Escrito por: Bruno Pinho
Na semana passada, o Benfica foi eliminado das competições europeias. Na era de Jorge Jesus, o Benfica só por uma ocasião (em 5 anos!) conseguiu passar a fase de grupos, chegando até aos “quartos” nessa mesma edição da Champions. Tendo em conta a dimensão do Benfica, este histórico é demasiado pequeno para “nós”! Podemos contrapor que, nos últimos dois anos fomos a duas finais europeias, mas o facto é que fomos a duas finais europeias de uma competição de segunda linha no futebol.
É verdade que outrora fomos um gigante europeu que conquistou duas Taças dos Campeões e que, indiscutivelmente tivemos uma das melhores equipas que o futebol já conheceu (refiro-me a equipa do Benfica na primeira metade da década de 60). O cenário dos dias de hoje é bem diferente! Obviamente que o poderio económico de uma equipa conta muito no futebol actual e o glorioso tem mais dificuldades em competir com equipas com argumentos financeiros superiores, capazes de projectos desportivos mais aliciantes para os melhores jogadores.
Por outro lado, a qualidade do plantel este ano é mais fraca relativamente ao ano passado. Temos problemas em todos os sectores e contra equipas mais fortes, as nossas debilidades notam-se mais.
Mas o problema não está só no plantel desta época, nem na conjuntura do futebol actual. O problema é também do treinador! Jorge Jesus é um excelente treinador, não tenho dúvidas, mas um dos seus problemas é não saber jogar contra equipas superiores ou com o mesmo poderio do Benfica. Quando jogamos contra equipas mais complicadas de ultrapassar, parece que perdemos a nossa identidade, o nosso fio de jogo, tendo a agravante de normalmente o mestre da táctica inventar nesses jogos! Ora, o jogo frente ao Zenit não foi excepção! Qual foi o intuito de Jorge Jesus em tirar Talisca para a entrada de Derley? Numa só substituição, perdemos o controlo do meio-campo, as ligações entre defesa-ataque, bem como ficamos mais enfraquecidos na defesa. Por consequência, perdemos o jogo!
Sejamos objectivos: ao longo destes 5 anos em que Jorge Jesus esteve ao leme dos encarnados, o treinador sempre teve planteis com qualidade mais do que suficiente para assegurar com frequência a passagem aos oitavos da prova milionária. Jogadores como Aimar, Saviola, Di Maria, Ramires, Matic, Coentrão, bem como Garay, Javi e Witsel (agora ao serviço do Zenit) são garantia de qualidade. Se com estes jogadores nas fileiras encarnadas só conseguimos a passagem por uma ocasião, e se o Benfica tiver de “apertar o cinto” (ao que parece pelas recentes declarações do Presidente), então será cada vez mais difícil para Jesus alcançar os objectivos europeus.
Os anti-túneis
E nos anti-túneis desta semana:
Recordações infelizes: Esta semana, o F.C. do Porto, através do seu facebook oficial, decidiu recordar a sua vitória de há 60 anos, frente ao Benfica por 1-3, na inauguração do Estádio da Luz. Segundo consta, esta vitória está mesmo presente no museu desta equipa. Em jeito de resposta por parte dos encarnados, nada melhor que recordar a vitória do Benfica, na inauguração do Estádio das Antas, cujo resultado foi…2-8!






