Aqui neste espaço já referi várias vezes a Liga Inglesa, já destaquei várias personalidades e equipas. Hoje, decidi mais uma vez escrever sobre a melhor liga do mundo. A razão é simples, prende-se com o facto de esta ser uma liga verdadeiramente espectacular, equilibrada e imprevisível. O mais profissional do mundo das apostas nunca imaginaria uma liga inglesa com o cenário actual: Leicester em primeiro, dois pontos à frente de Arsenal e Tottenham, sendo que os Spurs foram a Manchester derrotar o City por 1-2 e deixaram os Citizens a 6 pontos da liderança.

Equilíbrio e imprevisibilidade caracterizam perfeitamente este campeonato. Todas as semanas, seja qual for o estádio ou os emblemas em campo, não existem vencedores antecipados. Todas as equipas são capazes de ombrear com qualquer adversário. Quando comparamos este cenário com os restantes campeonatos europeus, percebemos facilmente que todas as outras ligas não passam de um bocejo, resultante de uma monotonia e hegemonia de clubes grandes ou milionários. Nenhum dos críticos de futebol previa tal cenário, porém, a realidade é mesmo essa, a Premier League está num completo estado de alvoroço. Não há forma de eu conseguir fugir deste campeonato. A minha paixão pelo futebol e pelo espectáculo obrigam a mais uma vez oferecer o destaque a um clube inglês, desta feita o Tottenham.

Quando qualquer indivíduo decide escrever sobre este clube, percebe-se facilmente que nos últimos anos existe um nome que se tornou incontornável. Gareth Bale, quer pelo seu rendimento desportivo, quer pelos 100 milhões de euros que resultaram da sua transferência, tornou-se uma marca da história deste clube. Fazendo uma analogia com a organização do calendário Gregoriano, existe um clube antes da transferência de Bale (A.T.B) e um clube depois da transferência do galês (D.T.B).

A.T.B, o clube era visto como uma pequena potência do futebol inglês que apenas era capaz de fazer cocegas aos grandes de Inglaterra e apenas nos anos em que estes apresentavam prestações fora do normal. D.T.B, este paradigma mudou, tanto pelo dinheiro que chegou de Madrid como pela renovada ambição de conseguir o titulo. O caminho do sucesso não fácil de atingir. Tim Sherwood, o sucessor do português Villas-Boas, foi capaz de trucidar e destruir uma equipa recheada de estrelas, que sob o comando do inglês ameaçavam tornar-se em buracos negros que sugavam e desperdiçavam milhões de euros. Contudo, este paradigma iria começar a mudar com a chegada de Mauricio Pochettino.

O argentino cedo implementou as suas ideias. Fã de um futebol de ataque, construiu a equipa com base no sistema tático 4-2-3-1. Privilegia um jogo de posse construído desde trás e bastante sustentado, que por vezes varia com passes diretos para as diagonais dos avançados. Defende também um sistema de pressão alta na recuperação da bola e é conhecido por trabalhar bem jovens jogadores das academias do clube. Aos poucos, as suas ideias foram dando resultado, os resultados começaram a aparecer e novos nomes a surgir. Na época passada, Harry Kane foi dos melhores marcadores da Premier League e este ano Delle Alli desponta como um dos mais promissores jovens do campeonato. A esta capacidade alia-se a mestria com que foi capaz de recuperar nomes que estavam a ser uma sombra daquilo que poderiam produzir. Jan Vertghonen, Chadli, Danny Rose, Kile Walker, Moussa Dembele e Lamela eram nomes que apesar de rotulados de craques rendiam muito aquém do expectável. Eram bastante criticados pela sua falta de empenho e fraca atitude dentro de campo. Apontado a vários clubes, o técnico argentino conseguiu que estes ficassem no clube e fossem capazes de se revelarem mais-valias e tornarem-se titulares no onze dos Spurs. Aos anteriores juntam-se Eriksen, Son, Dier e Lloris, entre outros, que também se revelaram verdadeiras notabilidades deste plantel.

Lutar pelo título parecia impossível, todavia, o argentino provou o contrário. A direcção dos Spurs ofereceu ao treinador um lugar com a estabilidade e liberdade suficientes para impor os seus conceitos e almejar resultados satisfatórios com eles. Pochettino mostrou enorme competência, foi capaz de transformar e construir uma equipa que pratica um excelente futebol, bem como renovar e aumentar as suas ambições. É sem dúvida um enorme treinador, conseguiu colocar o Tottenham num lugar de respeito no mundo do futebol inglês e europeu e sem dúvida nenhuma que vai lutar até à ultima gota de suor pelo título de campeão inglês.

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