O Domínio de Bola esteve à conversa com o guarda-redes Miguel Lázaro, considerado por muitos como um dos guardiões mais promissores do futebol português. Do alto dos seus 193 centímetros e numa agradável conversa, o atleta de 22 anos, que é totalista no Campeonato de Portugal Prio (CPP) desta temporada ao serviço do Benfica de Castelo Branco, respondeu a todas as questões de forma directa.

– É totalista no CPP desta temporada e num clube “com nome” neste campeonato. O que significa isso para si?

R: É um prazer enorme representar o Benfica e Castelo Branco. Quando aceitei este projecto que me foi apresentado pelo meu representante, sabia da dimensão do clube neste campeonato, sabia que era uma equipa de renome do Campeonato Prio e que tinha a particularidade de sempre ter ido à fase de subida durante os anos em que o campeonato teve este formato. Respondendo diretamente à pergunta, é para mim um reconhecimento do meu trabalho realizado ao longo da época ser totalista no campeonato até agora, tendo para isso de agradecer a todos os meus companheiros de equipa, staff técnico e acima de tudo à minha família, à minha namorada e ao meu representante, Nuno Correia, por todo o apoio que me deram ao longo destes dez meses.

– Aos 22 anos e depois de duas temporadas na Primeira Liga ao serviço do Vitória de Setúbal, onde apesar de ter ido várias vezes para o banco de suplentes nunca foi utilizado, acha que este rumo dado à sua carreira foi importante?

Hoje, olhando para trás, sei reconhecer que foi um passo importantíssimo na minha curta carreira, foi algo essencial para que pudesse evoluir e tornar-me num melhor guarda-redes relativamente àquilo que era há um ano. No início foi tudo um pouco difícil, foi o meu primeiro ano fora de casa, longe da família e dos meus amigos, mas as coisas foram começando a correr bem e acabei por ter uma boa adaptação a esta nova etapa que enfrentei, muito graças ao grupo de trabalho que aqui encontrei e também a toda a estrutura do clube que sempre tudo fez para que nada me faltasse.

– Já passou por clubes como o Sporting e o Vitória de Setúbal. Sentiu muitas diferenças desses clubes comparando com Benfica e Castelo Branco? Se sim, que aspetos destaca?

Logicamente que existem algumas diferenças. Em primeiro lugar, as condições de trabalho. Quando estive no Sporting tinha à minha disposição uma academia em que nada faltava, desde um ginásio enorme, a pessoas especializadas em acompanhamento psicológico dos jogadores, vários campos para treinar, etecetera. No entanto, em Castelo Branco encontrei um clube que se aproxima daquilo que existe nas ligas profissionais, com boas instalações, um bom relvado, bons balneários e, mais importante que isso, uma boa organização por parte da direção.

– A posição de guarda-redes é uma posição muito complexa, em que não é fácil os clubes apostarem em jovens. Nesse contexto, sente-se feliz por ter realizado uma temporada em que jogou sempre?

Não podia concordar mais com a afirmação: a posição de guarda-redes em nada é fácil, bem pelo contrário, e o facto de haver falta de aposta nos jovens guarda-redes é um dos principais fatores que a tornam uma posição tão diferente e complexa. Portanto, obviamente que me sinto muito feliz por ter realizado tantos jogos ao longo desta época.

– É internacional português sub-16 – o que significou essa experiência para si?

É um orgulho enorme. Acho que não existe nada mais gratificante, nesta profissão, do que representar as cores do nosso país, é aquilo que todos nós sonhamos desde pequenos. Neste sentido, o meu maior desejo é um dia voltar a representar a nossa Seleção mas no escalão máximo do futebol.

– Para si, quais são os guarda-redes referência?

Tenho três guarda-redes que, para mim, são aqueles que mais se destacaram/destacam na sua época: Oliver Kahn, Neuer e Buffon.

– Na formação, foi colega de equipa de jogadores como João Mário, Iuri Medeiros, Gelson Martins, Rúben Semedo, entre outros. Para si, quais foram os melhores jogadores com quem partilhou o balneário?

Tive a felicidade de acompanhar o João Mário durante o seu empréstimo ao Vitória de Setúbal e é nele que vejo o jogador com mais qualidade com quem partilhei o balneário. Estive também com o André Horta durante dois anos e é também daqueles que eu denotei maiores qualidades. Depois tenho também o Costinha, um jogador que, para além da enorme qualidade e talento, é um profissional exemplar e um ser humano fantástico, uma das melhores amizades que já realizei no futebol.

– Terminou a sua formação no Vitória de Setúbal, clube que lhe deu a oportunidade de ser profissional e onde esteve duas épocas enquanto sénior, embora não tenha sido utilizado. Sente alguma mágoa por isso?

De maneira alguma. Se as coisas não aconteceram foi porque não tinham de acontecer. Se, na altura, as pessoas acharam que eu não deveria jogar, então era porque tinham as suas razões e a mim só me restava respeitar e trabalhar ainda mais para que, caso a oportunidade surgisse, poder estar preparado. Por outro lado, não podia sentir mágoa de um clube que nunca me faltou com nada e que sempre me tratou muito bem.

– Como avalia esta sua temporada 2016/2017?

De um modo geral, dou uma avaliação positiva à minha temporada. Aliás, se a pudesse avaliar dando uma nota de 0 a 20, daria um 14. Foi a minha primeira época a jogar como sénior depois de dois anos seguidos sem jogar, a primeira fora de casa e num novo clube. Como disse, as coisas poderiam ter corrido melhor no início, mas sei que fui evoluindo e ganhando experiência e confiança. Sei que posso fazer muito mais do que aquilo que fiz esta época mas também sei reconhecer que, para primeiro ano, foi bastante satisfatório.

– Depois de uma temporada bastante regular, sabemos que vários clubes o observaram durante toda a temporada. O que prevê que aconteça e o que pretende para o seu futuro?

Neste momento, sou jogador do Benfica e Castelo Branco e estou focado no jogo de domingo. Aconteça o que acontecer, gostei muito desta experiência e estou imensamente grato ao clube por tudo o que fez por mim; se tiver que continuar aqui, continuarei com todo o gosto. No entanto, nunca sabemos o que o futuro nos reserva. Sei que há interesse superficial de alguns clubes das ligas profissionais, mas até que algo em concreto surja não irei pensar nisso. Essa “pasta” está entregue ao meu representante em quem confio a 200 por cento.

– Qual o seu maior sonho no mundo do futebol?

Quero chegar o mais longe possível, sei que para isso é preciso muito trabalho e um pouquinho de sorte à mistura, mas, no que depender de mim, trabalharei sempre no máximo. Quero que, por todos os clubes que passe, as pessoas saibam que de mim podem esperar acima de tudo muito trabalho e muita dedicação; o resto surgirá com o tempo.

 

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