Lembro-me de cada pormenor do dia 7 de Novembro de 2010. Podia escrever um livro sobre esse dia. Sobre a frase madrugadora de um amigo benfiquista “logo ides ver!”; sobre a ansiedade no momento de sair de casa para o Estádio; sobre a bifana antes do jogo; sobre o espantoso “David Luiz a defesa esquerdo e Sidnei a central”; sobre a forma como berrei, saltei e esbracejei em cada golo… 1, 2, 3, 4, 5…
Aquele jogo, para mim, foi um exorcismo.
O jogo desta sexta-feira será (deverá ser!) um exorcismo para todos os portistas. Um exorcismo ao estranho fenómeno que ocorreu este fim-de-semana e que tem sido insistentemente prolongado.
Não falo do empate do Porto. Isso é algo natural. Todas as equipas têm jogos maus e não é o jogo das Aves que vai manchar a época que a equipa de Sérgio Conceição tem feito até ao momento.
Nem falo da goleada caseira do 3º classificado e próximo visitante do Estádio Dragão.
Falo das reacções subsequentes. De repente, parece que o Porto se encontra numa crise de resultados profunda, enquanto o nosso visitante chega ao Norte numa cavalgada imparável de vitórias. Mas olho para a tabela classificativa e continuo a ver o Porto em primeiro.
Ao ler e ouvir certos comentários, até parece que o Will Smith e o Tommy Lee Jones estiveram em Portugal no sábado e no Domingo, usaram aquelas maquinetas de apagar a memória ao pessoal e toda a gente já se esqueceu do que tem sido a época dos intervenientes do próximo clássico.
É certo que é um jogo de tripla. E é bem verdade que podemos começar esta jornada em 1.º e terminá-la em 3.º.
Mas há vários dias que o Dragão está esgotado e a confiança dos portistas inabalável, ainda que muitos tentem o contrário. Acredito que também a confiança do treinador e da equipa esteja sólidas e que o jogo das Aves tenha sido apenas um percalço, daqueles que acontecem a toda a gente.
Acredito que vamos deixar tudo em campo, contra tudo e contra todos, como é apanágio da “fibra das gentes do Norte”.
Acredito que, ao contrário da época passada, não iremos deixar a vitória fugir de forma infantil. E não é preciso 5… basta 1.
P.S. – Que emocionante foi ouvir o Pepe e o Quaresma no final do jogo da semana passada. São declarações que deviam ser partilhadas com o actual plantel.
Autor: António Pinheiro






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