O Benfica enviou uma carta à Liga Portugal, clubes profissionais, Governo e partidos com assento parlamentar a exigir a suspensão imediata do processo de centralização dos direitos televisivos, previsto para entrar em vigor em 2028.
A SAD encarnada critica duramente o rumo atual do projeto, considerando que não existe um plano estratégico sólido e alertando para o risco de perdas financeiras graves.
«Não podemos embarcar numa aventura mal preparada que corre o risco de destruir valor, reduzir receitas e comprometer o desenvolvimento do futebol português», lê-se na missiva.
O clube de Rui Costa elenca várias falhas no processo:
- Ausência de debate com operadores e adeptos
- Falta de investimento em estádios, arbitragem e formação
- Inexistência de estratégia internacional de promoção da Liga
- Concorrência limitada entre operadores nacionais
- Falta de combate eficaz à pirataria (avaliada entre 100 a 200 M€ de prejuízo/ano)
A SAD encarnada defende que a meta de 300 M€/ano em receitas é irrealista, apontando que o valor pode ficar abaixo dos 150 M€, o que representaria «uma perda irreparável para todos os clubes portugueses».
O clube invoca ainda falhanços recentes noutros países, como França e Países Baixos, e o colapso do acordo Apple-FIFA para o Mundial de Clubes, como sinal de alerta para os riscos do mercado.
Benfica suspende participação na Comissão da Liga
O Benfica suspendeu a sua participação na Comissão da Liga Centralização e pediu audiências urgentes ao Governo e partidos políticos. Apela ainda à criação de uma posição comum entre os clubes com requisitos mínimos, que incluam:
- Cálculo de receitas em diferentes cenários
- Fundo de emergência para clubes
- Investimentos obrigatórios em infraestruturas
- Combate à pirataria
- Propostas fiscais e de proteção social no desporto
O clube termina garantindo que quer ser solidário, mas com realismo e dados concretos, sublinhando que avançar sem garantias seria «um salto no escuro».






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