O Domínio de Bola entrevistou o avançado do Vitória de Setúbal, André Claro, que se tem evidenciado nesta época pelas suas belas exibições mas, também, pela quantidade de golos marcados.

Qual o balanço que faz, a nível individual, da época até agora?

R: Está a ser muito positiva, obviamente. A melhor da minha carreira até ao momento.

Até ao ano passado representava o Arouca. O que o fez ingressar no Vitória de Setúbal?

R: Naquele momento, achei o mais acertado para mim e o meu agente também teve grande influência na minha decisão. Fez-me ver a grandeza do Vitória de Setúbal e a visibilidade que me poderia trazer.

Marcou 10 golos em três temporadas pelo Arouca. Na atual, já facturou por 12 vezes. Como explica esta evolução?

R: Desde o início da época que temos um estilo de jogo arrojado, queremos sempre mais e acho que foi essa motivação e ambição que me levaram ao sucesso.

O Vitória teve um bom início de época, mas ultimamente tem vindo a decair e já não vence há algum tempo. Que explicação encontra para isso?

R: Em grande parte dos jogos que temos perdido ou empatado poderíamos ter saído com a vitória. Os pormenores têm feito a diferença e a sorte tem caído para o adversário. De qualquer das formas, a equipa está muito motivada para os próximos jogos.

Até final de época, quais são os objetivos que a sua equipa persegue?

R: Garantir o mais rápido possível a manutenção e depois tentar os primeiros dez lugares.

Esta temporada partilhou o balneário com o Rúben Semedo e o Suk, dois futebolistas que saíram para o Sporting e no FC Porto respetivamente. Que avaliação faz de cada um deles?

R: São jogadores com muito potencial. O Semedo tem tudo para fazer uma carreira ao mais alto nível, não esquecendo que é bastante jovem. O Suk é um poço de força e de vontade. A sua vontade contagia os outros e arrasta-os com ele com ou sem bola.

Voltando ao seu antigo emblema, o Arouca, está surpreendido com o bom campeonato que o conjunto agora orientado por Lito Vidigal tem vindo a fazer?

R: Não me causa muita surpresa porque o Arouca tem excelentes jogadores e um plantel rico em opções.

Passou grande parte da formação no FC Porto. Como recorda esses tempos?

R: No FC Porto não falta nada, quer seja nos seniores, quer seja nos infantis. Por isso, só tenho a agradecer a formação como homem e como jogador.

Abandonou os juniores portistas directamente para a III divisão, rumo ao Famalicão. Como foi essa transição?

R: Não foi fácil, obviamente. Foi uma queda e uma desilusão grande. Porém, eu sabia que o futebol era o que gostava de fazer e provavelmente o que melhor sabia fazer. Então agarrei um projecto fantástico e, quando cheguei ao primeiro treino, senti logo o grande grupo que ia encontrar. Nesse ano só poderíamos ter sucesso.

Crê que podia ter prosseguido a carreira no FC Porto quando chegou ao patamar sénior? Como se sentiu por não ter direito a essa oportunidade?

R: Temos que aceitar. O FC Porto só tem lugar para os melhores e na minha altura não havia equipas B, o que hoje ajuda muito os miúdos na transição para sénior.

É actualmente o segundo melhor marcador português da Liga. Como é que isso o faz sentir?

R: Sinto-me muito orgulhoso porque sei que faço tudo para chegar o mais longe possível.

Que apreciação lhe merece esta edição da liga portuguesa? Quem considera ser o maior candidato ao título, agora que faltam sete jornadas para terminar?

R: Penso que o Porto já não terá hipótese de chegar ao título. De todos os jogos, senti o Sporting o mais forte, mas a verdade é que o Benfica está numa fase incrível.

Como perspetiva a próxima época? Vai continuar em Setúbal?

R: Não estou muito preocupado com isso, para já. Deixo isso para as pessoas responsáveis.

Já lhe chegaram propostas abandonar o emblema sadino?

R: Sei que houve alguns clubes interessados, mas penso que não passou disso.

Jogar no estrangeiro é uma hipótese ou preferia continuar por Portugal?

R: Se tivesse a garantia de que conseguia manter-me 10 anos na Primeira Liga portuguesa, nem hesitava. Sou muito feliz cá, mas temos de pensar que uma lesão pode atirar tudo por terra, por exemplo. O meu principal objectivo é conseguir ter uma vida confortável e pensar que, daqui a uns anos, o futebol acaba.

No caso de sair do país, em que liga gostaria de ingressar?

R: Espanha, Itália, Inglaterra, Alemanha são países em que gostava de jogar.

Do ponto de vista profissional, que sonhos lhe faltam concretizar? De entre esses sonhos, há algum mais especial que queira confidenciar-nos?

R: Claro que tenho sonhos. Jogar pela seleção, jogar no Real Madrid ou Barcelona, no fundo nos melhores clubes do mundo da atualidade.

Qual foi aquele jogador que defrontou que mais o impressionou? Porquê?

R: Joguei contra alguns muito bons. Jackson, Gaitán e mais de perto cheguei a treinar com o Hulk. Este último é realmente incrível…

Quais são os seus ídolos no futebol? Que jogadores admirava quando ainda estava nas camadas jovens que agora, enquanto sénior, lhe servem de inspiração?

R: Nunca fui uma pessoa de ter ídolos. Gosto de ver bons jogadores. Messi, Ronaldo, Figo e Deco foram alguns.

Qual foi o treinador e o jogador com que conviveu que mais o marcaram?

R: Penso que todos os treinadores me deram um bocado do que sou hoje, por isso, tenho que agradecer a todos. Todos os anos faço alguns amigos no futebol, por isso fica difícil escolher um.

Para finalizar: como surgiu a ideia de pedir em casamento a sua namorada em pleno Estádio do Bonfim?

R: Decidi que devia ser no dia de anos dela, só não sabia como fazer. Comecei a falar com os amigos, surgiu a ideia de ser no estádio e assim foi.

By Ricardo Rocha

Nascido e criado em Vila Nova de Gaia, desde cedo me apaixonei por futebol. Tenho 18 anos, no secundário frequentei o curso de Comunicação Multimédia que me ajudou bastante para hoje realizar trabalhos escritos e também audiovisuais.

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