Domínio de Bola entrevistou Fábio Martins, extremo que tem passeado classe esta temporada ao serviço do Desportivo de Chaves. Golos de belo efeito, assistências e dribles desconcertantes são o cartão de visita deste jovem emprestado pelo Sporting de Braga que tem o sonho de jogar ao lado de craques como Messi e Neymar.

– Qual a avaliação que faz, a nível individual, da época até agora?

R: Tem sido uma época muito positiva a nível individual. O objectivo, quando vim para Chaves, foi ter bastante tempo de jogo, porque o crescimento de um jogador depende, claro, do treino, mas fundamentalmente de bastante tempo de jogo. Felizmente isso tem acontecido, tenho tido tempo de jogo e tenho podido ajudar a equipa com alguns golos e assistências.

– Sente que está a ser uma das mais conseguidas da sua carreira?

      R: Considero que tenho vindo a ter um crescimento sustentado. Fiz 3 anos de Segunda Liga. O primeiro no Porto B, a que chamo o ano de adaptação, onde tive pouco mais de 1000 minutos e 2 golos. O segundo no Aves, onde fiz mais de 2100 minutos e 4 golos. O terceiro no Braga B, onde fiz quase 3500 minutos e 15 golos, sendo que um deles foi na equipa A para a Taça da Liga. Depois disso, na Primeira Liga, exigência maior, tive novamente um ano a que chamo de ano de adaptação no Paços, com pouco mais de 1100 minutos e com 1 golo. Este ano já estou mais rotinado a esta liga e as coisas têm corrido melhor. A meio da época, já tenho 1500 minutos e 5 golos. Claro que é uma época que me está a correr bem, uma época muito positiva e que neste contexto e grau de dificuldade é claro a minha melhor época, não esquecendo claro a época no Braga B, onde fiz bastantes golos.

– O Chaves tem sido a grande sensação do campeonato, mas o mercado de Janeiro tem castigado muito a sua equipa, com a perda de jogadores fundamentais, já para não falar na saída do treinador Jorge Simão há uns meses. Como está a sentir o plantel toda esta situação?

R: Somos a sensação do campeonato para as pessoas que não acreditavam em nós, porque, se virmos bem, a meta pontual que nos comprometemos a atingir no início da época (40 pontos), diz bem da nossa ambição e do que acreditávamos que podíamos fazer este ano. Quanto às saídas, são inevitáveis. Um clube que sobe de divisão e em Janeiro está numa posição como a nossa sabe que à partida os seus jogadores serão cobiçados por clubes com mais poderio financeiro, é normal. O grupo fica como é óbvio feliz pelos nossos ex-colegas, sabendo que toda a gente faz parte deste sucesso deles. Foi com o trabalho de todos que eles saíram promovidos e melhoraram a sua vida; o futebol é isto, uns vão, outros chegam e a equipa continua com a mesma ambição e o querer vencer que tinha desde o início. A partir do momento que sai um elemento do grupo, não há mais razão para pensar ou falar dele, preocupamo-nos com os que cá estão e a trabalhar juntos para conseguir os nossos objectivos.

 – E por falar em Jorge Simão, um treinador que se tem revelado nos últimos anos, que opinião guarda do seu ex-técnico?

R: Tenha uma opinião muito boa, como é óbvio. Trabalhei com ele ano passado e metade deste ano e aprendi bastante com ele, melhorei alguns aspectos que não eram tão fortes no meu jogo, foi um treinador que me ajudou bastante.

– Que objetivos se propõe atingir individualmente até ao final da época?

     R: Sinceramente não gosto de falar de objectivos individuais. O que me proponho fazer é ajudar o Chaves com o meu trabalho e dedicação diários, na luta pelos nossos objectivos.

– E relativamente ao Chaves, quais são as metas que o clube pretende atingir?

R: Como já falei anteriormente, estabelecemos as nossas metas no início da época. Para o campeonato o objectivo é uma meta pontual, uma meta de 40 pontos. Para a Taça de Portugal, o objectivo sempre foi chegar à final e se possível ganhá-la.

– Esta temporada marcou um golo sensacional a Rui Patrício, num lance que, ainda para mais, deu o empate à sua equipa. Fale-nos um pouco desse momento: como é que resolveu rematar àquela distância?

