“Independência ou Morte” é um grito dado por vários líderes de países, que indica que o seu país está pronto para lutar contra quem o coloniza. Está pronto a quebrar as correntes da colonização e seguir o seu próprio caminho. O “grito do Ipiranga”, proferido por D. Pedro nas margens do Rio Ipiranga, foi o momento em que a Independência deu lugar à morte e o Brasil começou a traçar o seu caminho como país independente. Desde esse dia que os portugueses se tornaram personas non grata no território brasileiro e foram muito poucos aqueles que, ao longo da história, de alguma forma se conseguiram destacar através da sua capacidade. Muito mudou desde esse tempo histórico e hoje são muito os portugueses que partem em busca de uma vida melhor no Brasil.

Assim, no meio de muitos portugueses há um que por estes dias começa a brilhar no chamado País do Futebol. O seu nome é Sérgio Vieira e treina atualmente a Ferroviária, que está em 1.º lugar da série C do Paulistão. A comparação histórica entre D. Pedro I e Sérgio Vieira é claramente absurda, eu sei! Mas foi a forma que encontrei para demonstrar que a tarefa que o treinador português enfrenta é sem dúvida enorme. Não é comparável à independência de um país, mas é sem dúvida uma missão hercúlea, numa realidade onde treinadores estrangeiros não abundam e abundam muito menos treinadores portugueses.

O ex-adjunto e observador do Jesualdo decidiu em 2013/2014 deixar a alçada do professor e abraçar uma carreira como treinador principal. Partiu para o Brasil para o Atlético Mineiro. Começou a treinar a equipa de Sub-23, uma espécie de equipas B portuguesas, na serie C brasileira. O trabalho começava a dar frutos, quando esse mesmo brilho inicial o levou ao Guaratinguetá, do mesmo campeonato, para o salvar da descida. Assim o fez e voltou para o Atlético Paranaense, de forma interina. A experiência não correu bem e acabaria por deixar o lugar.

O verdadeiro desafio apareceu este ano com a Ferroviária. Um clube histórico de regresso à primeira divisão do Paulistão e com enorme vontade de voltar ao topo do futebol neste estado brasileiro. A aventura começou a correr bem – após uma derrota inicial, o clube somou três vitórias seguidas e um empate frente ao Corinthians, começando desde logo a surpreender e a chamar para si muita das atenções da imprensa. A confirmação da boa época chegou depois com a vitória diante do Palmeiras por 2-1, confirmando a Ferroviária e Sérgio como sérios candidatos ao título do Paulistão. Como o próprio fez questão de frisar numa entrevista recente, ”é possível conquistar o campeonato Paulista!”

A ambição do português é enorme e a sua capacidade, tendo em conta os resultados recentes, também. Atualmente já veiculam nos meios de comunicação brasileiros o nome de Sérgio Vieira a ser apontado a vários clubes, dos quais se destaca de forma clara o Palmeiras.

O sonho é claro: construir uma carreira sólida em terras de Vera Cruz para ambicionar novos voos. Será que o jogador medíocre inspirado por Mourinho dará lugar a um treinador de renome? Tendo em conta a fama e capacidade dos treinadores portugueses, eu acredito que sim. Fiquem atentos que mais tarde ou mais cedo teremos um novo “Príncipe Português” no Brasil.

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