que “a lei do fora de jogo no futebol moderno não faz sentido”. “É uma lei originária do rugby e o futebol tem de cortar esse cordão umbilical com o rugby. Isto é uma lei do rugby”, atirou o ex-árbitro.

“É uma lei inibidora para as equipas e o árbitro assistente não pode estar a olhar para dois momentos exatamente ao mesmo tempo – o do passe do jogador e o do posicionamento do outro atacante e da linha defensiva. É impossível aferir tudo isto com rigor e justiça. É uma lei que gera controvérsia relativamente à influência do atacante na ação dos adversários, na visão dos guarda-redes… É extraordinariamente difícil aferir todas estas questões. Por isso há VAR e sistema semi-automático no Mundial”, apontou Vítor Pereira.

Mãos e penáltis

O antigo árbitro internacional sugere ainda que as mãos estejam para o futebol como os pés para o basquetebol ou andebol. “Esta lei é demasiado interpretativa e as interpretações não são claras e dão azo a situações injustas. A lei deve ser mais… preto no banco, o mais possível. Se calhar o futebol devia aprender com o andebol e basquetebol, em que a bola toca no pé e é logo falta. Ia, se calhar, quebrar ritmos. Mas seria claro e o árbitro estaria livre de interpretações”, apontou Vítor Pereira.

Quanto aos penáltis, o atual observador da UEFA defende que as grandes penalidades deveriam existir apenas em situações “de golo iminente, de clara oportunidade de golo e de ataque promissor”. Isto porque Vítor Pereira lembra as situações “de jogadas estéreis em perigo de golo, como um avançado a correr para fora da área e ser rasteirado e haver penálti, ou um avançado estar de costas para a baliza mas com 5 ou 6 defesas ainda atrás”.

“A lei é desatualizada e desproporcional. E todas as outras situações passariam a pontapés livres diretos, com ou sem barreira, no sítio onde a falta é cometido. Isto tornaria a lei mais justa relativamente ao jogo”, apontou.

Vítor Pereira não está preocupado com um hipotético risco sobre o futuro dos árbitros perante o reforço da tecnologia no futebol. “Não tenho esse receio, pois 95% do futebol não é espetáculo, não tem tecnologia nem nunca terá. Muitos campos do Mundo não têm redes nas balizas nem pano na bandeirola de canto”, frisou, considerando que seria útil “acerto em algumas matérias no protocolo do VAR”.

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