A sua infância nunca foi fácil, veio de um bairro pobre bem no centro do continente sul-americano. Desde cedo viu que amava futebol. Jogou no Atlético Paranaense, viu amigos a seguirem o caminho da criminalidade, esteve em Portimão e regressou ao Brasil este ano. O nosso entrevistado é Guilherme Souza.

Guilherme, tens apenas dezanove anos, queres contar-nos como começaste a praticar futebol?

O futebol surgiu na minha vida como uma oportunidade de sair da favela, estava aborrecido com aquilo, não me queria envolver no mundo das drogas e em nada desse género. O futebol era o meu maior vício.

Vivias num bairro problemático, como era o ambiente lá? Havia problemas diariamente?

Sim, havia problemas, eu morei desde miúdo num bairro muito violento. Eu morava numa travessa onde na esquina havia muita droga, eu jogava à bola com mais três amigos meus, um deles infelizmente acabou por se perder para o mundo do crime. Então eu lembro-me perfeitamente, volta e meia alguém era morto na minha zona e eu saía com meus amigos para jogar futebol. Comecei a jogar futebol descalço na rua e aí, meus amigos, sempre falaram que eu tinha futuro.

Como foi a tua infância no Brasil?

A minha infância foi a melhor fase de minha vida. Eu amava, era difícil saber que não tinha dinheiro, mas eu sempre fui feliz. Eu estudava e jogava futebol na rua com os meus amigos. Às vezes eu faltava às aulas para jogar à bola no campo da escola (risos)

Os teus amigos viam futuro em ti? Alguma vez te compararam com algum jogador?

Sim, é inevitável (risos). A minha alcunha era Neymarzinho. Os meus amigos sempre me compararam ao Neymar. Eu com 11 anos tinha feito o corte de cabelo igual ao do craque brasileiro, mas também por jogar futebol de salão, pelos dribles que dava nos defesas. O futebol sempre veio ao de cima, toques rápidos, bastantes golos sempre com muita ousadia.

Há alguém na tua família a quem gostasses de agradecer?

Obviamente, se há alguém que eu esteja muito grato essa pessoa é o meu pai. Sempre me apoiou nos meus momentos mais difíceis.

Tiveste 8 anos na formação do Atlético Paranaense. Uma equipa com história e significado no Brasil. Consideras a equipa de Paraná importante na tua vida?

Sim, claro. O Atlético Paranaense foi muito importante na minha formação, não só como jogador mas como ser humano. É um clube por quem eu tenho muito carinho e muita admiração.

Como é que tu passas do futebol de bairro para uma equipa referência do Brasil?

Eu comecei a frequentar uma escola de futebol do Atlético. Eles acabaram por gostar de mim e levaram-me para a formação deles.

Mudaste-te para Santa Catarina, quanto tempo ficaste lá?

Eu fui para Santa Catarina e fiquei cerca de 3 meses, acabei por ser dispensado e regressei a casa após essa experiência.

Como surge o Portimonense na tua vida?

O Portimonense surgiu a partir do momento em que eu jogava futebol amador. O treinador do Portimonense mostrou interesse em mim e acabou por me observar. Nessa altura estava num clube chamado Novo Mundo, um pequeno e amador clube da minha cidade. Ele perguntou-me que idade eu tinha e acabei por vir mais tarde para Portimão. Tinha apenas 16 anos.

O que correu mal no clube de Portimão?

Infelizmente tive problemas pessoais e com o meu antigo empresário. Eu decidi rescindir com o Portimonense e regressar ao Brasil.

Tens como objetivo regressar ao futebol português?

Atualmente não, estou feliz aqui no Brasil. Agradeço à equipa do Portimonense pela oportunidade e pelo privilégio que foi jogar nessa grande equipa, mas vou continuar pelo Brasil apesar de ter gostado muito do campeonato português e de Portugal. Talvez quando for mais velho tencione regressar.

Se um clube português neste momento te fizesse uma proposta, irias ponderar apesar de não quereres voltar neste momento?

Dependeria muito do clube como é óbvio, mas dificilmente, tenho apenas dezanove anos e tenho tempo para regressar.

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