Diretamente de Vitória do Xingu, um município brasileiro do estado do Pará, com perto de 15 mil habitantes haveria um que se destacaria: Willyan Barbosa está neste momento a tentar a sua sorte na Coreia do Sul mas confessa que está empenhado em ter sucesso no novo clube e que o principal objetivo a nível coletivo é colocar a equipa coreana no topo do futebol da Coreia. O médio soma passagens pelo Torino onde fez a sua formação, por Portugal onde representou três clubes, pela Grécia onde ganhou novo ânimo para praticar futebol e não desistir.

Willyan, formado no clube da cidade do estado do Pará. Como começou a tua carreira no futebol?

Começou num mero acaso, fui a um teste, os meus familiares pagaram para eu fazer um teste de qualidade e graças a Deus deu certo. Fui para a Tuna de Belém e mais tarde fui para o Leme no Rio de Janeiro, foi lá peguei muita experiência. Foi muito na dificuldade porque vinha de uma família pobre que juntou muito dinheiro para eu fazer este teste que passei, eu agradeço muito à minha família por tudo o que fez por mim.

Como descobriste que tinhas talento para o futebol?

Já vem de família. O meu pai jogava futebol mas nunca teve oportunidade de jogar futebol, curiosamente o meu avô também. O meu avô jogava muito mas eles nunca tiveram a sorte que tive para poder jogar futebol. A vontade de jogar futebol vem desde do meu avô.

Vieste de uma família humilde, alguma vez te faltou algo? Houve alguma coisa que sempre quiseste ter mas que os teus pais não tiveram oportunidade de te dar?

Nunca passei fome graças a Deus, mas às vezes nem sempre havia o que comer dentro de casa, tivemos muita ajuda e apoio da nossa família e dos nossos amigos. Os nossos amigos davam-nos às vezes carne, outra vez arroz, eles sempre nos ajudavam. É um dos motivos que me fez virar jogador de futebol. Eu queria algumas roupas e tênis, houve muitas coisas que eu gostaria de ter mas que nem pedia aos meus pais porque sabia da nossa condição, não havia dinheiro e sentia-me mal ao pedir coisas caras aos meus pais, então não pedia. Na época toda a gente tinha videogame, computador em casa e eu não tinha nada disso. Às vezes nem ténis tinha em casa, ia mesmo de chinelos ou de sandálias, não me importava com o que os outros achavam. Eu agradeço muito aos meus pais por tudo o que fizeram por mim.

Como foi a tua infância?

A minha infância? (risos) Eu passava muito tempo com o meu pai porque ele era pescador, eu quando não estava a jogar à bola ia pescar com ele para o ajudar a manter a casa. Quando ele não precisava de mim eu ia jogar à bola com os meus amigos. Sempre que era possível eu ia jogar à bola com eles, era de manhã até à noite, tinha dias quem nem íamos almoçar para jogar mais futebol.

O que te fez sair do Brasil?

Eu sai do Brasil pela oportunidade. Há centenas de jogadores brasileiros que querem vir jogar para a Europa. Eu tive essa oportunidade muito novo e tive que a aproveitar. Com tanto talento que tem no Brasil talvez eu não tivesse tanta oportunidade de conseguir uma boa equipa para desenvolver o meu futebol, foi aí que decidi vir para a Itália.

Como é que que foste parar ao Torino?

Eu fui jogar num torneio chamado Viareggio lá na Itália. Fui representar o Leme de Rio de Janeiro, a equipa onde jogava, eu era muito novo. Curiosamente nesse torneio o um representante do Torino veio falar comigo para eu fazer um teste de captação no clube deles. Eles gostaram de mim e fiquei lá a jogar. Eles trataram de tudo.

Como reagiram os teus pais quando disseste que querias ficar a jogar em Itália?

Os meus pais ficaram felizes, eles batalharam muito para eu conseguir ser jogador, fizeram tudo por mim. Eles mereciam que eu tivesse sucesso depois de todo o esforço, acho que acabaram por ter uma agradável surpresa.

