Aqui há umas semanas, prometi que ia abordar o estado do Porto Canal assim que este projecto atingisse alguma maturação. Pois bem, parece-me uma boa altura para tal: não se passou nada de relevante ultimamente e já passou tempo suficiente para se fazerem algumas inferências.

Comecemos por analisar a situação antiga do canal para depois compararmos com o que nos é dado agora, após a ‘intromissão’ da estrutura do FCPorto. Ora, o Porto Canal sempre me pareceu um bom veículo de propagação da região do Porto, assim como do Norte esquecido. Possuía programas aceitáveis, bons serviços informativos, um ou outro programa que não lembra um careca chinês e tinha uma cara linda como Maria Cerqueira Gomes, capaz de tornar um programa sobre pneus de tractor em algo extremamente interessante.

E agora, com a influência de uma entidade desportiva da magnitude do Porto, o que mudou? Que alterações se registaram com a contratação de uma figura como Júlio Magalhães para a direcção? O que ficou o Porto a ganhar com a aquisição do Porto Canal? Patavina. Poucas. Nada.

Pois é, até hoje, ainda estou para perceber o propósito do investimento feito nesta plataforma televisiva. Se antes havia programas genéricos aceitáveis, hoje eles ainda permanecem. Os serviços informativos mantiveram a bitola. Os programas que não lembram um careca chinês felizmente saíram do ar. A Maria Cerqueira Gomes, e bem, mantém-se de pedra e cal no canal. Isto tudo seria normal e irrelevante se não fosse um clube desportivo, repito, clube desportivo que tivesse as rédeas do canal.

Para quê assumir o controlo de uma estação televisiva se não se tira o devido partido? Qual o interesse em adquirir os serviços de Júlio Magalhães, que não deve estar a ganhar tão pouco quanto isso, se a programação não registou mudanças significativas? A estas perguntas, só encontro uma resposta tolerável, mas com a qual discordo absolutamente: quem manda no Porto crê que a melhor decisão era a de manter a essência do canal e não apostar numa totalidade de conteúdos referentes à esfera portista. Honestamente, nesta matéria, não há meio-termo – ou se apostava de forma efectiva numa difusão em larga escala da marca FCPorto ou então não se fazia nada e ficávamos alegremente com a imagem de clube regional a ganhar títulos como nenhum outro clube europeu.

O Porto Canal, nos dias que correm, tem poucos programas afectos ao clube: tem um programa diário – Flash Porto – que às vezes não chega a durar 5 minutos, tem uma programa semanal com uma figura das modalidades amadoras, tem um programa de debate às segundas-feiras que me interessa tanto como o Curling ou pesca desportiva e, finalmente, tem aos fins-de-semana uma ou outra transmissão em directo de um jogo de andebol, basquetebol ou hóquei em patins. Fazendo contas por alto, presumo que 90% da programação do Porto Canal não diga respeito ao Futebol Clube de Porto. Isto é manifestamente escasso, inadmissível face ao investimento feito, e é uma das inúmeras provas de como o departamento de comunicação do meu clube necessita de uma imediata reformulação.

Apesar de tudo, se me colocarem a questão ‘Cláudio, preferes um Porto Canal nestes moldes ou algo parecido com a BenficaTV?’, digo sem qualquer dúvida: prefiro toda e qualquer plataforma que não destile um ódio doentio sobre os seus oponentes mais directos, que não incite os seus adeptos à violência e que não deseje a morte a qualquer responsável do clube rival.

Nota 1: Os dados pessoais dos árbitros foram colocados online e, assim que o caso chegou aos jornais, foram retirados. Não está em causa esta celeridade, mas não vi, até agora, preocupação com a devassa da vida privada de Pinto da Costa e outros intervenientes disseminada no Youtube. E já lá vão uns bons anos. Faço ideia do que seria o sistema se o Porto não o controlasse…

 

Nota 2: Jorge Jesus diz que nem sequer treina os propalados bloqueios. Os ex-jogadores desmentem e dizem que o Mestre da Táctica era obsessivo neste particular. Um dos lados estará a mentir descaradamente.

 

Nota 3: Sporting está há quase meio ano sem ganhar um jogo fora de Alvalade. E é isto.

 

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