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Escrito por: Duarte Pernes

 

Dificilmente as comemorações do centenário da Federação Portuguesa de Futebol poderiam fazer melhor jus a uma realidade que se não alcança já a longevidade do organismo máximo que tutela o futebol português, andará lá muito perto. Ignorar e passar em claro – porque foi disto que se tratou – os nomes de José Maria Pedroto e de Pinto da Costa (João Pinto e Deco, noutro plano, também se podem queixar do mesmo) é mais uma demonstração da forma como a caverna centralista (neste caso corporizada na F.P.F) tende a menosprezar e a desdenhar tudo o que não provém da elite do Terreiro do Paço. Além disso, a federação passa um atestado de negação e de amnésia a si própria relativamente a uma das épocas mais importantes do desporto-rei a nível nacional.

Pedroto foi, afirmam os seus contemporâneos, um homem à frente do seu tempo, sobretudo enquanto treinador. Não conquistou troféus, mas lançou as sementes, já no comando do FC Porto, para que tal fosse possível. Isto não é pouco, nem para os azuis e brancos, nem para o país. É que, relembre-se, após o Benfica da década de sessenta, mais nenhum emblema português logrou títulos além-fronteiras que não fosse o clube portista. Artur Jorge capitalizou bem a herança deixada, José Mourinho triunfou estrondosamente (mesmo estando bem distante no tempo do trabalho do «Zé do Boné», o Special One encontrou um clube que já era grande graças precisamente à acção de Pedroto e Pinto da Costa).  

Ora, o que se pedia era somente o reconhecimento a duas figuras incontornáveis do nosso futebol. Seria o prémio de treinador do século forçosamente para Mourinho (que, do ponto de vista interno, faz parte apenas da história do Porto, por muito que haja quem, desde finais de 2004, o tente disfarçar)? Concedo, mas isso não invalida que pudesse ser feita, no mínimo, uma menção a Pedroto. Não estava prevista a atribuição de nenhum galardão para nenhum dirigente? Pois não, porque se estivesse e não fosse Pinto da Costa o distinguido, a gala das quinas de ouro ficaria ainda mais inquinada e se, por outro lado, o líder dos dragões fosse agraciado como devia ter sido, o sapo seria de insuportável digestão para determinadas personagens. 


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