Nuno Correia, um dos empresários do momento do futebol nacional

Nuno Correia, 33 anos, natural do Porto, residente em Matosinhos desde a sua nascença, é também desde o berço a sua ligação ao futebol. Residiu em frente ao Estádio do Mar, casa do Leixões Sport Club, clube com o qual têm uma ligação também ela quase umbilical, onde desempenhou várias funções antes de enveredar pelo ramo empresarial.

O Domínio de Bola esteve á conversa com este jovem proprietário da NCfoot – Gestão de Carreiras Desportivas, que apesar da agitação própria do mercado de transferências de Janeiro, não rejeitou o nosso convite e respondeu agradavelmente e de uma forma positiva ao mesmo. Uma conversa agradável, sem papas na língua, onde falamos de tudo um pouco.

Domínio de Bola (DB) – Nuno, desde já obrigado por ter aceitado o nosso convite. Começamos pelo momento actual. O mercado de transferências, está a correr bem para a sua empresa?

Nuno Correia (NC) – Desde já quero agradecer pelo convite que me foi colocado e que muito me honra. No que toca á questão que me colocou, posso dizer que sim, que está a correr dentro do previsto, ou seja, estamos a resolver quase todos os problemas que tínhamos pendentes e isso é o mais importante nesta fase.

DB – Qual a sua opinião sobre esta janela de transferências?

NC – Sou da opinião que é uma janela que se calhar não deveria existir. Óbvio que para nós, pode ser mais uma “fonte de rendimento” caso surjam negócios apetecíveis, e isso nunca é de descurar logicamente, contudo, com os campeonatos a decorrer, existem situações que são sempre difíceis de digerir e como os jogadores são seres humanos, não é fácil passar ao lado de algumas abordagens muito tentadoras quer desportivamente quer financeiramente. Nesse sentido, para protegermos sobretudo os jogadores, se esta janela de transferências não existisse, provavelmente o foco do jogador seria apenas o clube onde está, e deixavam de existir os focos de instabilidade que por vezes acontecem. De resto, sou da opinião que o mercado de Janeiro, no geral, existe para resolver algumas situações de jogadores que estão descontentes por jogar pouco e dessa forma procuram espaço noutros clubes.

DB – Numa recente entrevista sua a uma revista (AFA Magazine) mencionou que é mais a favor da parte desportiva do que financeira, isto relativamente a este mercado de Janeiro, explique-nos esse seu ponto de vista por favor.

NC – O que eu quis dizer é que por vezes, e falo por experiência própria, existem jogadores, e até nós próprios, que queremos tudo de uma vez, e optamos por supostamente “dar o salto” para outro patamar desportivo e financeiro e esquecemo-nos que nem sempre pode ser o ideal. Basicamente, o que eu quis dizer, é que se estamos bem num clube, se estamos a jogar, se estamos a captar a atenção de clubes superiores, uma troca em Janeiro para um clube superior pode nem sempre ser o ideal, pois existe o período de adaptação a uma nova realidade e o jogador pode não ser logo “aposta” o que vai quebrar o rendimento do atleta, a confiança não será a mesma e depois pode-se tornar uma bola de neve negativa. Agora óbvio que cada caso é um caso, pois existem comboios que só passam uma vez e logicamente que não podemos negar algumas propostas. Tenho um caso concreto que lhes posso confidenciar, o nosso avançado Kikas. Tínhamos várias abordagens de clubes profissionais que queriam o atleta para já, eram boas propostas financeiras e até desportivas, contudo, achamos por bem que o ideal para ele seria terminar a época em Castelo Branco, num clube que o acarinha, que o trata bem e onde nós sabemos que irá continuar a brilhar. Com 19 anos, o seu primeiro de sénior, estar a trocar de clube a meio da época, bem ou mal, pensamos que não seria benéfico. Entretanto surgiu a proposta tentadora do histórico Belenenses e chegamos a acordo, num vínculo válido apenas a partir da próxima temporada.

DB – Falou-nos de um dos avançados do momento no Campeonato de Portugal, o jovem Kikas. O Nuno é provavelmente dos empresários com mais sucesso nesse campeonato, tem alguma explicação para isso?

NC – Primeiro, gostaria de mencionar que jamais quero ficar com o “estereótipo” de empresário que coloca jogadores do Campeonato de Portugal nas ligas profissionais, ou seja, é agradável que me valorizem por isso, contudo eu quero muito mais, eu quero crescer, eu quero é colocar jogadores nos 3 grandes em Portugal, em clubes grandes europeus etc etc.

Óbvio que tudo tem um início e o foco da NCfoot tem sido esse, ou seja, jogadores da formação e jovens jogadores com potencial e que disputam o Campeonato de Portugal.

DB – Acha que o Campeonato de Portugal é um “viveiro”?

NC – O que eu acho é que existe muito talento em Portugal e nos jovens portugueses. Por vezes aposta-se muito nos estrangeiros (nada contra) sem conhecimento do real valor do atleta, mas creio que isso tem vindo a mudar substancialmente e considero que tenho a minha quota-parte de responsabilidade nisso, pois são vários os casos de sucesso que jogadores representados por mim que se destacaram no Campeonato de Portugal e posteriormente deram o salto para as ligas profissionais e se afirmaram desde o primeiro dia de trabalho como jogadores em destaque nas suas respectivas equipas.

DB – Reparamos que está cada vez mais a abrir portas no exterior, o que acha sobre isso?

NC – Obviamente, e todos sabem, que o grande poderio financeiro não está em Portugal. Nesse sentido, o processo normal e natural do nosso crescimento será esse, ou seja, exportar jogadores para campeonatos mais apelativos desportivamente e financeiramente, porque todos nós queremos melhorar a nossa vida e dar melhores condições ás respectivas famílias. No nosso caso, começamos devagarinho mas temos feito os nossos negócios. Já colocamos jogadores na Coreia do Sul, em Espanha e no Chipre e muitos outros não foram para outros países porque as propostas não foram do nosso agrado.

