Os “mind games” no futebol, famosíssimos por serem utilizados pelo bem sucedido José Mourinho, não são mais do que estratégias de comunicação que visam influenciar o jogo propriamente dito. Por norma, os agentes do futebol utilizam-nos para melindrar a equipa adversária, esperando obter vantagem aquando da confrontação dentro do campo.

A comunicação social é usada e abusada neste processo, para que os objectivos sejam alcançados e a verdade é que o método vai resultando. O problema está quando se fazem más escolhas nos temas para “pegar” e se espicaça o adversário ao invés de o fragilizar, tal e qual aconteceu na semana anterior ao jogo do Sporting Clube de Portugal em Braga.

O resultado foi o que se sabe, perdemos com justiça, e não mostrámos qualidades para conseguirmos continuar a lutar pelo título. Aliás, eu aqui já nos tinha retirado dessa luta, pois é por demais evidente a nossa “falta de pernas”, mas sei que não sou o único a ter essa percepção. Há uma nova estirpe de adeptos a surgir nos clubes de futebol em geral, “Os Clarividentes”, que se apresentam como pessoas informadas, atentas e capazes de desmontar, com grande facilidade, os discursos lançados pelos dirigentes dos clubes.

Para o grupo de adeptos referido, a vestirem de verde e branco, torna-se óbvio que Jorge Jesus e Bruno de Carvalho estão a gerir a presença do treinador no plantel do Sporting Clube de Portugal e a meta de ambos é chegarem ao final da época sem melindrarem muito mais as suas posições perante a massa associativa. Repare-se que Jorge Jesus ainda não se colocou fora da corrida pelo título, afirmando que ainda é possível, embora sendo muito difícil, mas estas afirmações apenas pretendem ir adiando, o mais possível, a quebra de confiança total entre a equipa e os adeptos.

Como sportinguista, apoio sempre quem está no activo, mas, com sinceridade, parece-me que Jorge Jesus esgotou o seu registo e estará a passar por uma qualquer crise de identidade. As suas aparições públicas mostram um homem agastado, as intervenções com a comunicação social roçam o disparate e, mais importante do que tudo isso, a equipa que orienta está a jogar um futebol cada vez mais desinteressante e nada ambicioso. Considero-me um adepto clarividente e suspeito que esta equipa não ganha mais nenhum troféu esta época, mas, como sportinguista e esperançoso, não me levarão a mal se eu escrever que espero a ressurreição de Jesus e seus discípulos para os próximos desafios.

Autor: Filipe Ferreira Loureiro

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