Antes de principiar a segunda mão da eliminatória da Liga Europa, disse para mim mesmo que ficava satisfeito se o Porto me presenteasse com uma atitude decente perante o Manchester City, que o resultado nem era assim tão importante. Mas estava eu a querer enganar quem? Autêntica heresia da minha parte!

 

O que se passou no último jogo do meu clube foi (mais) uma vitória moral, o tipo de vitórias que tem sido o mais fiel amigo dos clubes da Segunda Circular nos últimos anos. Foi mais ou menos assim que as coisas se processaram nas cabeças dos Vítores Pereiras desta vida: “Bem, defrontámos uma das melhores equipas da Europa, conseguimos 70% de posse de bola, hum, já deve dar para justificar a goleada”. Não, não dá. Não adianta vociferar que controlámos a partida, que encostámos o City às cordas. Não adianta introduzir meia-dúzia de frases feitas que tentem justificar o fracasso desta eliminatória.

De que adiantou tomar as rédeas da partida? Que resultados obtivemos ao circular mais tempo a bola? Eu respondo: resumiu-se tudo isso a uma oportunidade de golo, desperdiçada por Varela e quatro golos sofridos (e outros tantos que nos livrámos de sofrer) na sequência de perdas perdidas de forma infantil. Para quê ter iniciativa de jogo, circular a bola a bel-prazer se não temos a baliza como alvo? Para quê sufocar o adversário com 50 passes a percorrer as margens do campo se não conseguimos defender assim que perdemos a bola?

Este síndrome da vitória moral não vem de agora. Já somamos umas quantas nesta era de Vítor Pereira: a primeira foi logo na Supertaça Europeia, diante do Barcelona, a outra frente ao Zénit, na partida em que podíamos (devíamos!) ter ficado em primeiro lugar no grupo da Liga da Champions e acabámos relegados para a Liga Europa, e agora mais esta. Três vitórias morais que eu interpreto como um fracasso, mas que na casa de Benfica e Sporting dava direito a diploma para colocar na vitrina dos títulos que tanto têm escasseado ultimamente.

Enfim, neste momento o Porto encontra-se confinado à disputa do campeonato, que só ganhará com muita, digamos, astúcia, e ao mais desprestigiante troféu de que há memória; quando nos deparamos com um paradigma desta ordem, o timoneiro da nau não se pode achar no direito de arrogar que “somos Porto”, não pode! Isto é ser Benfica, é ser Sporting, é ser Sporting de Braga. Como ilustra a imagem, o intuito do Porto é ganhar custe o que custar (venham de lá as piadinhas com o Apito Dourado) cá dentro e lá fora. Ser Porto não é lamentar as derrotas e moldá-las como pequenas conquistas. Ser Porto não é fazer-se de vítima e ter medo das equipas-papão. Ser Porto é estar invariavelmente entre os melhores e lutar galhardamente, até ao último segundo, para ser o melhor. Ser Porto é ter uma vontade insaciável de ganhar cada vez mais. Foi assim que me habituaram; foi assim que aprendi a gostar do Porto.

Levem daqui o Vítor Pereirense Futebol Clube. Devolvam-nos o Futebol Clube do Porto!

 

 

Nota 1: Sá Pinto tomou conta da equipa há pouco mais de uma semana e já é comparado a Guardiola. O treinador do Barcelona contra com três campeonatos, duas Ligas dos Campeões, dois Campeonatos do Mundo, três Supertaças e uma Taça do Rei; O ‘Coração de Leão’ realizou três jogos: um deu empate, os outros dois foram ganhos pela margem mínima e em nenhum dos golos que deram a vitória houve a intenção de meter as bolas dentro da baliza. Dou o braço a torcer, Sá Pinto está apenas uns furos abaixo de Pep.

Nota 2: Guarín, o tal jogador que ia para a Juventus ou ficava no Porto mas que assinou pelo Inter de Milão, obteve, até ver, os seguintes resultados: 7 jogos, 6 derrotas (12 golos sofridos e zero marcados) e um empate a 4 golos. Só espero que comprem o passe dele no final da temporada.

Nota 3: Paulinho Santos foi promovido a nº. 2 da equipa técnica e Rui Quinta, o antigo adjunto com um bigode que mais ninguém usa, vai passar a ver os jogos na bancada a dar instruções para o banco. Alguém me explica isto?

 

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