Com 24 anos, nascido a 11 de Novembro de 1994, em São Paulo. Regressa ao principal escalão português para jogar ao serviço da Tondela.

Chegou pela primeira vez ao velho continente em 2014, com uma mochila bem pesada, contudo sem nada fisicamente pesado, apenas sonhos. Um sonho de um rapaz como tantos outros que vem do Brasil para a Europa à procura de sucesso.

Dividido em São Paulo entre dois colossos brasileiros, fez a sua formação entre o São Paulo e o Santos.

Ruma então a Portugal com o sonho de vingar no futebol português e consequentemente no futebol europeu. Chega à cidade do Porto para representar o Boavista, também uma equipa misturada num vazio histórico que regressara curiosamente nesse mesmo ano ao principal escalão português.

Made in São Paulo

“Cresci numa favela, numa vila pequena em São Pauçp, numa terra onde dificilmente surgem oportunidades no futebol, acabam sempre por surgir mais na vida errada, mas eu sempre tive os pés no chão, sempre quis ser jogador de futebol, mas eu não era influenciável porque eu tinha vontade de vencer.”

O começo no Barueri

A vontade de vencer, o começo no Barueri. Começou num pequeno campo que havia no seu bairro social, lembra isso com uma felicidade enorme, com orgulho.

“Comecei numa quadrinha que tinha lá na comunidade da favela onde eu morava, tinha um projeto social. Dali acabei por ir para o Barueri, fiz um bom campeonato, acabei mais tarde por ir para o São Paulo.

O São Paulo no Brasil tem das melhores formações do Brasil, de repente fui para um Centro de Treino com todas as estruturas para poder crescer, tive cursos de inglês, tive todas as condições para crescer, para me fazer um homem.”

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São Paulo e a mudança para o Santos

7 anos a jogar em colossos brasileiros, vindo de uma favela, com sonhos que não cabiam naqueles campos.

“Fui para o São Paulo e tudo correu bem. Fiquei quatro anos no São Paulo, depois fui campeão Sub-17, fui eleito melhor defesa da época, foi aí que recebi a proposta do Santos.

Tinha 13 anos, a minha passagem lá foi excelente. Fomos campeões Paulista, campeões da Copa do Brasil 2 de Julho.

Mudei para o Santos no seu auge, na época de Neymar e companhia, na época em que o Santos mandava no Brasil, estive ali cerca de 3 anos, foi passado esses três anos que me mudei para Portugal, para o Boavista.”

Se a vida no São Paulo corria bem, porque mudou para o Santos?

Foi uma das escolhas mais difíceis que fiz. O Santos naquela época dava muitas oportunidades para os meninos da formação, os meninos da vila. O Santos estava a ser campeão de tudo, eu decidi mudar.

Tive que sair da minha zona do conforto, o São Paulo tinha melhor estrutura, estava acomodado. Passei para um objetivo em que tinha que ir morar sozinho, sair de casa dos meus pais, foi por isso que tomei essa decisão.

A mudança de Neymar influenciou a vinda para a Europa?

Com o Santos na principal montra europeia, com Neymar a fazer uma transferência histórica para o Barcelona, o clube brasileiro estava a ser mais falado que nunca, também Philipe acabaria por dar o salto para a Europa, não numa transferência tão milionária quanto a de Neymar… afinal vinha só fazer testes ao Boavista. Considera que a transferência do craque brasileiro não influenciou a vinda para a Europa.

“Não, não influenciou. Sempre pensei por mim. Tive azar. Quebrei o braço antes da Taça de São Paulo. Eu tinha feito uma época com os profissionais. Foi essa competição que influenciou o estatuto como profissional ou não. Acabamos por ser campeões e toda a equipa acabou por renovar. Vi que fiquei sem espaço no Santos e acabei por ser emprestado no Paulista, faltando quatro jogos para acabar o campeonato Paulista, fiz esses jogos e depois apareceu logo o Boavista. Num azar até que tive sorte”

De: São Paulo    Para: Porto

Como já dito aqui na introdução, Philipe chega então a Portugal com o sonho de vingar no futebol português e consequentemente no futebol europeu. Chega à cidade do Porto para representar o Boavista, também uma equipa misturada num vazio histórico que regressara curiosamente nesse mesmo ano ao principal escalão português.