As condições que encontraste em Itália foram as que estavas à espera?

As condições eram melhores ainda do que eu estava à espera. (risos) Ali nós íamos para a escola de manhã, eles pagavam-nos e havia um restaurante do clube. Havia um homem que nos levava e trazia para a escola, para os treinos, para o restaurante. Tudo muito bem organizado. Na Itália o Torino é um clube grande, muito bem estruturado.

Com 18 anos vens para Portugal, estiveste no Beira-Mar, um clube com história no futebol português. O que te fez vir para o futebol português?

Quando fui para a equipa principal não tive grande oportunidade de jogar então surgiu uma proposta do Beira-Mar e eu aceitei para eu ganhar ritmo na Segunda Liga Portuguesa. Fiquei muito satisfeito com a proposta do clube de Aveiro.

Por falar em Aveiro, como correu a vida lá?

A cidade de Aveiro é linda, é ótima para passear. Eu achei fantástico estar em Aveiro, mesmo quando me mudei para a Madeira continuei a ir de férias ou sempre que tinha folga para essa cidade, tenho lá muitos amigos.

Depois do empréstimo do Beira-Mar vens para o Nacional onde cumpres três épocas. O que mais gostaste no clube da Madeira e o que correu melhor lá?

A ilha da Madeira como todo muito sabe é bonita e interessante. Toda a gente gostaria de morar ou tirar férias lá. Para os jogadores o único ponto negativo era que tínhamos que apanhar sempre o avião para qualquer jogo. Passávamos mais tempo dentro do avião do que dentro de casa, era complicado. O Nacional dentro de casa é muito forte, é difícil alguém passar na Choupana, foram tempos fantásticos.

Seguem-se o Vitória Futebol Clube e mais recentemente o Panetolikos da Grécia, queres explicar o motivo destas escolhas?

A escolha é simples, fui para o Vitória e comecei a jogar mas não estava a conseguir dar o meu melhor nem estava a conseguir praticar o meu futebol, então preferi dar o meu lugar a outro. Para ganhar confiança precisava de novos ares. O Panetolikos deu-me esse voto de confiança e foi lá que voltei a ganhar ritmo. Estive na Grécia um ano e meio e consegui soltar-me, voltar a fazer as minhas jogada, assumir o jogo, ditar o ritmo, foi uma experiência muita boa.

Como foi a vida na Grécia?

A vida na Grécia foi tranquila, na cidade onde estive era tudo calmo, não se passava nada, nós íamos treinar, íamos almoçar e jantar fora, tudo de forma muito fácil. A cidade onde eu estava era pequena o que faz com que não se passasse nada lá.

Como está a correr a adaptação na Coreia do Sul?

A adaptação aqui está a correr bem, é um país com uma cultura diferente. Já cá estou há uma semana e estou a gostar muito, a comida é muito boa aqui. Espero estar aqui algum tempo, isto é fantástico.

Qual é a expectativa que tens para essa tua nova aventura?

A expectativa? É continuar a fazer o que estava a fazer na Grécia, dar o meu melhor e ajudar o clube. Neste caso queremos subir à primeira divisão e não é à toa que o clube investiu muito. Pois é lá que ele merece estar.

Sentes que de alguma maneira desceste na carreira ao ir jogar para um clube da segunda divisão coreana?

Não. Eu acho que evolui bastante para chegar aqui. A primeira divisão tem o mesmo valor da segunda. Foi um passo grande na minha carreira ter vindo para a Coreia, o futebol praticado aqui é bastante interessante e atrativo. Agradeço a aposta que o Gwangju fez em mim.

E as saudades de casa? Como as combates?

As saudades não tem como combater não é? (risos) Contudo aqui tenho a minha esposa que me faz companhia. Sempre que posso depois vou ao Brasil ver os meus pais, os meus amigos. Por enquanto sou profissional e tenho que agarrar bem todas as oportunidades que me dão.





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