Escrito por: João Pereira

(A epopeia até ao título)

Belo quadro aquele a que tive o privilégio de presenciar há poucos dias. Na Quinta-Feira passada tive o prazer de assistir ao vivo, no Estádio da Luz, à meia-final da Liga Europa contra o Fenerbahçe e logo atrás da baliza onde Cardozo marcou o golo decisivo. Já assisti a muitos jogos do Benfica, assisti a jogos europeus, assisti à vitória sobre o F. C. Porto no último ano em que o Benfica foi campeão, mas nunca tinha assistido a um jogo que mexesse tanto com as emoções como este. O ambiente no estádio era impressionante, completamente electrizante. As emoções estavam ao rubro e era quase impossível seguir o jogo sentado, com o imenso nervosismo que sentia, o meu e o de todos à minha volta. O Benfica marcou, sofreu um golo mas conseguiu recuperar do golo sofrido e marcou mais dois. Emoção, leve apreensão, alegria, êxtase e vitória, foram os condimentos perfeitos para uma noite europeia mágica, daquelas a que já não se assistia há muito tempo. O ambiente foi muito importante para a vitória, quase nunca se parou de cantar, de apoiar. Quando o Benfica atacava, não atacava só com 11, atacava com o peso de 53 mil (eram cerca de 55 mil a assistir, mas 2 mil eram turcos, seguramente) pessoas a puxar e a levar a equipa para a frente. Ser benfiquista é um orgulho, é ser diferente, é sentir amor verdadeiro por alguma coisa e o jogo de quinta-feira reforçou e provou isso mesmo. O Benfica passou à final, vai encontrar um adversário fortíssimo, mas com certeza lutará com todas a forças para trazer o troféu para Lisboa e todos os benfiquistas têm a esperança que isso se concretize.

Depois da alegria europeia, as atenções viraram-se para o jogo com o Estoril, jogo esse que, em caso de vitória, deixaria o Benfica com uma confortável margem de 4 pontos para o segundo classificado, faltando apenas duas jornadas. Tal não aconteceu e a epopeia do Benfica (52 jogos realizados esta época, e ainda faltam 4) sofreu um revés, tal como os bravos portugueses sofreram com as ciladas na epopeia portuguesa escrita por Camões.

Contudo, como os portugueses n’ “Os Lusíadas”, o Benfica tem de conseguir ultrapassar esses obstáculos, vencer as restantes etapas e os jogadores tornarem-se heróis em prol do colectivo, para que, no fim da época, o Benfica seja exaltado em Portugal e de uma ponta à outra da Europa.

Deixando agora as metáforas poéticas, tenho, também, de reconhecer que o Estoril realizou um grande jogo no Estádio da Luz. Á excepção dos primeiros 15 minutos, em que o Benfica podia ter feito mais que um golo, a equipa da Linha mostrou ser competente, bem organizada e praticante de bom futebol. Mostrou que merece um lugar na Europa, ao contrário de outras equipas que, com as mesmas aspirações que os “canarinhos”, se mostraram bem dóceis e tenrinhas para os seus adversários (e não, não estou a falar da derrota do Marítimo em Aveiro, nem da derrota do Sporting em Paços de Ferreira, nem da derrota do Rio Ave em Olhão). Há um certo treinador/professor que fala muito e até tem um dialecto próprio, o “machadês”, mas na hora da verdade pouco faz, parecendo só se interessar quando o “exame” é contra um treinador de quem pouco gosta (Jorge Jesus). Tanto alarido se fez pelo presidente do Marítimo dizer que nada faria para que o Benfica não fosse campeão, mas a verdade é que o seu clube se bateu com “unhas e dentes” contra o Benfica. Já o outro clube madeirense, com aspirações europeias pouco fez nesta jornada, mas adiante. Outra coisa que achei engraçado foi toda a gente achar muito estranho os adeptos do Nacional entoarem cânticos afectos ao Benfica, como provocação ao F. C. Porto. Sem dúvida que é estranho, mas mais estranho ainda é ninguém ficar surpreendido quando os adeptos do F. C. Porto entoam um conhecido cântico de insulto ao Benfica, seja em que jogo for, nem que seja num amigável, ou num jogo para a Taça contra uma equipa qualquer da 3ª divisão. Para além do mais, esse cântico passou a estar na boca de todos os clubes portugueses que defrontam o Benfica. Mas quanto a isso, ninguém achará estranho.

Em suma, o Benfica não pode fugir às responsabilidades, o resultado de Segunda-Feira faz com que o jogo de Sábado se torne absolutamente decisivo. É um jogo muito difícil, em casa do segundo classificado, onde habitualmente o Benfica poucas vezes vence. No entanto, há que pensar que estamos apenas a 2 jogos da glória e que nos mantemos na frente do campeonato. O cansaço de que se fala tem de ser esquecido. Compreendo que os jogadores são humanos, mas são as vitórias e as conquistas que os tornam super-heróis. Por isso, para chegar a esse patamar há que dar tudo, mesmo depois da maratona que tem sido esta época.

É costume se dizer que a fé move montanhas, mas o amor também. E tenho a certeza que fé e amor são coisas que não faltam aos milhões de adeptos do Benfica. Com a ajuda de todos, com o empenho de todos, com a fé e o amor de todos (de adeptos a jogadores, equipa técnica e direcção) acredito que atingiremos os nossos objectivos, tanto em Portugal como na Europa. Força Benfica!

 

A subir: Ajax/ Juventus/ Galatasaray/ Estoril/ Paços de Ferreira.

Os três primeiros clubes sagraram-se campeões, nesta jornada, nos seus respectivos países (Holanda, Itália e Turquia). Os restantes dois clubes são duas surpresas que se tornaram certezas na nossa liga.

A descer: Vítor Pereira/Carlos Martins

O actual treinador do F. C. Porto nutre um ódio “extra” pelo Benfica que nunca vi em outro treinador do Porto e que não consigo entender. Passou toda a época a pensar e a falar no Benfica, o que me leva a achar que, se lhe dessem a escolher, preferiria ganhar os dois jogos ao Benfica ao invés de ser campeão nacional. Para além disso, leva ao limite o discurso do “contra tudo e contra todos” para motivar a sua equipa e espicaçar as outras, o que é absurdo e já está mais que gasto.

O jogador do Benfica foi expulso numa altura crucial do jogo contra o Estoril, deixando o Benfica sem argumentos para uma pressão final sobre o Estoril. Um jogador não é só parte técnica e física, mas também mental. 

 

 

Saudações Benfiquistas.

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