Antigo campeão do mundo pela Espanha, agora com 38 anos no Vissel Kobe do Japão, abriu o coração ao youtuber Jordi Wild sobre a depressão que viveu em 2009 após a morte de Dani Jarque

Andrés Iniesta, jogador de 38 anos do Vissel Kobe, do Japão, abordou no podcast The Wild Project, do youtuber Jordi Wild, a depressão que combateu em 2009, no seguimento da morte de Dani Jarque, seu amigo que atuava no Espanhol.

“Foi após a morte de Dani Jarque, foi um golpe brutal. Um dia estava em casa com os meus pais e disse que tinha de ir ao médico porque me vai acontecer alguma coisa, vou morrer ou vai acontecer alguma coisa. Fui falar com o médico e recomendou-me um psiquiatra, depois um psicólogo. Foi um processo incrível de crescimento. Não tinha essa alegria ou energia que tem de ser a vida. Começas a sentir-te mal, fazem-te testes e estás bem, mas tu dizes que alguma coisa não funciona. Vais entrando no teu corpo e na tua mente e vês tudo preto. Desejava que chegasse a noite para tomar o meu comprimido e descansar. Esse era o momento de maior prazer”, começou por dizer, numa entrevista na qual aborda temas como a sua carreira, os títulos, o Barcelona de sonho que integrou, a Bola de Ouro que não conquistou (ficou em segundo, com Messi em primeiro), a vida no Japão, a ansiedade ou a homossexualidade.

“Estava em casa com a minha namorada, que agora é a minha mulher, e estávamos no sofá, mas era como se estivesse a almofada. Ou estava com os meus pais e era igual. Não era estar triste por ter perdido um jogo, ou por a tua namorada te ter deixado ou porque discutiste com um amigo, é outra coisa. Até que não o vives e não o sentes, não podes entender. Perdi a vontade de viver. Abracei a minha mulher, mas era como abraçar uma almofada. Não sentia nada”, prosseguiu.

Iniesta, apesar de ultrapassada a crise mental com que lidou em 2009, revelou que continua a fazer terapia: “Continuo a fazer terapia porque preciso estar bem comigo mesmo. Gosto de ouvir profissionais a falar sobre doenças mentais e depressão. Com o tempo, a vida ensina-te que a depressão e as doenças mentais podem afetar qualquer um. Não recuperei disso, a recuperação é no dia a dia.”

Sobre o futuro, assumiu que “gostava de voltar ao Barcelona como treinador ou diretor desportivo”. “Mas antes tenho de aprender em diferentes áreas e depois veremos”, concluiu.

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