Tendo em conta o título do artigo e as aspirações, legítimas, do Sporting Clube de Portugal continuar na senda de conquistas, já iniciada esta época com a conquista da bem organizada Taça CTT, era de esperar que eu começasse esta abordagem com uma alusão à falta que nos tem feito o “sentido de oportunidade” para o golo de Bas Dost.

Na verdade, isso seria escrever sobre futebol, no seu sentido jogado e era o que me daria maior prazer, mas não, o momento de tensão vivido nos corredores do Edifício do Visconde obriga-me a enfrentar esta situação em concreto.

Eu já tinha alertado o universo leonino para os perigos que o nosso clube enfrenta com os tiros dados nos próprios pés, mas confesso-me surpreso com a rajada de metralhadora, vinda do próprio presidente, que nos deixou a todos a cambalear. Ficou evidente o aproveitamento de Bruno de Carvalho do bom momento sentido no clube, com sucessivas conquistas em algumas modalidades, para tentar clarificar alguns pontos que no seu entender o impedem de presidir o Sporting Clube de Portugal com as condições mínimas. O registo adoptado foi, mais uma vez, o “truculento” e isto não nos pode surpreender, pois já se tornou imagem da sua marca, mas que o impacto desta vez foi grande e deixou tudo e todos boquiabertos, lá isso deixou.

Das duas, uma: ou o presidente teve uma jogada de mestre e o seu sentido de oportunidade foi de tal forma letal que permitirá reunir o tão ambicionado consenso na Assembleia Geral, do próximo dia 17, ou, então, estaremos perante uma monumental falta de responsabilidade que poderá dar início à derrocada de tudo o que foi construído e começava a dar frutos. É uma crença de uma inocência confrangedora Bruno de Carvalho acreditar que sairá pela porta grande se não conseguir reunir as condições para presidir que ele próprio impôs. O que se conquistou até agora não chega; queremos mais; muito mais e isso parecia ser possível com esta direcção.

Admitamos que não é admissível existirem sportinguistas a ficarem contentes com as derrotas da equipa de futebol principal, só para assim sentirem fragilizado o presidente, mas daí a este tomar estas medidas drásticas, que só prejudicarão a instituição, podem ir três títulos de distância. Confesso-me pouco confiante quanto ao sucesso da medida adoptada, na minha modesta opinião; no sábado apenas virá ao de cima o impacto mediático negativo e as divergências acentuar-se-ão, de forma irreversível, para esta direcção.

Ainda assim, permitam-me o jogo de palavras, esperançoso e condizente com as festividades: quem me dera que tudo isto não passasse de uma partida de Carnaval e as partes acabassem à mesa, em clima de romance… Eu acredito em finais felizes!

Autor: Filipe Loureiro

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