Entrevista Exclusiva de DomíniodeBola a Dr. Júlio Machado Vaz

DomíniodeBola fez um pedido de colaboração ao Dr. Júlio Machado Vaz. O médico psiquiatra, sexólogo e comentador desportivo, é adepto do SLBenfica e aceitou colaborar connosco com todo o gosto, desejando ainda os maiores sucessos para o projecto DomíniodeBola.

 

Entrevista Exclusiva a Júlio Machado Vaz:

Antes de mais seja bem-vindo ao nosso espaço, e fica aqui o nosso agradecimento pela disponibilidade em colaborar com o DomíniodeBola.

1 – O chumbo do Relatório e Contas por mais de dois mil votos é um sinal de insatisfação para com a actual direcção. Considera que o “Vieirismo” tem os dias contados?

JMV: Não sei o que é o “vieirismo” e esta Direcção não tem os dias contados. A não ser que prefira entender estes acontecimentos como resultando de uma minoria de “desesperados”. Não é verdade. Há muitos benfiquistas que desejam expressar a quem dirige o Clube o desencanto que os invade perante a situação financeira e o desempenho desportivo. Ordeiramente e sem petardos…

 

2 – As eleições para a presidência do SLBenfica estão à porta e ainda não apareceu nenhuma lista concorrente à de Luís Filipe Vieira. Como analisa esta situação?

JMV: Uma alternativa constrói-se, não cai do céu, muito menos deve brotar de resultados desportivos negativos. Pessoalmente preferia que existisse uma oposição credível no clube que, naturalmente, desaguasse nas urnas. Não a vi. Se outra candidatura surgir nas próximas semanas será difícil sacudir uma imagem de oportunismo e improviso. Dir-me-ão que há pessoas credíveis que não se candidatam por acharem que LFV é imbatível neste momento. A ser assim, fazem mal, devemos bater-nos por ideais e, neste caso particular, pelos caminhos que consideramos adequados para a uma paixão comum – o Benfica. Perder uma votação pode ser o início de um caminho, não o fim.

 

3 – No caso de concorrem duas ou mais listas, pretende manifestar publicamente o seu apoio a alguma delas?

JMV: Se surgir uma lista à última hora darei o meu apoio a LFV, não entro em aventuras mal alinhavadas. Se houver uma lista única e puder votar, o que não é certo a 26 de Outubro, votarei em branco. Acho importante mostrar à Direcção o desencanto face à preparação das duas últimas épocas desportivas e respectivos resultados e a preocupação perante o agigantar do passivo.

 

4 – Alguma vez ponderou ser candidato à presidência do SLBenfica?

JMV: Nunca. Amo demasiado o clube para correr o risco de colocar um incompetente à frente do seu destino. (risos)

 

5 – O treinador Jorge Jesus deve manter-se na eventualidade de uma lista oposta à de Luís Filipe Vieira ganhar?

JMV: Sem dúvida nenhuma.

 

6 – Considera Jorge Jesus o treinador certo no lugar certo após as três temporadas à frente do SLBenfica?

JMV: Considero Jorge Jesus um grande treinador, que comete erros, alguns dos quais nos saíram caros. Na minha opinião o maior foi não ter percebido que na época passada nenhum objectivo se aproximava sequer da conquista do título nacional, que tivemos na mão. Fomos prejudicados por decisões de árbitros? E como! Mas houve também falta de competência de jogadores e arrogância do técnico, por exemplo, em Guimarães. E decisões incompreensíveis da estrutura, como a de contratar Djaló, quando um defesa-esquerdo era uma necessidade evidente para benfiquistas e adversários.

 

7 – O que espera deste SLBenfica sem dois dos pilares do meio-campo e sem um defesa-esquerdo de raiz?

JMV: Espero que se bata pelo campeonato nacional, apesar do evidente desequilíbrio do plantel, sempre ouvi dizer que uma grande equipa se constrói a partir da defesa e nós temos médios ala para dar e vender!

