No dia 30 de Agosto de 1970 nasceu em Viseu um dos grandes jogadores portugueses, daqueles que não atingiram o nível de notoriedade de Luís Figo ou Cristiano Ronaldo, mas cuja preponderância era igual e muitas vezes superior. Iniciou a carreira profissional no Benfica, proveniente do modesto Repesenses. No clube encarnado, recebeu a formação como jogador, tornou-se um “trinco”. “Trinco” é uma palavra portuguesa que define um jogador que actua na posição recuada do meio campo, imediatamente à frente dos centrais. Apresenta um estilo de jogo com um ritmo elevado, um trabalhador árduo, posicionamento sempre exacto, inteligente e bastante versátil.

Porém, Paulo Sousa era isso e muito mais. Possuía igualmente uma enorme qualidade de passe, técnica e habilidade para controlar o ritmo de jogo, bastante semelhante ao estilo que hoje admiramos em Pirlo. Tais características fizeram dele um jogador bastante cobiçado.

Em 1993, no decorrer do verão quente, troca o Benfica pelo Sporting e no final dessa mesma época parte para a Juventus. Ganha tudo a que tem direito e parte para o Dortmund, onde volta a vencer todos os títulos caseiros e europeus. De seguida, divaga por vários clubes europeus e termina a sua carreia no Espanhol de Barcelona. O percurso na selecção também foi de qualidade, fazendo parte da gloriosa Geração de Ouro.

Os portugueses são reconhecidos por serem criaturas de hábitos e muito aproximados de expressões e frases bastante típicas pelas quais ladeiam a sua vida. Para Paulo Sousa existe mais uma expressão que pode ser utilizada: quando uma porta se fecha, certamente outra se abrirá. Quando a sua carreia de jogador terminou, abriu-se a carreia de treinador. Conhecido como um verdadeiro líder por todos os locais por onde passou, a transição para o banco de suplentes tornou-se um processo relativamente simples, mas não muito fácil. Simples porque até foi com relativo desembaraçado que conseguiu emprego; difícil pois os primeiros anos não foram cheios de glória.

Começou no Queens Park Rangers, onde foi despedido ao fim de três meses. Seguiu-se o Swansea, onde realizou um bom trabalho, alcançou o sétimo posto na segunda liga Inglesa mas não evitou mais uma vez um despedimento. Em Inglaterra passou também pela nova sensação Leicester sem sucesso. Neste instante decide por um caminho não muito comum, mas, em minha opinião, o mais acertado. Deixa os holofotes da ribalta, recua e parte para a construção de uma carreia de forma sustentada. Muda-se para a Hungria, onde fica dois anos, e consegue uma qualificação histórica para a Liga Europa. O sucesso leva-o para Israel, onde volta a conquistar títulos e onde fica apenas um ano. Segue-se a Suíça, ao serviço Basileia. Mais um título e uma enorme carreira na Liga dos Campeões, tendo sido afastado nos oitavos-de-final pelo FC Porto.

Na actual época apareceu o desafio do tamanho da ambição do português, a Fiorentina. Muito conhecido em terras italianas, os adeptos viola não esqueceram o seu passado na Juventus e tentaram impedir a sua contratação de forma bastante acérrima. Nada que o português não esperasse e respondeu com competência, mantendo a Fiorentina no topo da Serie A. Ao fim de algumas jornadas começaram as especulações de que seria possível lutar pelo título. No virar do ano, a Fiorentina ainda está no topo, actualmente a três pontos do primeiro lugar, ainda bem dentro na luta pelo Scudetto.

Com o mercado em aberto, Paulo Sousa já mostrou que pretende reforços para continuar a este nível. O desiderato do português é continuar a lutar pelo título e para isso quer mais jogadores, porém, já existem relatos de tensão e afastamento entre o português e o director desportivo viola.

O futuro parece risonho e cheio de sucesso. Como patriota, torço por isso e espero sinceramente que atinga o estrelato. Não tenho dúvidas que Portugal é um dos países do mundo que melhor sabem criar treinadores de futebol, e não tenho dúvidas igualmente que Paulo Sousa se enquadra neste rótulo.

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