Um caso de enorme dimensão está a abalar o Portimonense.
O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol instaurou um processo disciplinar a 26 jogadores que representaram o clube algarvio na temporada 2025/26, por alegado envolvimento em apostas desportivas proibidas.
O processo tem quase 600 páginas e surgiu na sequência de uma denúncia. Entre os elementos constantes da acusação estão centenas — e, em alguns casos, milhares — de apostas, incluindo apostas realizadas em jogos do próprio Portimonense. O processo ainda não chegou a uma decisão e os jogadores têm direito a apresentar defesa.
O caso mais mediático é o de Nuno Pereira, médio de 28 anos e atual concorrente do Big Brother Verão. De acordo com a acusação, o jogador terá realizado 1.536 apostas desportivas, 195 das quais em encontros do Campeonato de Portugal.
Mais grave: 22 dessas apostas terão incidido sobre partidas do próprio Portimonense e, em 18 ocasiões, Nuno Pereira é acusado de ter apostado na derrota da equipa que representava.
Outro dos casos referidos no processo envolve Rodrigo Carvalho. O guarda-redes é acusado de 915 apostas, das quais 211 relacionadas com o Campeonato de Portugal. Segundo a acusação, 32 terão sido realizadas em jogos do Portimonense e 20 na derrota da própria equipa.
Daniel Cunha surge acusado de 543 apostas, enquanto Gonçalo Correia terá realizado 550, Alexandre Pimenta 449 e Afonso Loja 408. No caso deste último, cinco apostas terão incidido em jogos do Portimonense e todas apontavam para a derrota do clube algarvio.
Perante a dimensão do caso, o Portimonense anunciou a suspensão preventiva dos jogadores envolvidos e revelou ter iniciado diligências internas e disciplinares. O clube garantiu ainda estar em contacto com as autoridades e prometeu atuar com “máximo rigor”.
Os 26 jogadores já foram notificados e dispõem de prazo para apresentar a respetiva defesa. Só depois serão cumpridos os restantes trâmites até à decisão final do Conselho de Disciplina, pelo que, nesta fase, estamos perante acusações num processo disciplinar e não perante condenações definitivas.
O regulamento disciplinar da FPF prevê sanções particularmente pesadas quando um jogador aposta numa partida ou competição em que participa. Nesses casos, poderá ser aplicada uma suspensão entre seis meses e três anos, além das multas previstas.
O caso representa um dos processos relacionados com apostas mais graves dos últimos anos no futebol português, sobretudo pela quantidade de atletas envolvidos e pela existência, na acusação, de apostas em derrotas da própria equipa.