 

8 – FCPorto ficou sem Hulk, Braga teve novo treinador e perdeu Lima, Sporting com um início de época atribulado. O que espera destes 3 candidatos aparentemente mais debilitados?!

JMV: Do Sporting nada de novo. Do Braga uma boa época. Do Porto, sobretudo se resistir às investidas por James em Janeiro e o seu treinador não inventar, uma época ao nível da anterior, resultante do plantel mais equilibrado do campeonato.

 

9 – Tendo em conta as últimas perdas dos grandes em temos de jogadores, o que acha essencial mudar no futebol português para ser visto como uma liga mais atraente, para os que estão nela, e para os que estão de fora?

JMV: Não é possível atravessar uma crise como esta e pensar que o futebol é um oásis. Já será uma sorte – ou um bónus – se alguns dos nossos clubes sobreviverem. Mas considero inevitável que o campeonato perca nível e competitividade.

 

10 – Qual a sua opinião sobre o possível alargamento na Liga Zon Sagres e as equipas ‘B’ na Segunda liga?

JMV: O alargamento parece-me suicidário. As equipas B podem ser uma boa ideia se a comunicação com as equipas principais for uma realidade.

 

11 – A arbitragem é um tema recorrente entre os agentes do futebol. Crê que com a profissionalização da actividade – e consequente maior acerto dos árbitros nas decisões – a polémica baixe de tom?

JMV: Não. A profissionalização não impedirá os erros e a polémica não baixará de tom.

 

12 – Por falar em temas polémicos, a que se deveu o afastamento do Trio D’ataque quando, aparentemente, reunia a admiração e respeito dos benfiquistas e dos adeptos dos clubes rivais?

JMV: Já me pronunciei sobre a matéria. Não fui informado sobre as razões do meu afastamento. Li no Correio da manhã que “este tipo de programa deve ser renovado”. Atendendo a que eu era o participante mais recente, só posso interpretar a frase como uma tentativa de não me ferir o ego. Restam duas hipóteses: ou o meu estilo não se coadunava com o programa e prejudicava as audiências ou o meu afastamento obedeceu a outros interesses e ressentimentos. Volto a afirmar que não alimentarei teorias da cabala, mas não nego a amargura por não ter recebido um abraço sequer da estrutura directiva do Benfica. Fica-me a satisfação de ainda hoje – três meses volvidos… – receber mails e testemunhos pessoais de adeptos dos quatro grandes, dizendo a mesma coisa – “podia não estar de acordo consigo, mas você aplicava ao Benfica os mesmos critérios que reservava aos outros clubes”. Isso chega-me, não é possível falar dos outros quando recusamos ver-nos aos espelho.

 

13 – Está disposto a participar novamente num programa do género?

JMV: Tive prazer em fazer o programa, mas tudo indica que o meu estilo não é do agrado das Direcções de Informação, logo, a hipótese não se põe.

 

14 – Como concilia a sua actividade profissional com o seu amor ao futebol? Tem dificuldade em ver os jogos devido a esse facto?

JMV: Tenho, chego a acompanhá-los pelo computador. Mas com paixão, tudo se consegue, eu e meu filho mais velho já temos os bilhetes comprados para irmos a Barcelona. Perdemos bem em Lisboa? É verdade. Se calhar perderemos também em Barcelona? E depois? Importante é replicar em Portugal a famosa frase de Liverpool – They’ll never walk alone. (sorriso).

 

15 – Como sexólogo, diga-nos: afinal, a actividade sexual pode influenciar ou não o rendimento dos atletas?

JMV: A resposta é um rotundo e comprovado não.

 

Dr. Júlio Machado Vaz, mais uma vez muito obrigado pela disponibilidade e colaboração. É com enorme satisfação que entramos em contacto consigo e vimos que atendeu prontamente ao nosso pedido. Parabéns pela sua carreira, recheada de sucesso! Um abraço.

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