Escrito por: João Pereira

Está na altura de Jorge Jesus deixar o Benfica. Não o digo como uma verdade exacta e irrefutável, digo-o como uma opinião pessoal, mas sei que muita gente partilha da mesma opinião. No final da época transacta confesso que me sentia dividido entre a continuidade e a saída de Jesus. No decorrer desta nova época, qualquer tipo de divisão foi dissipada. Não sou daqueles que quando tudo corre mal pede logo a cabeça do treinador. Aliás, nas duas épocas seguintes à conquista do título defendi a continuidade do treinador benfiquista, sendo que na época anterior e na actual me senti um pouco relutante e indeciso. A indecisão provinha de, aparentemente, não existir nenhuma melhor opção realista para substituir o actual timoneiro. Agora, no decorrer desta época, chega-se à conclusão que a situação está, sem dúvida, insustentável. O Benfica apresenta um futebol amorfo, cinzento, os jogadores parecem acomodados, sem alegria de jogar futebol e presos. E tudo isto não aconteceu por culpa dos maus resultados pois todo este panorama se começou a notar logo na pré-época. Jesus continua com o mesmo problema na elaboração e equilíbrio do plantel; a equipa no seu todo defende mal e não interpreta bem o momento defensivo; as bolas paradas defensivas e ofensivas têm sido um problema, sofremos muitos golos nesses lances e quase não marcámos golos por mais cantos que a equipa tenha; a equipa está de tal modo robotizada e presa, que parece só saber jogar de um modo, sendo incapaz de “mudar o chip” quando é necessário. Em suma, o que passa cá para fora e o que a equipa parece pedir é uma lufada de ar fresco. E essa lufada de ar fresco só poderá vir de novas ideias de jogo, nova liderança e novos automatismos. O tempo de Jorge Jesus como líder da equipa expirou e está na hora de mudar. Que fique bem claro que reconheço mérito a Jorge Jesus. Ganhou de forma inquestionável e esmagadora o campeonato no seu primeiro ano, colocou o Benfica a jogar num bom nível e chegou a uma final europeia.

No entanto, a tão proclamada “aproximação” e disputa da hegemonia com o FC Porto não se verificou nem ninguém pode considerar que aconteceu. Tal situação só se verificaria com a conquista de títulos e a verdade é que, em termos de títulos, Jorge Jesus não fez mais que outros treinadores. De relevo só venceu um campeonato, pois as taças da liga estão num segundo plano. Mais, desde a época do título que a equipa regrediu, evoluiu novamente a época passada e esta época sofreu nova regressão. Não é assim, numa autêntica montanha-russa de época para época, que se disputam hegemonias e aproximações a outros clubes.

Já as suas declarações no fim do jogo com o PSG foram do mais infeliz que se pode ouvir, no entanto, este tipo de comportamento é normal. Para o nosso técnico, o Benfica quando tem uma vitória significativa na Europa é porque se pode bater com qualquer equipa do mundo, quando perde, é porque a outra equipa tem jogadores muito bons, super-estrelas e extraterrestres. Então e o Benfica também não tem um grande plantel, recheado de bons jogadores? Ou só são bons e se batem com qualquer equipa quando ganham? Jorge Jesus é incapaz de ter pulso e de assumir as responsabilidades. Em vez de admitir que errou ou que a equipa não esteve bem, prefere sempre sacudir a água do capote e dizer que os outros é que são bons e tens mais capacidade. Assim nunca conseguiremos grande coisa, se jogarmos sempre com medo dos outros.

Em jeito de conclusão, é com os argumentos que apresentei acima que defendo uma mudança de treinador, antes que seja tarde para recuperar a diferença pontual que já nos separa da frente do campeonato. Não vivendo num mundo alheado da realidade, sei bem que uma mudança, neste momento, tanto pode ser benéfica como prejudicial, mas com certeza que a situação não ficaria pior do que já está. Se olharmos para um jogo do Benfica e tentarmos observar, pelas atitudes e modo de encarar a partida, os índices motivacionais e emocionais da equipa, penso que é notória que uma mudança seria benéfica. Portanto, neste momento e sabendo que há sempre a hipótese de engolir estas palavras, afirmo: senhor Jorge Jesus obrigado pelo que fez pelo Benfica, mas está na altura de dar lugar a outro.

Um último reparo: senhor presidente e administração, façam lá o favor de dar um lugar de destaque a Rui Costa no que toca à proximidade e construção do plantel principal. Já chega de contratações falhadas e de caprichos de treinador que dão em “flops”. Rui Costa tem de ter um papel mais preponderante junto da equipa e do treinador, ele sabe como as coisas se fazem e sente o Benfica como poucos.

 

Nota 1 – O jornal “Record” escreveu na sua página online, depois da vitória do Benfica, uma notícia com o seguinte título e respectivo subtítulo: Uma mentira completa – Águias fizeram exibição horrível”. Pois bem, se é certo que a exibição não foi de encher o olho e se é certo que a jogar contra 10 o Benfica não exerceu um grande domínio, também é certo que o Benfica está psicologicamente destruído e o Estoril, para além do golo, só criou uma oportunidade digna de registo aos 94 minutos. Da vitória do Benfica ser uma mentira completa vai uma grande distância. Eu que pensava que os cantos não valiam golos, afinal valem, pelo menos para o “Record”. O que não dá isto do Sporting estar a começar bem a época…

 

 

 

A subir: Januzaj e PSG. Um autêntico prodígio. Pode dizer-se o que se disser, mas este não engana. Uma estrela a emergir e que já dá pontos ao Manchester United. Já os franceses, depois da vitória frente ao Benfica o PSG logrou vencer fora o Marselha por 2-1, depois de estar em desvantagem e com um Thiago Motta expulso logo ao 31 minutos

  

 

A descer: Tottenham. A equipa de Villas-Boas sofreu uma pesada derrota no dérbi londrino frente ao West Ham.

 

Saudações Benfiquistas.

 

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