FC Porto

«Golo do Kelvin é o estado de felicidade mais puro que podes ter na vida»

«Golo Do Kelvin É O Estado De Felicidade Mais Puro Que Podes Ter Na Vida»

ruben rua pedro teixeira

Em entrevista ao MaisFutebol, Ruben Rua ator e adepto portista assumido afirmou:

“Sou portista desde que me lembro de ser gente. Nasci no Porto, o meu pai é um grande portista, o meu padrinho é um grande portista e tornei-me portista. Por causa da minha de forma de estar mais apaixonada, mais emocional, sempre vibrei com as vitórias do FC Porto. Sou uma pessoa de tudo ou nada, de preto ou branco, e a partir do momento em que senti essa paixão, senti esse vibrar”

“Acompanhei o FC Porto durante muito tempo e houve ali três ou quatro anos em que tentava ir a todos os jogos. Eu sou um portista que mora em Lisboa. É verdade que sempre fui ao Porto com alguma regularidade e uma das motivações era ver o FC Porto em casa, mas este ir e vir era exigente. Em alguns jogos da Champions, por exemplo, chegava a ir e vir no mesmo dia. Fazia tudo o que tinha a fazer, saía de Lisboa às três da tarde, ia direto ao Dragão, o jogo terminava e voltava para Lisboa. Deitava-me às duas ou três da manhã. Diz-se que quem corre por gosto não cansa. Eu acho que cansa, mas cansa menos porque a motivação é outra.”

Mas uma das histórias que deve ser impossível esquecer é a do golo do Kelvin.

“Esse golo é um momento…”

A esta esta distância consegue perceber o que aconteceu naquele instante no Dragão?

“A esta distância consigo. Eu estava no estádio e acho que, naquela altura, nem eu, nem nenhum adepto percebeu. Estamos a falar de um jogo em que se o Benfica ganha, é campeão no Dragão. Se o Benfica empata, era campeão na semana seguinte, penso que com o Moreirense em casa. O jogo estava a chegar ao fim e era um silêncio no estádio como eu nunca senti. O Benfica tinha aquilo controlado, o FC Porto dificilmente ia marcar e o Benfica com toda a legitimidade ia ser campeão. De repente há uma jogada com intervenientes inusitados: o Varela recupera a bola, o Liedson faz a assistência e o Kelvin, que é um jogador que nunca singrou em lado nenhum, tem um dos momentos mais bonitos daquilo que é a vida portista. Recebe a bola de pé direito, não deixa cair e remata de pé esquerdo. Estou atrás da baliza, literalmente no muro, sou talvez o espectador mais perto das redes, e a sensação que tenho é que a bola vai fora: naqueles milésimos de segundo, tenho a sensação que a bola vai para fora. Mas não vai. Não vai fora e naquele segundo pensas em tudo. Isto aos 92 minutos. Afinal já não era o Benfica que ia ser campeão, era o FC Porto que ia ser campeão. O Dragão naquele momento virou um autêntico caldeirão. Acho que ninguém, naqueles segundos, sabe exatamente o que fez e o que se passou.”

Foi um êxtase total…?

Acho que aquilo que se passou é o estado de felicidade mais puro que podes ter na tua vida. Às vezes, quando recebes uma boa notícia, quando te fazem uma surpresa, é uma felicidade grande. Mas aquele momento é tão inesperado, tão forte, vivido de uma forma tão coletiva. Estamos a falar de 50 mil pessoas que viveram simultaneamente o mesmo acontecimento. Acho que só quem esteve no Estádio do Dragão naquele dia pode ter vivido uma coisa assim

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