Muita gente, no mundo de futebol, questiona-se sobre o caminho do sucesso. Será o dinheiro que pode comprar a competência e o talento? Ou será a competência e o talento a gerar dinheiro? O fundamento por detrás desta pergunta baseia-se no facto de cada vez mais assistirmos no futebol a uma avalanche de russos e árabes endinheirados a comprar clubes como se de uma camisa se tratasse. Será que os camiões de dinheiro que cada vez mais chegam a grande velocidade serão suficientes, ou o papel da paixão, competência e talento irá sobrepor-se?

Dado o que aconteceu nesta semana europeia, eu acho que a resposta é simples. Podem trazer todo o dinheiro do mundo, mas se não existir o mínimo de carácter, paixão, competência e talento dificilmente se chegará a algum lado. É cada vez mais necessário, quando se pensa em construir um projeto desportivo, avaliar o que realmente é fundamental para o sucesso de um clube. Avaliar se é necessário contratar nomes sonantes à custa de somas pornográficas para a equipa (geralmente com egos tamanhos que ultrapassam o Evereste e se sobrepõem ao talento) ou se é melhor apostar numa identidade, num conjunto de fundamentos básicos para construir a equipa.

No futebol moderno, ao contrário da corrente comum do pensamento generalizado, para além de algum dinheiro é necessário e fundamental possuir um projeto devidamente estabelecido com fortes convicções. É necessário sem dúvida um homem que possua uma identidade tão forte que seja capaz de vencer as convenções pré-instaladas de grandeza; hoje, mais que nunca no futebol, para além de grandes jogadores, são precisos grandes treinadores.

Equipas como o Liverpool e o Atlético de Madrid são o maior exemplo do que é a realidade do futebol hoje em dia, embora ambas por razões diferentes. Vejamos o caso do Liverpool. Nas últimas épocas fartou-se de esbanjar dinheiro e possuiu um treinador relativamente competente, Brendan Rodgers. Gastou perto de 500 milhões de euros em jogadores. Resultados? Um segundo lugar na Premier League e pouco mais. Não sei se por sorte ou apenas por questão de oportunidade, o clube da terra dos Beatles decidiu investir no treinador alemão Jurgen Klopp. A diferença, apesar de ter demorado algum tempo a aparecer, é bastante notória. Tanto na postura dos jogadores, bem como na qualidade da equipa em campo. O jogo entre o Borussia e o Liverpool foi o exemplo mais alto de como o futebol deve ser jogado e apreciado. Paixão, dedicação e talento. O Liverpool até podia ter ganhado o jogo se tivesse uma equipa multimilionária com outro treinador, mas será que se veriam as lágrimas, a emoção, o sentimento de alegria tão exacerbado nos festejos dos adeptos? Duvido muito.

O Atlético de Madrid é um exemplo mais perfeito. Basta analisar o que era a equipa antes de Diego Simeone e o que é agora. O treinador argentino, à semelhança da imagem de quando era jogador, impôs na equipa um estilo que é a sua cara. Lutador, disciplinado, apaixonado e de um carácter inabalável. Os resultados estão à vista: já foi campeão espanhol, já disputou uma final da Champions e pode estar a caminho de outra. O Atleti é a personificação de que uma verdadeira equipa deve ser. Não só é capaz de ganhar a qualquer equipa, mas também, mesmo perdendo, é capaz de permanecer com a sua reputação intocável e continuar a ser amada da forma mais carinhosa possível pelos seus adeptos. Como diz o seu treinador, “o esforço não é negociável, não tolero conformismo”.

O caminho a seguir para o futebol é simples – é prosseguir a aposta nas pessoas e não no dinheiro. É continuar a apostar na competência, no carácter pôr de parte algumas disputas monetárias e as transferências interesseiras.

Se um clube quer ser grande, quer ser capaz de marcar a história de futebol e ser recordado, tem de possuir uma identidade e consequentemente ser capaz de contratar pessoas que personifiquem esses ideais sem influências externas. Têm de adquirir pessoas como Jurgen Klopp, que é capaz de dizer após uma vitória soberba: “ Eu não me importava de perder, queria era mostrar carácter “. Ou outra como Diego Simeone, que depois de um jogo decisivo declarou: “Tenho uma grande alegria por estes jogadores. Não estou a falar apenas da passagem às meias-finais, mas também dos valores. Foi um jogo difícil, mas espetacular”. Personalidades como estas demonstram que tanto na vida como no futebol, o dinheiro não é tudo.

Os cifrões podem oferecer por vezes o caminho mais rápido, mas nunca oferecem o mais bonito.

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