DB – Sente, então, que a sua empresa tem vindo a crescer?

NC – Claramente, isso é notório. E o que mais me agrada é que tudo tem vindo a acontecer de uma forma natural e gradual, tal como eu previa. Sou muito “pés assentes na terra” e não me iludo. Sei o caminho a percorrer e sei que iremos lá chegar, sempre com passos credíveis e sustentados. Comigo, só pode ser desta forma.

DB – Falemos agora dos seus atletas. Nota-se, sobretudo nas redes sociais, que tem uma ligação muito próxima com todos eles, e isso destaca-o dos demais. Concorda com esta nossa avaliação?

NC – Se me destaco dos outros ou não, isso não sou eu que tenho que o dizer. O que eu sei e sinto, é que, de facto, somos uma família onde todos nos damos bem e a ligação que eu tenho com os meus jogadores ultrapassa, e muito, a ligação de empresário-jogador. Sou um amigo, um confidente, sempre disponível para ajudar em tudo na vida. Sou assim, e espero nunca mudar, pois acredito que a proximidade com os atletas é uma das minhas maiores armas.

DB – E por parte dos clubes, o que sente?

NC – Sinto claramente que cada vez mais ganho o meu espaço e respeito. Tenho portas abertas em todo o lado e os dirigentes e treinadores sabem com o que podem contar relativamente à minha pessoa. Existe muita coisa que poderia contar, mas não o posso fazer. Orgulho-me do respeito que as pessoas têm por mim e irei continuar sempre da mesma forma, porque sei que assim estarei mais próximo de atingir os meus objectivos.

DB – Tem algum sonho em específico?

NC – Já tive jogadores campeões no Campeonato de Portugal e na Segunda Liga bem como a jogarem na Liga Europa. Já tive também jogadores a representarem as selecções nacionais (escalões de formação). Agora quero ter vencedores da Taça da liga, da Taça de Portugal e da Primeira Liga. Quero ter jogadores nos 3 grandes de Portugal e jogadores nas melhores ligas mundiais. Quero ter jogadores internacionais e quero ver um jogo ao vivo de um jogador meu com o hino da Champions  a tocar de fundo. Coisas minhas, coisas que só eu sonho, mas que sei que irão acontecer em breve prazo, de uma forma natural.

DB – Falando agora um pouco mais sobre si, o Nuno não vive apenas do futebol certo?

NC – Sim, de momento trabalho numa imprensa ligada à industria petrolífera, em regime de turnos de laboração continua, e depois tenho a minha empresa de agenciamento de jogadores.

DB – Consegue conciliar tudo isso?

NC – O que acha? Acho que os resultados falam por si. Não é fácil, existem dias super desgastantes, mas até ao momento tenho vindo a conseguir conciliar tudo, sempre com os pés assentes na terra e sempre numa forma ponderada. Sei o que quero e sei o caminho que tenho que percorrer até lá chegar.

DB –Apesar de apenas ter 33 anos, o seu discurso parece-nos ser muito maduro. Sabemos que já passou por alguns sustos na vida em termos de saúde, quer-nos falar sobre isso?

NC – No que toca à idade, sou da opinião que a experiência e a maturidade dependem das experiências vividas e dos obstáculos que nos são colocados pela frente. São esses mesmos obstáculos que nos fazem crescer e amadurecer. Relativamente aos sustos que já tive na vida, já passaram, foi uma fase difícil, estive nos cuidados intensivos mais de 20 horas, mas estou bem, em Abril deste ano já vai fazer 2 anos. Sinto-me bem e tudo pelo que passei fez-me olhar para a vida de uma forma diferente e de certa forma moldei-me um bocadinho depois dessa experiência.

DB – Voltando ao futebol, alguma mágoa que guarde em específico?

NC – Fico triste, por vezes, quando os clubes não acreditam em determinado jogador meu, mas acho isso normal. De resto, no geral, não tenho razão de queixa. Não ligo muito ao que os outros pensam, mas logicamente que gosto que falem bem de mim, antes bem do que mal, logicamente (risos).

DB – Como se define enquanto pessoa? Quais os seus gostos e preferências? Do que menos gosta?

NC – É sempre difícil falar de nós próprios. Considero-me uma pessoa frontal, honesta e humilde. Considero-me trabalhador e dedicado. Amigo do seu amigo e que dá a vida pelos seus. Tenho um filho com 2 anos e 7 meses que amo e tudo que faço na vida é por e para ele. Não gosto de injustiças e ingratidão. Sou um sonhador. Gosto que me mimem e me valorizem. Gosto de dialogar e conversar. Considero-me divertido mas quando estou mal disposto sou difícil de aturar. Tenho um feitio complicado, confesso que sim. Adoro pipocas, gomas e Coca-Cola. Não gosto muito de peixe. Gosto de cinema, de estar em casa tranquilo e sozinho, de ver o mar e de ouvir música. Não gosto de confusões nem de barulho.

DB – Nuno, agradecemos toda a sua amabilidade nesta entrevista. Uma entrevista diferente e muito agradável. Uma última questão. Conhecia o Domínio de Bola? Que opinião tem sobre nós?

NC – Claro que conheço. É uma página e um site que sigo com muita atenção. Tem mais de 150 mil seguidores no facebook e isso diz tudo. Sempre contextualizados e em cima do acontecimento. Parabéns pelo vosso excelente trabalho e se precisarem de mim para algo, sempre ao dispor.

 

 

 

 

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