Sábado, 17 de Outubro de 2026
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PJ investiga alegadas pressões e ofertas milionárias na arbitragem portuguesa

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A Polícia Judiciária está a investigar denúncias relacionadas com a arbitragem do futebol profissional português, num processo que inclui áudios, mensagens, conversações em grupos e testemunhos de árbitros.

A arbitragem portuguesa volta a estar no centro da polémica.

A Polícia Judiciária está a investigar denúncias relacionadas com alegadas interferências e pressões no setor, na sequência do processo que levou à saída de Duarte Gomes do cargo de diretor técnico nacional de arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol.

Segundo informações avançadas pelo Correio da Manhã e reproduzidas pela Renascença, a investigação inclui áudios, mensagens, conversações em grupos e testemunhos de árbitros, que terão entregue os seus telemóveis para perícia.

Até ao momento, não haverá arguidos constituídos.

Entre os elementos sob análise estarão mensagens com referências a alegada chantagem e também a possíveis prémios financeiros, incluindo uma alegada oferta de um milhão de euros a um dirigente da arbitragem caso determinados clubes fossem beneficiados ou fossem escolhidos árbitros específicos para determinados jogos.

Uma das mensagens terá ainda feito referência a pressões para a escolha de um árbitro específico para um FC Porto-Benfica da temporada passada, embora não esteja esclarecida a origem desse pedido.

A CMTV adianta ainda que Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, terá sido convidado a abandonar o cargo, mas não o terá feito por ter conhecimento de alegadas pressões exercidas sobre outros dirigentes da FPF relativamente à nomeação para esse clássico.

Outro dos pontos investigados está relacionado com o árbitro Hélder Malheiro. Segundo a informação divulgada, terá sido feita uma promessa de manutenção na I Liga por mais uma temporada caso beneficiasse o Estrela da Amadora.

A PJ terá encontrado também mensagens entre Paulo Lopo, antigo presidente do Estrela da Amadora, e Luciano Gonçalves.

Paulo Lopo já afirmou anteriormente que não teve conhecimento antecipado de nomeações de árbitros e, contactado pela CMTV, garantiu que nem ele nem qualquer elemento do Estrela foram ainda ouvidos no processo.

Luciano Gonçalves também afirmou não ter sido ouvido e negou qualquer ligação ao antigo dirigente do Estrela da Amadora.

A investigação inclui ainda um áudio em que um árbitro revela à respetiva equipa de arbitragem que iria dirigir determinado encontro cerca de 15 dias antes de as nomeações serem tornadas públicas.

A Polícia Judiciária terá apreendido a documentação relacionada com o processo que correu no Conselho de Disciplina da FPF e com as denúncias apresentadas por Duarte Gomes.

O Conselho de Justiça da FPF tinha anteriormente arquivado o inquérito interno por considerar que não existiam provas suficientes para concluir que houve divulgação antecipada de nomeações ou nomeações efetuadas a pedido de clubes.

A investigação criminal continua, contudo, em curso e poderá determinar se existiram ou não interferências de maior dimensão no funcionamento da arbitragem portuguesa.

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