Sem nevoeiro, sem um messias D. Sebastião e, sobretudo, sem dois pontos. É neste aflitivo panorama que o Benfica abandona a Madeira, fixando-se à distância de sete pontos do Sporting de Jorge Jesus. Este jogo foi um autêntico trambolhão, sem graça, em desgraça, que praticamente coloca o tricampeonato no plano horribilis do “lutar enquanto for matematicamente possível”.

A vitória na Pedreira de Braga, justa e com um futebol eficaz, catapultou as expetativas dos benfiquistas. Admito que inicialmente me assustou ver Renato Sanches, o miúdo, lançado às feras. Pois, mas o miúdo foi, é, craque, domou o meio-campo adversário e com personalidade vincada tornou-se aos 18 (!) anos o patrão/pulmão do clube que o formou enquanto homem e jogador. Seguiu-se nova vitória com a Académica, e todos relembraremos com apego o golo, qual praliné, de Renato Sanches – sim, sempre ele – em estreia a titular na Luz. Mesmo a derrota com o soberbo Atlético de Madrid não esmoreceu a esperança encarnada. A equipa parecia respirar outra confiança. Facto constatável na visita ao Bonfim, onde mora a equipa sensação do campeonato até ao momento, leia-se, o Vitória (de Setúbal). Bela exibição, sem Gaitán, mas com atitude e fulgor. Acima de tudo, um bom espetáculo de futebol, muito bom espetáculo.

Três dias volvidos e quase tudo se alterou drasticamente. Julgo que subestimámos o adversário, e ele, o adversário, foi mais inteligente, capaz e organizado. Na verdade, o Benfica nunca sufocou a equipa do União da Madeira e teremos de aceitar o cruel desfecho de um jogo que dávamos por garantido. Causas? Essencialmente a displicência e falta de criatividade. Gaitán bem poderia ter sido o nosso desbloqueador – que Guedes, Jonas e mais tarde Carcela nunca foram. Por falar em génios, Salvio será, sem sombra de dúvida, o nosso maior motivo para acreditar numa desejada remontada. E já em plena quadra natalícia peço ao prezado Pai Natal um lateral esquerdo. A nação benfiquista merece algo que não Eliseu. Eliseu é o Ricardo Rojas do século XXI, e, atenção, este menino “foi” o lateral esquerdo da página negra de Vigo.

Definitivamente constata-se que o bicampeão ainda não tem maturidade e entrosamento que lhe permita ganhar até mesmo quando realiza exibições infelizes. Em suma, por tudo o que já referi, assume-se como bipolar e volta a ceder importantes pontos nesta árdua maratona que é o campeonato nacional. Só um Benfica esmagador poderá reverter esta situação no que ainda falta para jogar. Este é o desafio de Rui Vitória. É, cada vez mais, o maior desafio da sua carreira.

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