O julgamento de César Boaventura começou nesta quarta-feira no Tribunal de Matosinhos, tal como é avançado pelo Porto Canal.
O empresário é acusado pelo Ministério Público de três crimes de corrupção ativa e um crime de corrupção ativa na forma tentada, relacionados com o aliciamento dos jogadores Marcelo, Cássio, Lionn e Salin, na época 2015-16, quando estavam ao serviço do Rio Ave e Marítimo, para influenciar resultados em jogos contra o Benfica.
Em depoimento, Cássio, antigo guarda-redes do Rio Ave, afirmou que Boaventura o abordou no parque de estacionamento do Estádio dos Arcos, propondo que facilitasse a vitória do Benfica num jogo. Boaventura teria oferecido 60 mil euros a Cássio para aceitar a proposta, alegadamente dizendo que Marcelo e Lionn também tinham aceitado. No entanto, Cássio recusou imediatamente a proposta e denunciou a tentativa de corrupção aos restantes jogadores e dirigentes do clube.
A tentativa de corrupção de Cássio foi inicialmente noticiada em abril de 2019 pelo Expresso. Na altura, o jornal informou que o jogador teria confirmado à Polícia Judiciária a abordagem de Boaventura em nome do Benfica. O caso veio à tona devido a escutas telefónicas realizadas no âmbito de uma investigação sobre a possível viciação de resultados relacionada com apostas.
César Boaventura, por enquanto, mantém o silêncio nesta fase do julgamento.
“Ele apresentou-se como empresário e disse-me que tinha interesse que o Benfica vencesse e que eu facilitasse”, afirmou Cássio em tribunal esta quarta-feira.
“Preciso que percas contra o Benfica”
Na época em que ocorreram os factos, diversos elementos do plantel do Rio Ave estavam sob escuta telefónica devido a uma suspeita de viciação de resultados relacionada com apostas. Uma das conversas que atraiu a atenção dos investigadores foi a que ocorreu entre Cássio e César Boaventura. A divulgação dessa conversa e outras mensagens revelou a tentativa de corrupção por parte de Boaventura, levando à denúncia do caso e subsequente investigação. Essas escutas foram essenciais para a descoberta do alegado esquema de corrupção e para as acusações apresentadas contra César Boaventura.
– “Cássio, estás sozinho? Precisava de te dar uma palavrinha, mas pessoalmente, porque os telemóveis nascem com ouvidos.
– Se isto é de Lisboa, nem vale a pena conversar. Não quero saber.
– Sim, por acaso uma parte até é, a outra não.”
Cássio contou o sucedido a um amigo, mensagens que acabaram também por ser divulgadas:
– “Lembra aquilo que você me perguntou? Teve aqui um gajo que me tentou fazer o mesmo outra vez.
– É o mesmo da outra vez? Lá de Paços de Ferreira?
– Não, este é outro.”




Ainda não há comentários. Sê o primeiro!