Atualmente no Campeonato de Portugal, que equivale ao quarto escalão, o Belenenses reiniciou o seu futebol sénior na última divisão distrital de Lisboa – semelhante a uma sétima divisão -, depois do litígio com a SAD, que levou à separação das duas entidades desportivas, na época 2018/19, e a vários processos em tribunal, que ainda perduram.

“O grande objetivo, não o escondemos, é subir todos os anos de divisão até à I Liga e voltarmos a colocar o Belenenses no lugar que é seu por direito próprio”, afirmou à agência Lusa o presidente, Patrick Morais de Carvalho, durante um treino no Restelo.

E a verdade é que o clube da Cruz de Cristo tem conseguido cumprir com a promessa, ultrapassando sem espinhas os distritais, mesmo com uma situação pandémica pelo meio a atrapalhar, mas, chegados aos nacionais, o Belenenses não quer ficar por aqui.

“Queremos colocar de novo o Belenenses na I Liga. Não imaginamos uma I Liga sem o Belenenses. A I Liga, neste momento, não tem o Belenenses e faz muita falta ao futebol português”, atirou o dirigente, com uma bicada à SAD, que disputa o escalão máximo.

Para tal, é preciso competência ano após ano e uma gestão de expectativas dos sócios: “Somos uma massa associativa de um clube grande e, portanto, o Belenenses tem de jogar sempre para ganhar. Mesmo contra o Sporting, os sócios querem ganhar”, frisou.

O regresso do clube do Restelo à ribalta acontece na festa da Taça, perante o velho rival e atual campeão nacional Sporting, num dia que Patrick Morais de Carvalho prevê “fantástico para a família Belenenses”, que servirá de afirmação da “identidade única”.

“Vai servir para que o país desportivo, se alguma dúvida tivesse, percebesse, de uma vez por todas, que o Belenenses joga no Restelo e em mais lado nenhum. Desse ponto de vista emocional e comunicacional, vai ser um dia muito importante”, considerou.

Por outro lado, notou a “diferença abissal” entre os dois plantéis, em que o Belenenses terá uma “probabilidade mínima de sair a sorrir no final do jogo”, mas prometeu uma formação a “tentar dignificar ao máximo o nome do Belenenses e da Cruz de Cristo”.

O treinador Nuno Oliveira, de apenas 34 anos, tem estado ao leme da equipa lisboeta desde o início deste novo ciclo, em 2018/19, num trajeto que “tem sido muito duro”, com “uma responsabilidade muito grande em cima”, mas sem esmorecer na ambição.

“Somos nós que estamos aqui dia a dia a trabalhar para reerguer a equipa sénior de futebol do clube. No final de cada época, tem havido uma alegria muito grande, que tem trazido força para conseguirmos conquistar a época seguinte”, expressou, à Lusa.

Quanto ao futuro, Nuno Oliveira apenas pensa no curto prazo, que passa pela subida à Liga 3: “Quando estivermos na Liga 3, se for eu o treinador, vou pensar em subir à II Liga. Enquanto estiver aqui, nunca me vou escudar dos objetivos deste clube”, avisou.

Os futebolistas do Belenenses estão bem conscientes dos objetivos, com Bruno Botas, avançado de 34 anos, a sublinhar que pretendem “ser sempre melhores ano após ano”, estando a iniciar a terceira temporada, em quatro desta “nova vida” do Restelo.

Já o médio Mauro Antunes, um dos capitães de equipa, com 29 anos, assegurou que se encontram a trabalhar para que os grandes jogos, como a receção ao Sporting, voltem em definitivo ao recinto do Belenenses, não só na Taça, mas também no campeonato.

Belenenses e Sporting defrontam-se sexta-feira, às 20:45, no Estádio do Restelo, para a terceira eliminatória da Taça de Portugal, na reedição de um dérbi lisboeta centenário que já se disputou 248 vezes, mas nunca num panorama tão díspar entre os clubes.

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