Escrito por: Cláudio Moreira

1. Portistas, da minha parte cessaram as dúvidas quanto ao rumo que doravante norteará os destinos do FCPorto. Será uma montanha russa de sentimentos a cada par de jogos; será uma mescla de sentimentos em apenas uma semana; será a incerteza de uma grande partida ou a confirmação de um fracasso inesperado; será a glória europeia num dia e a frustração nacional no outro. Creio que até Maio a bitola será esta.

Embora esta minha premonição possua contornos pessimistas, acredito piamente que os comandados de Vítor Pereira alcançarão o tricampeonato, principal objectivo para esta temporada, assim como chegarão até à fase a eliminar da Liga dos Campeões; quantas às duas taças que complementam o calendário português, é sempre uma incógnita, mas o intuito é ganhá-las, obviamente, privilegiando a tradicional Taça de Portugal à modesta Taça da Liga.

Na última semana, pudemos assistir a esta sensação agridoce a que aludi no primeiro parágrafo. Depois da desconcertante exibição frente ao Rio Ave, deixando lá dois pontos preciosos, o FCPorto dominou os recém-milionários do PSG e geriu, quase a seu bel-prazer, os 90 minutos de uma forma competente, num jogo que se previa difícil, estancando praticamente todas as acções de Ibrahimovic e companhia.

As primeiras partes de ambos os jogos foram assim-assim, nem boas nem más. Cumpriram-se, vá. A diferença esteve justamente no modo como as segundas partes foram encaradas. Se no Estádio dos Arcos a displicência e o facilitismo tomaram conta da comitiva, no Dragão passou-se o oposto: a garra, a vontade de ganhar, a pressão intensa e o talento individual e colectivo materializaram-se numa vitória justa, que vale não só 3 pontos e a liderança isolada no grupo, mas também um encaixe financeiro assaz apelativo. E como eu gostava que todas as partidas fossem encaradas como este segundo tempo. Ou uma boa parte delas. Não vale a pena ter ilusões. Já me mentalizei que isso não acontecerá.

2. Daqui a dois dias enfrentamos o fragilizado Sporting. Não embarco no optimismo desmesurado do “vamos dar cinco secos a esses mancos” nem do “menos de 5 é derrota contra os gajos que levam 3 do Videotombo”. Não. Eu alinho pelo cliché “um clássico é sempre um clássico” e não aprecio festejos de vitórias antecipadas, por mais paupérrima que seja a equipa. E, sim, neste momento o Sporting apresenta-se numa forma paupérrima.

Independentemente do estado anímico, físico e táctico do Sporting de Sá Pinto, o FCPorto não se pode desleixar perante um (ex)-crónico candidato ao título. Os leões vão de certeza querer ganhar este jogo – mais não fosse para contrariar a série de péssimos resultados neste início de temporada – e já se sabe que em derbies e clássicos a posição na tabela classificativa é irrelevante. Há a motivação para ganhar ao rival e ponto final.

O árbitro da partida será Jorge Sousa, comummente apelidado na Segunda Circular como “Super Dragão”. Se este epíteto tem algum fundo de verdade, digo desde já que Jorge Sousa deve ser o pior portista à face da Terra, pois não me consigo recordar de um único jogo em que este homem do apito tenha, no cômputo geral, beneficiado as cores do seu clube do coração. Pelo contrário, recordo-me bem da sua última exibição num jogo em que FCPorto e Sporting se envolveram. Foi na época 2010/2011 e o resultado final foi um empate a uma bola. Tudo normal, não fosse o golo do Sporting ter sido precedido de um fora-de-jogo do tamanho da crise leonina, o Maniche não ter sido expulso depois uma agressão a João Moutinho e o FCPorto ter ficado reduzido a 10 elementos após expulsão de Maicon por ter soprado ao ouvido de Liedson. Realmente, deve ser um portista dos sete costados.

E já que estamos a falar em Sporting e em arbitragens, não deixa de ser curiosa a prestação do senhor Nuno Almeida – vamos fixar este nome – no empate a duas bolas em casa frente ao modesto Estoril. Não deu azo a uma onda de indignação? O Pedro Sousa não quis lançar um comunicado no site a pedir respeito? Acho estranho, muito estranho. Tal como escrevi na temporada passada, não importa se o Sporting é beneficiado ou prejudicado pelas arbitragens, o clube não sabe ganhar, perdeu os genes da vitória e persiste na ideia de que é uma marca vencedora. Continuem a escolher pessoas da mesma casta que vão no bom caminho.

 

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