A tensão entre UEFA e FIFA atingiu um novo patamar. A entidade que tutela o futebol europeu está a preparar uma queixa-crime na Suíça contra Gianni Infantino, presidente da FIFA, relacionada com um polémico projeto de comercialização de uma parte das competições organizadas pelo organismo mundial.
De acordo com informações divulgadas esta quinta-feira pela imprensa inglesa, a UEFA acusa Infantino de **«gestão danosa»** devido a um projeto que previa a venda de uma participação de **20% nos torneios da FIFA por 4,2 mil milhões de dólares**.
A entidade europeia considera que o valor previsto para a operação era «absurdamente baixo» e entende que o negócio poderia causar prejuízos à própria FIFA e às federações que a integram.
Segundo documentação judicial citada pela imprensa, a eventual ação criminal na Suíça terá como fundamento o **artigo 158.º do Código Penal suíço**, relacionado com gestão danosa.
O caso já chegou também à Justiça dos Estados Unidos.
A UEFA recorreu ao Tribunal Distrital norte-americano para o Distrito Sul de Nova Iorque com o objetivo de obter documentação confidencial relacionada com a preparação e financiamento da operação.
O procedimento utiliza um mecanismo previsto na legislação norte-americana que permite solicitar documentos existentes nos Estados Unidos para serem utilizados em processos judiciais no estrangeiro.
Entre as entidades visadas pelo pedido de documentação encontram-se o banco **JP Morgan**, a gestora de investimentos **Thrive Capital** e o respetivo CEO, **Joshua Kushner**.
Estas entidades estiveram envolvidas no financiamento do projeto comercial que previa a aquisição de uma participação nas competições da FIFA.
De acordo com os documentos citados, a UEFA considera que existiu uma estruturação secreta da operação e que esta poderia provocar danos concretos à reputação e autoridade da FIFA, bem como às relações comerciais do organismo.
A entidade europeia considera ainda que as consequências poderiam atingir os **211 membros da FIFA**, entre os quais estão as 55 federações pertencentes à UEFA.
O processo representa uma escalada significativa na relação entre os dois principais organismos do futebol mundial e poderá abrir uma nova frente judicial em torno da liderança de Gianni Infantino.
Nesta fase, importa ressalvar que se trata da **preparação de uma queixa-crime** e das acusações formuladas pela UEFA — não de qualquer condenação ou decisão judicial contra o presidente da FIFA.


