Uma questão de sobrevivência

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Escrito por: Duarte Pernes

 

Fui um dos portistas que, no Verão passado, receberam com entusiasmo a notícia de que Paulo Fonseca seria o próximo treinador do melhor clube português. O seu currículo era curto, mas aquela época na Mata Real – em que conseguiu o impensável feito de levar o Paços de Ferreira ao terceiro lugar do campeonato – deixou-me entusiasmado e com a convicção de que podia estar ali o homem que viria dar continuidade à nossa senda vitoriosa e que, sobretudo, devolveria ao Dragão um futebol atractivo e de qualidade, perdido desde o fabuloso ano de Villas-Boas.

Posto isto, não me irei repetir novamente. Falar-se com detalhe nos maus resultados e exibições do FC Porto até ao momento, já se tornou num cliché e pouco ou nada daquilo que augurávamos no defeso se tem concretizado. Pior do que isso, os motivos mais evidentes para os desaires também são sempre os mesmos e tendem a repetir-se, o que não deixa de ser sintomático da falta de capacidade (ou será só teimosia?) do treinador em emendar os erros e inverter o mau rumo tomado.

De facto, a segunda parte do jogo com o Braga, no passado fim-de-semana, devia ter definitivamente servido de lição para Paulo Fonseca. Aqueles segundos quarenta e cinco minutos teriam forçosamente de se constituir como mote para criar o paradigma do FC Porto desta época. E aí dou-lhe o mérito que merece. Não, não foi Herrera que, ao contrário daquilo que cheguei a ler, mandou o treinador às malvas e desatou a jogar bem. Foi Paulo Fonseca quem soltou o internacional mexicano e lhe retirou as amarras que lhe havia colocado (é assim mesmo, Paulo, estás a ver? Devias tentar mais vezes). Sim, Lucho lesionou-se e, se não fosse isso, provavelmente teria jogado o jogo todo, ou quase, e podíamos até ter ganho, mas não era com uma segunda parte tão boa (é pena que raramente seja substituído por opção técnica quando tem de ser). De qualquer forma, ressalvo a excelente decisão do treinador em ter feito entrar Carlos Eduardo para o seu lugar, quando se calhar a tentação era colocar Quintero.

Assim, houve ali um aparente sinal dado pela parte do técnico azul e branco de que a derrota em Coimbra tinha sido a gota de água e que, a partir de então, muitos dos equívocos seriam corrigidos. Só que, volvidos apenas alguns dias, o FC Porto cai em Madrid, é eliminado da Champions e recambiado para a Liga Europa com os mesmos pontos do Áustria de Viena, naquela que foi uma das piores prestações europeias da história do clube. Voltamos a perder e, mais uma vez, os erros do passado estiveram todos presentes (escuso-me a enumerá-los de novo).

O que se conclui, neste hiato temporal marcado pelos referidos encontros para o campeonato e para a Liga dos Campeões, é que porventura as ideias (demasiado) fixas do actual treinador do Porto obstaculizam a sua vontade de triunfar num clube de topo e manter o cargo que ocupa. Falta-lhe uma coisa tão básica como o instinto de sobrevivência para arrepiar caminho e mudar. Sem isso, dificilmente poderá contornar a triste sina que lhe parece estar destinada.

É certo que Paulo Fonseca teve uma atitude de grande dignidade a seguir ao jogo com a Académica, em que colocou imediatamente o seu lugar à disposição. Agora convinha também que se quisesse ajudar a si próprio e percebesse três coisas simplicíssimas: que a dinâmica do meio-campo, independentemente de jogarmos com um duplo-pivot ou não, tem de permitir maior liberdade ao médio de transição e não o amarrar lá atrás; que El Comandante pode e deve ser substituído e até mesmo poupado de início para que possamos ter o melhor Lucho quando for preciso; que há bons jogadores no plantel que merecem mais tempo de jogo do que o que têm tido. 

Portanto, é possível ter-se, como eu tenho, a maior das simpatias e admirações pela hombridade e verticalidade de Paulo Fonseca mas, como o próprio já reconheceu, os interesses do FC Porto estão e têm de estar sempre acima de tudo. 


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