1. Amanhã joga-se o tudo ou nada (do ponto de vista do Porto) no que ao campeonato diz respeito. Partindo do pressuposto que Sá Pinto rouba pontos ao principal rival, se o Porto ganhar na Pedreira tem caminho aberto para revalidar o título, ainda que no comando de Vítor Pereira tudo seja possível… negativamente.

Não estou à espera de um grande jogo em termos de nota artística, nem conto que haja muitos golos. Espero, contudo, o mínimo de dedicação e garra para levar de vencida uma equipa do Braga que merece todo o respeito e admiração pelo caminho que tem trilhado não só nesta temporada como na última década.

No entanto, esta é a hora da verdade e há que concentrar atenções nestas últimas partidas e tentar salvar a época com o campeonato conquistado. Na minha humilde opinião, este é o jogo J, o jogo do título, o momento que nos vai ajudar a vislumbrar se esta equipa, apesar de tudo, tem fibra para se sagrar campeã.

O Porto vai iniciar o jogo sem o seu jogador mais influente dos últimos anos – Fernando – e tem apenas três opções para o meio-campo. E, desde que me lembro, o Porto sempre jogou com três médios, numa táctica 4x3x3. Mais uma prova do fraco planeamento, neste caso replaneamento, da temporada. Face à ausência do Polvo, à limitação de três médios e ao facto de Lucho não aguentar mais de 70 minutos antes de começar a rastejar em campo, eu escolheria o seguinte onze inicial:

Hélton; Sapunaru, Maicon, Otamendi, Álvaro Pereira; Moutinho, Lucho, James; Varela, Janko, Hulk.

Por um lado, dá-se a oportunidade de James jogar numa posição central onde ele é indubitavelmente melhor jogador. Por outro, deixa-se Defour no banco para entrar quando Lucho se desgastar. Eu que sou um leigo nesta matéria e um mero treinador de bancada era nesta equipa que colocava as fichas. Estou certo de que Vítor Pereira não compartilha desta minha visão. Todavia, só peço que compartilhe comigo o desejo dos 3 pontos.

  

 

“Temos de colocar o clube acima de todos, mesmo do seu treinador.

É hora de nos unirmos.”

 

2. Esta frase foi proferida por Vítor Pereira na antevisão do jogo com o Sporting de Braga. O comentário passou mais ou menos despercebido à comunicação social, mas eu não lhe consegui ficar indiferente, assim como ao significado a ele acoplado.  

Se não me engano, esta foi uma resposta dada à pergunta sobre a ausência de Rolando dos titulares. A meu ver, esta observação é a prova inequívoca do mal-estar entre treinador e jogadores. Se poucas dúvidas restavam sobre este assunto, Vítor Pereira fez questão de elucidar essa ideia neste desabafo.

Quando se diz que alguém [neste caso, os jogadores] tem de colocar o clube acima de tudo, frisando que tem de colocar acima do próprio treinador, é óbvio que o ambiente no balneário portista já conheceu melhores dias e que este é um recado interno que duvido que surta efeito. Também me parece óbvio que este tipo de discurso era dispensável: se as pessoas já não se toleram, com recadinhos desta índole, enfim, não me parece que seja o melhor método de apaziguamento.

Da mesma forma, este tipo de comportamento deixa antever que Vítor Pereira não continuará, felizmente, aos comandos da equipa técnica, confirmando-se a notícia d’ A Bola. O fomento da divergência é uma atitude típica de quem já tem o destino traçado, destino esse que deve desagradar-lhe sobremaneira, embora deixe em pulgas uma parte significativa da massa adepta azul-e-branca.

 

Nota 1: Fiquei agradavelmente surpreendido pela dispensa dos serviços de João Gobern. Mas a cassete benfiquista voltou a tocar e veio a terreno defender o compatriota. Com o Benfica nunca se passa nada de mal: comentadores teoricamente sem filiação clubística a festejar efusivamente um golo do Benfica? No pasa nada! Um agrupamento de escolas adultera a música do ‘Atirei ao pau ao gato’ envolvendo o Benfica, cumprindo este ritual três vezes por dia? No pasa nada! João Ferreira não marcou um penalty a favor do Braga quando o resultado estava 0-0? No pasa nada, os mártires somos nós!

 

Nota 2: Confirmou-se que Pablo Aimar vai cumprir dois jogos de castigo. Antes que as virgens ofendidas venham para este espaço dar sermões aos peixes, peço-lhes que se relembrem dos castigos aplicados a Vandinho, Hulk, Sapunaru, e Luiz Alberto.

 

Nota 3: O que têm em comum as deslocações de Porto, Braga e Sporting ao estádio da Luz? Alvissaras para quem adivinhar…

 

Aos leitores do Domínio de Bola votos de uma santa Páscoa.


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