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Escrito por: Duarte Pernes

Ultrapassado que foi, e com distinção, o ciclo infernal de jogos que o FC Porto disputou nas últimas semanas, resta agora manter a toada vitoriosa, esperar por um escorregão do líder do campeonato e por uma «lotaria favorável» na Liga dos Campeões. Sinteticamente, são estes os dois desejos que, no presente, a massa adepta tem mais interiorizados.

No que respeita à liga portuguesa, é algo frustrante continuar a aguardar por um desaire de terceiros ao cabo de uma série tão contundente e meritória. Na Champions, qualquer oponente que caia em sorte aos azuis e brancos será um teste delicado, mas, ignorando os clichés futebolísticos, é evidente que há pelo menos três (Madrid, Barça e Bayern) que são mais delicados do que os outros. Que as bolas que vão rolar no sorteio da próxima sexta-feira estejam tão «bem tratadas» como aquelas que entraram na baliza do Basileia na passada terça!

Wishful thinkings à parte, uma palavra elogiosa para Lopetegui. Ou melhor, apenas uma, não. Várias. E não me custa nada atribuí-las a quem as fez por merecer na totalidade. Não bastavam já as dificuldades inerentes a enfrentar o terceiro e quarto classificados do campeonato e de, pelo meio, ter uma eliminatória europeia para ultrapassar, quando ainda se vão perdendo aos poucos alguns dos elementos nucleares da equipa. Primeiro Olíver, depois Jackson e, para terminar, Danilo. A todas estas baixas, o treinador espanhol soube responder da melhor forma. Isto serve para reflectir muito do que é a quantidade qualitativa (não, nestas coisas do futebol não é nenhum paradoxo) do plantel portista, é certo. No entanto, é também sinal de que o Porto dispõe hoje de um colectivo compacto, em que todos sabem o que fazer e estão familiarizados com uma ideia e um sistema táctico e de jogo – aqui o mérito vai todo para o técnico dos dragões.

Contra o Arouca, viu-se um FCP a dar seguimento à competência que tem vindo a espelhar. Sem sobrancerias, nem facilitismos por o antagonista ter argumentos mais humildes do que os anteriores. Continua a não haver espaço para percalços, mas agora há também uma confiança acrescida pelos resultados recentes e sobretudo pela capacidade evidenciada em superar as múltiplas adversidades. Este Porto é para ser levado a sério em várias frentes e até ao fim. Ou, pelo menos, até que as forças se esgotem porque falta de empenho e de trabalho são aspectos que não poderão ser apontados pelos críticos.  

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