Terça-feira, 6 de Outubro de 2026
Internacionais

Dono da Doyen confirma escuta da PJ no caso Rui Pinto e aumenta pressão sobre diretor nacional

rui pinto
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O caso das alegadas escutas ilegais no processo Football Leaks ganhou um novo desenvolvimento.

Segundo a SÁBADO e o Record, o dono da Doyen confirmou que Nélio Lucas foi equipado pela Polícia Judiciária com dispositivos de escuta durante o encontro de 2015 que ajudou a identificar Rui Pinto.

A revelação surge numa altura em que o Ministério Público já abriu um inquérito ao diretor nacional da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro, e a outros dirigentes da PJ por alegadas falsas declarações em tribunal e abuso de poder.

Em causa está uma operação realizada a 21 de outubro de 2015, numa área de serviço de Oeiras, onde Aníbal Pinto, então advogado de Rui Pinto, se encontrou com Nélio Lucas, ligado à Doyen, e com o advogado Pedro Henriques.

Segundo a denúncia que deu origem ao inquérito, a PJ terá utilizado meios de gravação ambiental sem autorização judicial, apesar de vários elementos da Judiciária terem afirmado posteriormente em tribunal que não foram feitas escutas.

Documentos internos da PJ, entre os quais uma Ordem de Missão e um Relatório de Diligência Externa, foram entretanto apresentados como elementos que indiciam a utilização desses meios de gravação.

Agora, de acordo com a SÁBADO e o Record, Arif Efendi, proprietário da Doyen, confirmou que Nélio Lucas foi equipado com dispositivos de escuta ocultos pela Polícia Judiciária antes desse encontro.

Este novo elemento reforça a controvérsia em torno da operação, embora a legalidade da atuação continue a ser objeto de investigação e ainda não exista uma decisão judicial definitiva sobre eventuais responsabilidades criminais.

O juiz André Marques dos Santos decidiu entretanto adiar a sentença num processo envolvendo uma inspetora da PJ e chamou vários operacionais da Judiciária para esclarecer se foram efetivamente realizadas escutas ambientais ilegais.

A Procuradoria-Geral da República confirmou ainda a abertura de um inquérito ao atual diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro, no âmbito das suspeitas de falsas declarações e abuso de poder.

O encontro de 2015 foi considerado um dos momentos decisivos da investigação do Football Leaks, uma vez que permitiu às autoridades avançarem na identificação de Rui Pinto.

Rui Pinto acabaria por ser condenado, em 2023, a quatro anos de prisão com pena suspensa por crimes de extorsão na forma tentada, violação de correspondência agravada e acesso ilegítimo.

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