Visitei, este sábado, um dos estádios mais temidos do futebol português. O D. Afonso Henriques, repleto de destemidos vitorianos, é verdadeiramente intimidante. Os adeptos vivem os jogos na divisória ténue que, nas relações amorosas, catalogamos entre o amor e a obsessão. Pelo meu bem-estar, optei por não festejar o golo do Benfica. Mas que raio, há algo melhor no futebol do que festejar um golo da nossa equipa? Não, é o clímax, o auge. Lamento ter saído da cidade berço dando razão a quem me desaconselhou vivamente a assistir ao jogo. Perde, e muito, o futebol enquanto espetáculo de massas, para todas as idades.

Quanto ao jogo dentro das quatro linhas, foi um desafio cinzento, quezilento e sensaborão. O mesmo Benfica de Vitória, aos repelões, sem criatividade nem vivacidade. Jonas, como sempre, e Renato Sanches – Bulo para os amigos – foram os únicos jogadores encarnados com algum discernimento. A exibição de um senhor mexicano, de nome Raúl Jiménez, roçou a falta de comparência! Sinto que paira uma espécie de síndrome Kikin Fonseca, esse avançando, também mexicano, que partiu da Luz sem glória nem proveito. Gaitán está longe dos seus melhores dias e não valerá a pena recalcar o(s) problema(s) das laterias.

Salve-se a bomba de Renato Sanches, que como Guilherme Cabral tão bem descreveu “(…) é um de nós lá dentro. É um adepto com pés de ouro”. E é aí que Bulo conquista a nação benquista. Vive, respira, luta pela maior camisola de Portugal. O júbilo que vi em Braga no final da partida, a emoção no golo frente à Académica e a detonação em Guimarães tornam-no na figura da época do Benfica até ao momento. Das bancadas do D. Afonso Henriques ouvi que Renato é um jogador criado pela imprensa; pois bem, lanço daqui um repto à dita imprensa: recriarem a inabilidade do Eliseu, combatam o peso do Taarabt e ainda dotem Raúl Jiménez com o mínimo de inteligência.

Notas finais para o imperialista Julen Lopetegui, que cruzou a península ibérica para nos ensinar a nós, provincianos portugueses, o que era futebol. Objetivamente, ano e meio depois, Lopetegui foi líder isolado uma jornada por mero engano, e, em igual espaço temporal, ainda não sabe o nome da sua entidade patronal, tocando (imagine-se!) Porto por Oporto. Aconselho, a todos os meus amigos portistas, que no ano transato compraram a musiquinha barata do “manto protetor”, que agora reclamem a quem de direito, dado que o produto era/é falacioso e vinha com defeito.

Saúdo ainda uma jornada da Liga Portuguesa de Futebol a meio da semana – porque não repetir mais vezes?

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