Quem nasceu antes e durante os anos 80 e princípios dos 90 – e também os mais novinhos que seguem com atenção o passado recente da esfera futebolística – sabe quem foi Ole Gunnar Solskjær e a razão por que ficará imortalizado na história do futebol.

Para quem não se recorda, aqui fica o sumário. Na já longínqua final da Liga dos Campeões de 1999, defrontaram-se Manchester United e Bayern de Munique. Os alemães adiantaram-se no marcador logo aos 6 minutos e conservaram a vantagem já para lá do quarto árbitro ter levantado a placa com os minutos de desconto. Quando tudo apontava para uma vitória germânica, eis que se dá um dos maiores golpes de teatro de que há memória: aos 90+1’, Teddy Sheringham empata a partida e, aos 90+3’, Solskjær completa a reviravolta, oferecendo o título europeu ao United.

Este foi com toda a certeza o momento alto da carreira do norueguês, mas não foi apenas disso que a sua carreira viveu. Aliás, quem faz 126 golos no Manchester United, mesmo sendo perseguido de forma incessante por problemas físicos, tem de ser especial.

No entanto, muitos desses golos foram conseguidos com o estatuto de suplente. Com uma dupla Dwight Yorke e Andy Cole que jogava de olhos fechados, a juntar a um Teddy Sheringham, não era fácil lutar por um lugar no XI inicial. E depois com as contratações de Ruud van Nistelrooy, Diego Forlán, Louis Saha, Rooney e Cristiano Ronaldo, mais complicava a tarefa. Apesar disso, mantinha uma grande eficácia sempre que saía do banco. De tal forma que um dia Sir Alex Ferguson o apelidou de “melhor suplente do mundo”. Não é o maior dos elogios, por certo, mas granjear o rótulo de melhor do mundo em alguma coisa já é positivo.

E é precisamente aqui que deve ser feito o paralelismo com Raúl Jiménez, o destaque da semana que passou: não é preciso ser um titular absoluto para se ser influente num plantel e nos resultados de uma equipa. Não, Jiménez não ofereceu nenhuma Liga dos Campeões ao Benfica, todavia, não é de somenos a sua preponderância no clube da Luz.

Ao contrário do que se possa pensar, a influência do mexicano não é recente. Começou bem cedo na temporada, aliás. Logo à 3.ª jornada, o Benfica perdia na Luz frente ao Moreirense, até que ao minuto 75 Raúl Jiménez, dois minutos depois de entrar, empatou a partida e deu início a uma reviravolta culminada por Jonas já perto do apito final. Este foi o primeiro lampejo do avançado que mais tarde perderia definitivamente a titularidade para Mitroglou.

Após algumas presenças intermitentes e uns golos aqui e acolá, o mexicano volta a mostrar a sua importância num jogo em que nem sequer marca. Na segunda mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, a eliminatória estava empatada a um golo quando do nada Raúl Jiménez executa um remate soberbo que Lodygin consegue deter, mas estava Gaitán na sobra para facturar. Foi aquele pontapé espontâneo que devolveu a confiança ao Benfica e a recolocou na próxima fase da liga milionária.

No passado mais recente, o ponta-de-lança mostrou que, tal como o colega de posto Solskjær, se pode ser determinante mesmo não sendo uma aposta consecutiva no XI inicial. Num período escaldante do campeonato, foi o mexicano quem pôs o gelo e fez milhões de benfiquistas suspirar de alívio. Primeiro na recepção à Académica na 29:ª jornada, Raúl desfez o empate já perto dos 90’ e, na 31.ª, na visita ao Rio Ave, foi o seu oportunismo que permitiu ao Benfica conquistar mais três pontos fulcrais na luta pelo título.

Caso o Benfica seja campeão, o cunho de Raúl Jiménez no título será indelével, pois terá contribuído decisivamente para ele num momento em que o clube mais precisou dos seus golos. Seja como for, para o próximo ano é expectável que o mexicano seja utilizado de forma mais constante. Não só porque é de facto um ponta-de-lança com qualidade, mas também porque foi uma contratação cara e um activo que urge desenvolver. Além de tudo, Mitroglou não é certo que continue de águia ao peito. Estaremos cá para ver se continuará a ser um talismã para Rui Vitória.

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