“O Boavista procurou o meu empresário mal fiz esses jogos pelo Paulista, acabaram por me convidar para ir fazer dez dias de testes, acabaram por assinar contrato comigo logo no terceiro dia. Fiz o torneio Capital do Móvel, deu tudo certo.”

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A importância do Boavista

No Boavista fez 68 partidas, considera o Boavista um clube fulcral para ele. Confessa também que não conhecia o caso do Apito Final mas que fica feliz pelo Boavista ter regressado ao principal escalão português.

“No Boavista pude aprender, errar, evoluir. Pude fazer parte de um clube histórico português. Quando estive no Boavista toda a gente dizia que íamos descer e acabamos por não o fazer. Hoje o Boavista luta por outros objectivos na Liga e obviamente que mesmo já não estando lá fico feliz por isso.”

“Eu sabia que o Boavista tinha um estatuto importante, só soube da história passado algum tempo mas fico feliz que o Boavista tenha regressado.”

A estreia contra o Benfica e a vingança de Jonas

Estreou-se num jogo difícil, não fosse então o Benfica o atual detentor da liga e a poucos jogos de se voltar a sagrar campeão nacional.

“Lembro-me muito bem da minha estreia. Fiquei triste. Foi contra o Benfica, ficou uma sensação amarga, mas fico feliz pela estreia e apesar de tudo pela boa exibição.”

Jonas esteve apagado o jogo todo, num lance oportuno acaba por marcar nos descontos.

“Sim, foi um dia difícil de dormir, foi um jogo de muita concentração, noventa minutos a ir por água abaixo a dois minutos de acabar o jogo, mas contra estas equipas é sempre assim, os níveis de concentração têm que estar sempre muito elevados.”

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A ida para o Akhmat Grozny

Afirmado em solo europeu, mudou-se para a Rússia, um futebol e uma cultura diferente daquela a que estamos habituados em Portugal. Um projeto ambicioso e audaz. Ao serviço do Akhmat Grozny fez quinze partidas. Foi o suficiente para quebrar o gelo russo no principal escalão de futebol da Rússia.

“Estava na minha melhor fase em Portugal, tive a oportunidade de ir para um dos grandes num projeto a longo prazo. Acabei por ir para a Rússia pelo lado financeiro e por ser uma liga forte. Era altura do Mundial e estavam todas as atenções centradas para lá, era um projeto ambicioso.”

15 partidas. Foi suficiente para quebrar o gelo russo?

“Na Rússia foi uma experiência ótima, no primeiro semestre de dezanove jogos acabei por fazer quinze, estive várias vezes na equipa da jornada, estávamos em sétimo lugar, a lutar pela Liga Europa. Na Rússia tens uma pausa na temporada muito longa entre Janeiro e Fevereiro, acabei por ter uma lesão e depois tive logo outra. Acabei por não recuperar. Foi aí que tive proposta para regressar a Portugal. Eu só tinha assinado por um ano na Akhmat, era um clube muito bom, com todas as condições. ”

Um balneário recheado de todas as nacionalidades

Uma equipa recheada de várias nacionalidades, como se entendiam em balneário? Um pouco à semelhança de Portugal neste aspesto, neste ano, o Akhmat contava com três brasileiros, sendo que Philipe Sampaio era um deles, juntamente com Léo Jabá (atualmente no PAOK) e Rodolfo (ainda no Akhmat) entre outros. No primeiro jogo ao serviço dos russos, teve uma surpresa: Ronaldinho estava lá.

“Não falei com ninguém antes de ir, quando cheguei conheci os outros jogadores brasileiros e é uma amizade que levo até hoje. Ter mais colegas brasileiros acabou por me deixar mais tranquilo. Tinha vários brasileiros, tinha tradutor, tinha tudo, o clube preocupava-se sempre com o bem estar dos atletas.”

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A descida amarga com o Feirense

Na última época acabou por ter um dos seus momentos mais difíceis da sua carreira. A descida com o Feirense à Segunda Liga.