      R: É um lance muito rápido, foi uma decisão minha naquela fracção de segundos que tinha para decidir. Lembro-me que o Patrão tenta isolar o Rafa, o Coates corta de carrinho e a bola sobrou à entrada da área. Só tive tempo de olhar, ver o Rui um pouco adiantado e de primeira tentar a minha sorte. Felizmente foi golo e pude ajudar a equipa a conseguir o empate.

– Recuando um pouco, fez a sua formação no FC Porto. Como recorda esses tempos?

      R: Foram tempos muito bons, comecei no FC Porto com 7 anos depois de ter ido às captações e de ter sido escolhido. Foram quase 13 anos de muita paixão pelo clube, de muita aprendizagem, cresci imenso como jogador e como pessoa.

– O que é que faltou para que não tivesse chegado mais longe no Dragão?

R: Acho sinceramente que as coisas acontecem porque têm de acontecer e no momento que têm de acontecer. Saí porque a estrutura entendeu que era melhor para as duas partes eu sair. Se calhar até saí tarde demais, nunca se sabe. Acho que precisava de sair da minha zona de conforto, daquela “redoma”, e perceber o que era mesmo o futebol e as dificuldades que existiam no “mundo lá fora”.

– Já no Braga jogou regularmente pela equipa B, mas poucas vezes foi aposta no plantel principal. A que julga que se deveu isso?

R: São opções técnicas e não gosto de falar muito nisso, sinceramente. O Braga nesse ano fez uma boa época, chegou à final da Taça e para a minha posição tinha bastantes soluções de qualidade (Rafa, Pardo, Pedro Santos, Alan, Salvador Agra). O treinador entendia que eu não tinha espaço e então jogava na equipa B.

– Qual foi o treinador, jogador ou outro agente desportivo com quem conviveu e que mais o marcou?

R: Acho que toda a gente que convive connosco diariamente nos marca bastante de uma maneira ou de outra, e que sinceramente é quase impossível depois de conviver com tantos colegas, tantos treinadores, tanto staff, escolher apenas uma dessas pessoas. Mas tenho uma enorme consideração por Fernando Valente, que foi meu treinador no CD Aves, porque acreditou em mim, naquela fase após a dispensa do FC Porto em que estava bastante desanimado e com dificuldade em arranjar club. É uma pessoa a quem ficarei eternamente grato.

– Quais são os seus ídolos no futebol, ou fora dele? Que jogador mais o inspira?

R: Tenho dois jogadores que adoro ver jogar. Neymar e Messi. Neymar pela ousadia que coloca no jogo, aquele estilo rebelde, quase de futebol de rua, de drible, de encarar os defesas sem problemas nenhuns. Messi pelo pensador que é, parece que está sempre 2 segundos à frente de toda a gente; não tem uma posição em campo, joga onde quer e faz a diferença onde quer que jogue, passa, dribla, remata, é incrível. Fora de campo os meus ídolos são a minha família, a minha namorada, o meu filho, os meus pais, as pessoas que me apoiam diariamente e que me ajudam a ter uma estabilidade enorme para estar completamente descansado e feliz quando entro para dentro de campo e fazer o que sei, porque um jogador feliz rende 10 vezes mais.

 – Há algum clube da liga portuguesa que gostasse de representar um dia?

R: Estou neste momento a representar um grande clube como é o GD Chaves, com uma excelente estrutura e com uns adeptos enormes e depois tenho contrato com um dos grandes clubes portugueses, que é o SC Braga, e, neste momento, é nisso que penso, ajudar o Chaves até Maio e depois começar a pensar em Braga. Não fazia sentido pensar em mais algum clube.

 – E no estrangeiro, há alguma liga ou um clube em concreto em que tenha o sonho de jogar?

      R: Adoro o Barcelona desde pequeno e claro que seria um sonho entrar no Camp Nou com aquelas cores. Acho que é um sonho desde criança jogar no Barcelona.

– Para finalizar, agora que campeonato entrou na segunda volta, qual o seu prognóstico sobre quem será o campeão nacional?

R: Ainda há muito para jogar, o Benfica neste momento está à frente com 4 pontos de vantagem do Porto, mas tudo pode acontecer ainda, e o futebol é muito imprevisível.

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