Depois de três tropeções consecutivos, não se pode considerar a saída de Julen Lopetegui como imprevisível. Aliás, há já algumas semanas que se antevia que o seu percurso teria os dias contados.

Por muitas ganas e ilusión que o basco tivesse, creio que ficou à vista de todos de que não tinha unhas para esta guitarra, apesar dos votos de confiança que publicamente lhe concedi. Mesmo tendo em consideração todos os constrangimentos que dificultaram a sua tarefa, a verdade é que ficou aquém das expectativas preconizadas pela generalidade da massa adepta portista. Às más exibições a nível colectivo juntaram-se resultados insatisfatórios e comprometedores nas várias competições – uma maré de negatividade que se revelou fatal para Lopetegui.

Olhando friamente para o percurso do agora ex-treinador, podemos retirar boas e más ilações. Não podemos ignorar que Lopetegui teve a audácia de olhar para a formação com outra sensibilidade, que teve a capacidade de trazer jogadores da craveira de Casillas, que permitiu gerar grandes valias a nível financeiro através da valorização do potencial de outros jogadores ou que foi exemplar no desmascarar das arbitragens demoníacas que favoreceram o rival Benfica. Porém, todas estas virtudes esbarram na cruel realidade que foi a ausência de títulos. Pior: esta temporada fazia prometer que com Lopetegui ao leme a seca perduraria.

Posto isto, é legítimo asseverar que o projecto assente em Julen Lopetegui falhou. Como falhou o anterior projecto com Paulo Fonseca. Como também poderia ter falhado o de Vítor Pereira. E é precisamente aqui que deve ser centrada a questão: estará o FC Porto a escolher mal os treinadores? Ou a SAD não providencia as condições ideais para os treinadores triunfarem? Ambas as situações?

Face ao passado recente vitorioso do FC Porto, urge encontrar uma solução duradoura para o presente e futuro do clube. Em primeiro lugar, foco no que há ainda por conquistar nesta temporada; o campeonato é perfeitamente exequível, há uma oportunidade de ouro para voltar ao Jamor e há uma muito interessante eliminatória frente ao Borussia de Dortmund. Depois, numa segunda escala de importância, começar a preparar da melhor forma o terreno para as épocas que se avizinham.

Mais do que nunca é preciso fazer escolhas acertadas. Atravessamos nos dias de hoje o período mais crítico da era Pinto da Costa. Os adeptos foram habituados a ganhar e as últimas temporadas do FC Porto têm deixado muito a desejar. É a hora de mostrar que a expressão ‘Somos Porto’ não entrou em desuso. É o momento iniciar um novo ciclo vitorioso. É altura para mostrar que a fibra de um dragão dobra, mas não quebra! Se estas máximas não se concretizarem, corremos o risco de popularizar a máxima ‘Fomos Porto’.

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