Em entrevista ao Desporto ao Minuto, Mauro Xavier voltou a criticar a Federação Portuguesa de Futebol e a Liga Portugal por não enfrentarem a desorganização que, na sua opinião, domina a arbitragem nacional. O comentador sublinhou que o atual ambiente do futebol português continua marcado por sucessivos erros e fortes comunicados dos clubes, sem que as entidades responsáveis avancem com soluções.
Nesse contexto, reagiu também às declarações de Mário Branco após o Benfica-Casa Pia. O lance da grande penalidade revoltou a estrutura encarnada, mas o diretor-geral foi mais longe, insultando Gustavo Correia no final do jogo e sendo expulso. No relatório, o árbitro registou frases como:
“Podes ter a certeza que eu vou rebentar-te todo […] Vou rebentar-te a ti e ao João Bento!” e insultos dirigidos à equipa de arbitragem.
Para Mauro Xavier, apesar de compreender o contexto emocional, estas palavras “não são a forma de estar do Benfica”.
Defendeu que o clube deve “focar-se em soluções e não alimentar um clima que nada traz de positivo”.
Virou-se depois para o Conselho de Arbitragem, criticando duramente Duarte Gomes:
“Tem prestado um mau serviço. Era preciso assumir erros e apresentar soluções, e não apenas defender a classe”.
A conferência de imprensa de Duarte Gomes e Luciano Gonçalves, onde este último afirmou que “ninguém vai rebentar ninguém”, não convenceu o empresário, que criticou a falta de medidas concretas. “Não podem existir intimidações nem ameaças, mas têm de apresentar soluções. Esses 3% de erros de que falam são momentos decisivos em jogos do campeonato do título”, insistiu.
Sobre o futuro, defende maior transparência e formação contínua, bem como responsabilização efetiva:
“Tem de haver uma tabela classificativa dos árbitros atualizada ao longo da época, não apenas no fim. E quando erram, têm de ficar jogos sem apitar, tal como um jogador suspenso. Caso contrário, vive-se numa sensação de impunidade”.
Mauro Xavier vai mais longe, defendendo uma reforma total do sistema: retirar a arbitragem da esfera da FPF, criar um organismo autónomo, profissionalizar os árbitros e definir critérios claros e objetivos para nomeações, semelhantes aos sorteios do calendário competitivo. Acrescenta ainda que o Governo poderá ter de intervir se a FPF e a Liga continuarem sem agir.
Referiu ainda os casos que marcaram as últimas jornadas — o alegado episódio de pressão a Fábio Veríssimo no Dragão, o canto que antecedeu o golo do Sporting nos Açores e as polémicas do Benfica-Casa Pia — reforçando que, segundo ele, “o Sporting já foi beneficiado diretamente em seis dos 11 jogos disputados”.
Concluiu defendendo que é preciso “verdade desportiva” e medidas objetivas para erros técnicos:
“Tal como um jogador expulso sabe que falha um jogo, também os árbitros têm de ter consequências diretas quando erram”.
- Críticas severas à FPF e à Liga pela falta de medidas estruturais
- Mauro Xavier censura insultos de Mário Branco, mas compreende o contexto
- Duarte Gomes acusado de não apresentar soluções
- Propostas incluem organismo autónomo, profissionalização e critérios objetivos
- Apelo a intervenção governamental caso nada mude




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