A Cimeira de Presidentes, que decorreu no edifício da Alfândega, no Porto, terminou após cinco horas de encontro e com algumas notas a destacar no que toca ao modelo competitivo a partir de 2024/25, assim como na centralização dos direitos audiovisuais, que irá avançar em 2028.

Sabendo-se que o futebol profissional em Portugal vai mudar a partir de 2024/2025, em linha com as alterações que a UEFA introduzirá nos calendários das competições europeias, especialmente na Liga dos Campeões que passará a contar mais jogos, foi descartada, todavia, pelos clubes uma eventual redução das equipas nos campeonatos profissionais, que continuarão, desse modo, a contar com 18 participantes. E com um campeonato semelhante, a duas voltas.

Os calendários, recorde-se, serão substancialmente mais apertados, pois os jogos europeus passarão a estender-se por mais quatro semanas.

Desse modo, a Taça da Liga vai mudar radicalmente. Passará a haver apenas a final four, com quatro clubes, que presumivelmente serão os quatro primeiros classificados da época anterior. A ideia da Liga é disputar essa competição, reduzida a quatro clubes, fora do país. A Taça de Portugal também deverá sofrer alterações, mas estas cabem à FPF comunicar. Eliminar as duas mãõs nas meias-finais é uma das possibilidades para encurtar o número de jogos.

No que toca aos seguros, uma das novidades saída desta Cimeira de Presidentes é que o valor a pagar pelos clubes será menor.

Já sobre a centralização dos direitos audiovisuais, uma fatia será fixa e outra distribuída, em princípio distribuído mediante a classificação. A Liga vai entretanto criar um mecanismo de controlo aos gastos dos clubes, impedindo-os de gastar acima das possibilidades. O cumprimento dessas regras será determinante para que os clubes possam receber as verbas, segundo garantiu Pedro Proença.

Pinto da Costa, Rui Costa e Frederico Varandas marcaram presença e apenas o Covilhã, que está na Liga SABSEG, foi ausência nesta Cimeira de Presidentes.

“Conclusões da IX Cimeira de Presidentes

Realizou-se hoje a IX Cimeira de presidentes, que decorreu no Centro de Congressos da Alfândega do Porto e contou com a presença de 18 Presidentes da Liga Portugal bwin e 15 Presidentes da Liga Portugal SABSEG e que terminou com uma série de conclusões sobre os três temas em discussão, apresentadas pelo Presidente da Liga Portugal, Pedro Proença, que começou a reunião com o anúncio da abertura de uma Linha de Crédito de 10 milhões de euros aos clubes, que a ele se podem candidatar já a partir de segunda-feira, dia 14 de novembro.

Centralização Direitos Audiovisuais

O primeiro assunto em discussão na Cimeira de Presidentes foi a Centralização dos Direitos Audiovisuais. Depois de uma introdução do Presidente da Liga Portugal, foi a vez de se fazer um balanço do trabalho realizado, até ao momento, pela Liga Centralização e enumerar os próximos passos, lançando os grandes desafios que se apresentarão aos Clubes/SAD”s: consciencialização relativamente aos objetivos que os unem; participação ativa em todo o processo; cumprimento de métricas associadas ao desempenho económico; cumprimento de objetivos que tornem a transmissão mais atrativa.

Seguiu-se a participação da LaLiga, com quem a Liga Portugal tem um acordo de colaboração no que diz respeito à questão dos direitos audiovisuais. Javier Tebas, presidente do organismo que superintende o Futebol Profissional em Espanha, esteve no Porto e, tendo como base o trabalho efetuado por LaLiga na Centralização dos Direitos Audiovisuais, destacou a importância do projeto e a forma como ele mudará o Futebol Profissional nos próximos anos.

Na discussão plenária que se seguiu, e depois de elogiarem o trabalho da Liga Portugal e da empresa criada para conduzir este processo, os Presidentes acordaram que a Liga Centralização cumprirá os prazos impostos pelo Decreto-Lei 22-b/2021, apresentando a proposta do modelo de centralização ao Governo e Autoridade da Concorrência até 2025-26 e implementando o modelo centralizado dos direitos audiovisuais a partir de 2028. Para o final de 2022-23 ficou decidida a apresentação, com o objetivo de melhorar o produto, do Regulamento de Controlo Económico e do Regulamento Audiovisual, para serem aprovados na presente época.

Desenvolvimento do futebol português

A Cimeira de Presidentes contou, pela primeira vez na história do evento, com a presença do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Correia, que a abrir a segunda parte da reunião abordou as relações entre o Futebol Profissional e o Governo, reforçando o papel da Liga Portugal como verdadeiro interlocutor junto da tutela.

Os presidentes que intervieram agradeceram a presença do Dr. João Paulo Correia na Cimeira e elogiaram a nova relação entre o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto e a Liga Portugal, bem expressa já em resultados concretos, como o novo Projeto-Lei referente ao Regime de Seguros e Acidentes de Trabalho (já em discussão na Assembleia da República), a alteração à Lei da Violência no Desporto (aprovada em Reunião de Conselho de Ministros e em fase de debate em sede parlamentar) e o Regime Jurídico das Sociedades Anónimas Desportivas (em processo legislativo no Governo).

A terminar a abordagem a este assunto, o presidente da Liga Portugal reforçou ter o organismo a expectativa de que até ao final desta legislatura o Governo possa legislar o enquadramento fiscal do Futebol Profissional (IVA, IRS e IRC), o modelo de distribuição das receitas das apostas desportivas, bem como que seja contemplada a dupla tutela do Futebol Profissional nas pastas do Desporto e da Economia.

Alteração dos Quadros Competitivos pós-2024

O tema que encerrou a Cimeira de Presidentes foi a Alteração dos Quadros Competitivos pós-2024. As mudanças introduzidas pela UEFA para o ciclo 2024-2027 obrigam a uma reflexão profunda sobre as provas profissionais e coube a Helena Pires, Diretora Executiva da Liga Portugal responsável pelas Competições, abrir a discussão sobre o tema, apresentando um levantamento realizado pela Liga Portugal dos vários modelos competitivos, que revelou estar a Liga portuguesa em linha com o número de jogos das restantes Ligas Internacionais de referência.

A Liga Portugal solicitou, relativamente a este assunto, à Hypercube, consultora internacional que trabalha com a European Leagues, uma análise detalhada aos vários cenários para as competições profissionais em Portugal a partir da época 2024-25, cabendo a Pieter Nieuwenhuis a apresentação das conclusões desse trabalho.

Foi, depois, dada a palavra aos Presidentes dos Clubes que desejaram intervir, tendo todos começado por elogiar o trabalho realizado pela Liga Portugal no sentido de preparar o futuro com a antecedência necessária à discussão do mesmo. Os Presidentes das Sociedades Desportivas identificaram, em seguida, os eixos que importa defender para o Futebol Profissional em Portugal – competitividade interna, competitividade dos Clubes a nível internacional e a qualidade do produto Audiovisual -, tendo concluído que dos cenários apresentados durante a reunião aquele que melhor serve esses interesses passa por manter os quadros competitivos da 1.ª Liga e 2.ª Liga nos moldes atuais (com 18 equipas) – à semelhança do que acontecerá nas principais competições do futebol europeu -, apontando contudo o caminho no sentido da redução de jogos por via da alteração dos modelos competitivos da Taça da Liga e da Taça de Portugal.”

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