“Não conseguimos evitar a descida, foi uma temporada difícil em todos os aspetos. Começamos bem a época mas depois começamos a ter várias derrotas seguidas, abalou a equipa psicologicamente, tinhamos uma boa equipa mas foi tarde demais para darmos a volta por cima, contudo é um clube que oferece todas as condições e que merece voltar à Liga NOS.”

Como fica um balneário após tantas derrotas seguidas e o último lugar na liga?

“Nunca é bom trabalhar em cima das derrotas, o ânimo era pouco, mas eramos todos seres humanos. Éramos todos profissionais, não estávamos a conseguir encaixar. A nível coletivo não estávamos bem mas a nível individual havia jogadores com muita qualidade. Tentávamos sempre trabalhar semana após semana para reverter a má classificação mas quando as coisas não acontecem, não há como escapar. É o futebol.”

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A ida para Tondela

“Uma semana depois de acabar o campeonato, o diretor do Tondela entrou em contacto comigo sobre os novos donos, sobre os novos objetivos, falou da vontade desse novo projeto e acabei por partir pelo lado familiar, eu tinha o fator estrangeiro da Rússia, do leste europeu. A minha mulher acabou por ter um problema na gravidez, os médicos falavam que o meu filho podia ter alguma doença e foram alguns meses de negociações até por parte do Tondela bastante favoráveis, eles entenderam o meu caso, eu tinha medo, acabei por ficar por aqui porque havia médicos aqui, estava num país que falava a minha língua, graças a Deus ele nasceu bem, saudável. Estamos felizes pelo bom arranque, um grupo humilde e trabalhador.”

“Começar bem? Interessa como acaba, não como começa”

O bom arranque do Tondela é motivo para euforia? Chega a Tondela num contrato de dois anos.

“Sobre o arranque? O campeonato interessa como acaba, não como começa, já comecei bem e acabei mal, não quero repetir isso. O importante é sermos equilibrados e fazer uma época boa e acabarmos bem na classificação.”

“A euforia de ir à Europa não passa no balneário (risos), passa sim pelos adeptos mas o nosso objetivo é garantir a manutenção e evitar que chegue à última jornada como tem acontecido para evitarmos a pressão. Estamos conscientes do quão difícil é o nosso campeonato, queremos fazer uma época bem tranquila.”

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Ninguém passa em Tondela?

Agora em Tondela é diferente, dificilmente alguém ganha ao Tondela em casa. A vitória contra o Sporting foi a prova que o Tondela está motivado?

“Tondela é um campo difícil, os clubes maiores tentam assumir o jogo mas nós defendemos bem. Nesta época fizemos dois bons jogos contra Benfica e Sporting, mas o nosso campeonato também passa por vencer aos ‘pequenos’.

A vitória contra o Sporting foi mais um jogo, obviamente que a vitória contra um grande nos dá moral, mas na semana seguinte foi pensar logo noutro jogo. É bom desfrutar mas já passou, há mais jogos pela frente. É assim que nos focamos.”

Até pode ir este Tondela?

“Este Tondela pode ir até onde a gente acreditar que nós podemos ir. O objetivo inicial era a evitar a luta pela manutenção e é para isso que estamos a trabalhar. Sempre a pensar positivo. Depois da manutenção garantida é esperar para ver, são as consequências do bom trabalho.”

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A naturalização portuguesa é um objetivo

Já mencionou os objetivos da equipa, mas e a nível individual, quais são os seus objetivos?

“Quero fazer uma boa época, honrar o clube, com o maior jogos possível. Num futuro próximo gostava de voltar à Rússia, fui muito bem recebido lá. Quero jogar num clube que jogue competições europeias.

Quero ter o passaporte português, falta um ano e meio. Quero viver aqui depois que acabar carreira de futebolista.”

Os direitos televisivos partilhados igualmente daria um campeonato justo e equilibrado?

Voltando ao campeonato, o que falta ao campeonato português para ter a competitividade desejada?

“O campeonato português é competitivo. Os grandes acabam por ter um orçamento superior. ”

Se os direitos televisivos fossem divididos igualmente conseguiriam tornar o campeonato mais competitivo?

“Sim, isso é verdade, havendo igualdade haveria mais dinheiro , melhores condições nos clubes e melhores jogadores, havia mais equilibro no campeonato, daria interesse à Liga Portuguesa”

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