
Escrito por: Cláudio Moreira
Quando se pensava que o FC Porto havia estabilizado um modelo de jogo e um XI base, eis que o fantasma da rotatividade volta a atacar, novamente com resultados ruinosos.
De facto, após o desastre que foi o afastamento precoce da Taça de Portugal, fruto das múltiplas invenções impostas por Lopetegui, esperava-se que alguma coisa mudasse. E mudou. Nos quatro jogos seguintes, outras tantas vitórias (duas delas europeias), 11 golos marcados e apenas 1 sofrido. Porque houve um XI estabilizado e as mudanças foram cirúrgicas, aqui e ali, mantendo o esquema no tradicional 4x3x3 e 90% daquele que é o esqueleto que deve ser titular.
Tendo estas boas respostas após um desaire que deixou marcas, porquê voltar à estaca zero e insistir nos erros que já deitaram por terra o segundo título nacional mais importante? Porquê voltar ao 4x4x2 e, acima de tudo, porquê introduzir Adrián na equipa inicial quando não tem reunidas as condições para sequer estar na convocatória?
Senhor Lopetegui, deixe-me ajudá-lo. Esta é a melhor equipa do FC Porto quer você queira, quer não:
Se esta é a melhor equipa, forçosamente é a que tem que que jogar mais vezes. É penoso chegar à 10.ª jornada e ainda não ter um modelo de jogo definido, quanto mais consolidado! O treinador do FC Porto tem de perceber rapidamente que a pré-época já lá vai e que os estádios onde se realizam jogos a valer não são laboratórios para testar teorias que não têm cabimento na filosofia portista. Com a agravante de ter sido vulgarizado em casa pelo Sporting.
Senhor Lopetegui, Marcano já foi testado e usado na posição de trinco, Rúben Neves como médio de transição, Quintero já foi encostado a uma ala, Óliver já passeou por todas as posições do meio-campo e agora é preciso arranjar uma posição nova para Adrián, que ainda não se sabe se é carne ou peixe, ou seja, se é extremo (valerá tanto como Licá nesta posição e menos do que Kelvin ou Ricardo) ou segundo avançado (ainda não mostrou nada mais do que havia mostrado Ghilas). Está na altura de romper definitivamente com este experimentalismo.
Esta invenção frente ao Estoril consegue ser mais escandalosa se pensarmos que o FC Porto volta a jogar para o campeonato daqui a 3 semanas. Pois é, depois dos jogos das selecções há Taça de Portugal e Liga dos Campeões. Se Quintero não podia ser titular devido a uma gastroenterite (mas já pode jogar meia hora, isso já não é prejudicial à saúde do atleta…), porque não jogou Óliver que tão boa conta do recado tinha dado em Bilbao? Evandro, um jogador sempre útil para fazer lançar desapareceu da convocatória por que razão? Não era de estar lá face às limitações de Quintero? De facto, há algumas coisas que desafiam a lógica e o bom senso…
Afinal de contas, porque teima Lopetegui em mudar o que está bem? Só encontro uma explicação: quer a satisfação do seu núcleo duro e, para isso, distribui minutos por todos, sacrificando os interesses do clube, tal como os resultados têm vindo a confirmar. Doravante, Julen Lopetegui tem que pensar bem no que quer e de que forma pretende alcançar os objectivos a que se propôs. Com o Benfica a 3 pontos e a beneficiar sistematicamente de erros arbitrais com influência no resultado, o caminho que resta é o mais pragmático: jogar sempre com os melhores sem revoluções estruturais.

