Dia 12 de fevereiro de 2016, celebrava o meu vigésimo oitavo aniversário, mas foi também a data do mais aguardado embate do futebol português. O grande “clássico”! Um verdadeiro choque de titãs, que envolve questões desportivas, sociológicas e até políticas. Admito, no final da partida sentia-me em estado de choque. Nunca me pareceu tão evidente vencer o Futebol Clube do Porto e o meu Benfica, por culpa própria, permitiu que este campeonato continue disputado pelos três “grandes”.

Não valerá a pena elencar inúmeras razões para o Benfica ter perdido o jogo, quando San Iker Casillas foi unanimemente eleito o homem do jogo. As oportunidades desperdiçadas, sobretudo no primeiro tempo, foram retirando lucidez e aumentando a descrença nos jogadores encarnados. O golo do empate, marcado por Herrera, foi também fruto de um deslumbramento tático imperdoável. Já relativamente à prestação de Rui Vitória, na cabeça dos benfiquistas paira a interrogação em torno da utilização de Salvio. Por muito que admire as virtudes de Toto, que são imensas, não encontro explicação para a sua utilização naquele contexto, naquelas condições. Dito isto, não pretendo menosprezar o trabalho do Futebol Clube do Porto, que culminou numa vitória vital, como um oásis no deserto, permitindo à equipa azul e branca permanecer na disputa do campeonato. Outra coisa, bem diferente, é relacionar essa mesma vitória com uma soberba metamorfose orquestrada por José Peseiro. Relembro que poucos dias antes do jogo na Luz, este mesmo Porto realizou uma exibição cinzenta e inconsequente diante do Arouca de Lito Vidigal. Em suma, o Benfica desaproveitou um triunfo que valia bem mais do que os três pontos em disputa. Esbanjou a oportunidade de conquistar no inferno da Luz, junto dos seus adeptos, um plus anímico determinante para as batalhas que faltam neste último terço do campeonato.

Ainda no seguimento do “clássico”, surgiu uma linha do pensamento efabulada, em tudo ingrata, e que foi bastante veiculada nos últimos dias. Associar o jogo menos conseguido de Jonas, com o alegado menor rendimento diante de adversários mais exigentes, faz-me questionar: o Jonas o quê? Ora bem, Jonas foi o melhor jogador da época passada. Jonas foi o segundo melhor marcador do campeonato passado, com um golo de diferença para o colombiano Jackson Martínez. Jonas é o melhor marcador da Liga 2015/2016, com 23 golos marcados até ao momento. Também, à presente data, sozinho, soma mais golos do que as equipas do Estoril, União da Madeira, Boavista e Tondela. Jonas, comparando com os crónicos goleadores de outros campeonatos, contabiliza mais golos do que Cristiano Ronaldo, Messi ou Lewandowski. Jonas realizou, terça-feira, uma exibição sublime frente ao poderoso Zenit de André Villas-Boas, Hulk, Witsel ou Garay. Jonas, nesse mesmo jogo, marcou um golo de raiva, golo esse que poderá ser crucial no desfecho da eliminatória dessa competição menor que é a Champions League. Agora sim, pergunto eu, o Jonas o quê?

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