Escrito por: Cláudio Moreira

“Papagaio Gabriel,

De tino demente,

Faz-me esse PowerPoint

Pró teu presidente”

Bela introdução! Estou certo de que até os benfiquistas mais empedernidos cantaram para si esta quadra adaptada do papagaio loiro. E até aposto que esboçaram um ligeiro sorriso, mesmo que fosse de troça a meu respeito.

 

Enfim, seja como for, o que me traz aqui não são cantorias. Trago aqui um caso de uma patologia grave, cuja cura, parece-me, está longe de ser encontrada para o caso em questão; creio até que nem nos briefings da equipa do Dr. House seria encontrada uma solução definitiva para o tratamento de maleita tão hedionda.

Falo, obviamente, do Mr. Burns do Estádio da Luz, comummente tratado como João Gabriel. De facto, a cada intervenção pública que tem, Gabriel não só nos mostra de forma fiel os sinais evidentes da demência como aparenta ser portador de uma bipolaridade absurda, nunca antes vista sequer numa mulher menstruada.

Atentemos, portanto, às frases fortes do “Director de Comunicação” do Benfica na sua última intervenção, em que todo o mundo levou por tabela e nem o Papa deve ter saído ileso desta catita conferência de imprensa, que teve até direito a PowerPoint:

«Tentaram contestar o mérito da liderança do Benfica de forma desprezível. Essa resulta do trabalho, do empenho e do talento de muita gente de dentro do clube, ninguém deu nada ao Benfica», e afirmou ainda que o clube estava a ser alvo da «campanha mais baixa, fraudulenta e imoral dos últimos anos. Uma campanha de insinuações e mentiras, promovida por alguém que evidentemente queria tirar dividendos do clima de intimidação que foi criado».

Traduzindo isto para linguagem de gente séria, o que João Gabriel quis dizer é que as actuações de João Capela, João Ferreira, Nuno Almeida ou Manuel Mota jamais influenciaram os resultados em prol do Benfica, que não se pode falar nisto e que quem ousa discutir na praça pública que um árbitro prejudicou um adversário do Maior, do Glorioso, do Monstro Adormecido deve retractar-se. Porque sim. Não dá jeito. É imoral. Os outros é que são beneficiados, nós não!

Mas, puxando a fita atrás, que análise terá feito João Gabriel à época 2011/2012 em que o FC Porto foi campeão? Vamos recordar uma ou outra frase-chave:

 «Os árbitros não podem aldrabar a classificação e, nesta altura, a classificação está aldrabada por influência directa dos árbitros». Ui! Aldrabar? Influência directa? Não será isto uma campanha baixa, fraudulenta e imoral da parte de João Gabriel? O que foi feito do mérito da liderança? E do trabalho, empenho e talento dos jogadores azuis e brancos? Mau, mau, Maria!

«Em matéria de penáltis, a regra parece ser só marcar quando a falta obrigar a internamento hospitalar». Mas, mas, mas, mas, mas, mas… Não será isto um exemplo flagrante de um conjunto de insinuações e mentiras? Na verdade, esta citação dá a entender que João Gabriel tem poderes premonitórios e que num exercício de futurologia delineou sem mácula a actuação de João Capela no passado dérbi.

Por falar em João Capela, o que terá afirmado João Gabriel sobre este árbitro em Março de 2012? Terá feito a sua defesa como este ano? Será? Veja, foi exactamente isto: «[Capela] mostrou-se um diligente moço de recados do treinador do FC Porto, tantas as vezes e o tempo que dispensou a ver os jogadores do Benfica na grande área do Olhanense, de forma a garantir que não havia bloqueios que irritassem o treinador do FC Porto. João Capela bloqueou, isso sim, o jogo e não me parece que tenha sido só ingenuidade». Moço de recados de Vítor Pereira? E a sua actuação não foi apenas ingénua? Mr. Burns, Mr. Burns, a bota não bate com a perdigota. Quando o FC Porto ganha, há favores dos árbitros e quando o Benfica está na mó de cima há uma campanha que visa denegrir o excelso empenho e dedicação emprestados. Meus senhores, se isto não é bipolaridade…

Gostava de terminar este artigo de índole médica com aquele que é para mim o trecho maior de João Gabriel, o seu ex-líbris, o momento alto de uma carreira que ainda vai surpreender muita gente. Este pedaço de cultura foi proferido numa conferência de imprensa promovida nos dias seguintes à “conquista” da primeira Taça da Liga do Benfica – e todos nós nos lembrámos da maneira que foi: «Há uma fronteira clara entre a frustração de uma derrota e a total falta de fair-play e tremendo mau perder».

No meio de tudo isto só pergunto: como é que uma instituição com a grandeza e património do Benfica se digna a estes tristes espectáculos?

 

Nota 1: Benfica acha-se prejudicado, Vítor Pereira (o da arbitragem) sai logo em seu socorro e promove sessões de esclarecimento sobre casos polémico; o Sporting queixa-se de um árbitro e há greve geral, o Benfica acusa um árbitro assistente de errar propositadamente e a classe anicha-se, nem um pio se ouviu; agora, Benfica acha-se injustiçado pela comunicação social e um dos moços de recados do costume escreve este texto reles, deplorável e subserviente. O Benfica espirra e os agentes do futebol constipam-se.

 

Nota 2: Só faço esta pergunta: como seria se tivesse sido o Bruno Alves a fazer isto?

 

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