Sexta-feira, 4 de Setembro de 2026
FC Porto

Advogado de Rodrigo Mora arrasa Farioli e revela bastidores do negócio com a Roma

Moraemendes

Luís Miguel Henrique, advogado de Rodrigo Mora, revelou vários bastidores da transferência do jovem português para a Roma e deixou uma crítica duríssima a Francesco Farioli, garantindo que era «impensável» o jogador permanecer mais uma temporada no FC Porto.

Num artigo de opinião publicado no jornal Record, o advogado explicou que o negócio chegou a estar praticamente condenado, depois de vários dias de avanços e recuos nas negociações.

Segundo Luís Miguel Henrique, quando se deslocou ao Porto na passada quarta-feira, «o dossier Rodrigo Mora estava clinicamente morto».

O advogado revelou que existia então um clima de forte desconfiança entre as diferentes partes envolvidas na operação. A Roma não confiava no FC Porto, Rodrigo Mora e a família estavam intranquilos e até Jorge Mendes teria dificuldades em compreender tudo aquilo que tinha acontecido nas 48 horas anteriores.

Foi nesse contexto que Luís Miguel Henrique garante ter assumido um papel de intermediário, procurando aproximar as diferentes partes e encontrar uma solução que permitisse recuperar uma transferência que parecia condenada.

Depois de conversar com Rodrigo Mora e os pais, realizar várias chamadas e reunir com uma pessoa ligada ao processo, o advogado diz ter percebido aquilo que estava a impedir o entendimento.

Luís Miguel Henrique assegurou então às diferentes partes que, caso fossem satisfeitas as condições exigidas pelo FC Porto, não existiria um novo recuo no negócio.

Mas a declaração mais forte surge quando o advogado aborda diretamente a situação desportiva de Rodrigo Mora no Dragão e a relação com Francesco Farioli.

«A única coisa impensável era Rodrigo ficar mais um ano no FC Porto com este treinador, a ser “morto” aos poucos, sem jogar», escreveu Luís Miguel Henrique.

O advogado considera que o desfecho acabou por beneficiar todas as partes: o FC Porto conseguiu realizar o negócio nas condições pretendidas, Rodrigo Mora concretizou a transferência desejada, Jorge Mendes e a Roma alcançaram os respetivos objetivos e Farioli ficou igualmente satisfeito com a solução encontrada.

Luís Miguel Henrique termina ainda com uma referência aos valores envolvidos na transferência, destacando o trabalho de Jorge Mendes ao conseguir colocar na Roma um jogador de apenas 19 anos por um negócio que poderá garantir 50 milhões de euros ao FC Porto.

Rodrigo Mora deixou oficialmente os dragões para reforçar a Roma, numa operação em que o clube italiano paga inicialmente 25 milhões de euros fixos, mais dois milhões em objetivos, por 50% dos direitos económicos. O FC Porto poderá garantir pelo menos 50 milhões pela totalidade do passe através dos mecanismos previstos no acordo.

 

“Há negócios que morrem de morte natural. Outros são assassinados a frio. E há, ainda, aqueles que ressuscitam porque alguém, num gesto de (im)prudência calculada, decide atravessar-se na palavra de um homem. Ainda que um calhau com dois olhos, emprenhado pelos ouvidos, com a mania que é o “freak da Cantareira” (dixit Rui Veloso) à 2ª feira de manhã, me tenha chamado em direto na TV de “pouco inteligente”, a verdade é que na passada quarta-feira, quando o meu telefone tocou e me fiz à estrada rumo ao Porto, o dossier Rodrigo Mora estava clinicamente morto. A Roma não confiava no FC Porto. O jogador e a sua família intranquilos estavam e até o próprio Jorge Mendes, não conseguia compreender na plenitude o que então se tinha passado nas anteriores 48 horas. Três vetores de desconfiança, um só ponto de colisão: a impossibilidade de fechar um acordo que, à luz da teoria dos jogos, era racionalmente inviável. Depois de uma conversa com o jogador e os seus pais, de algumas chamadas e uma reunião na manhã seguinte com alguém – a quem devo respeito, lealdade e que, até hoje, nunca me faltou à verdade – percebi o que podia unir as partes e, mais importante, o que naquele momento as separava. Acreditei na palavra dada e o meu compromisso ali foi o de apenas “fazer pontes”, com a expressa garantia que não tinha ido ao Porto para colidir ou litigar (pelo menos naquela fase). “Atravessei-me” nessa palavra recebida. Garanti a todos que, se as condições do FC Porto fossem atingidas, não haveria novo recuo. Na sexta-feira, foi preciso dar um sinal aos americanos da Roma e a Gasperini: a operação não havia caído. E, no tabuleiro final, foi preciso dar o corpo às balas. Porque uma novela tem sempre de ter um vilão identificável. E assim, ninguém se atirou a Jorge Mendes – que, apesar de todos os anos salvar clubes de déficits e pré-falências técnicas, continua a ser o bode expiatório preferido – e muito menos a Rodrigo Mora, o mais prejudicado e vulnerável em todo este processo. A única coisa impensável era Rodrigo ficar mais um ano no FC Porto com este treinador, a ser “morto” aos poucos, sem jogar. O resto foi arquitetura negocial. Desde 2001, data da minha primeira interação profissional com o FC Porto – na transferência dos gémeos Flávio e Marco Paixão, do Sesimbra para o Dragão –, o clube com quem nunca tive um único momento mais tenso foi precisamente o FC Porto. Inclui-se aqui a semana passada, em que fui extremamente bem recebido e respeitado, sem nada a apontar. Quem me acompanha na CMTV sabe que, por diversas vezes, referi que, de todos os presidentes que conheci e com quem interagi pessoalmente, aquele que sempre me tratou com maior dignidade e respeito foi Jorge Nuno Pinto da Costa. Resolvido que está o negócio, apenas me apraz dizer a André Villas-Boas e ao FC Porto: “De nada. Não tem nada que agradecer. Foi um prazer ajudar!”, porque, na prática e no seu final, o FCP faz o negócio que precisava nas condições que me estabeleceu, o jogador tem o que pretende, assim como o seu empresário, a Roma e o seu treinador, bem como Farioli, que de uma cajadada mata dois coelhos. Ou seja, sei que vai soar a autoelogio (que o é), mas melhor resultado era impossível! Porque, no fim, o que fica não é o valor da transferência, nem os bónus, nem as percentagens de futura venda. O que fica é a certeza de que, mesmo num mundo onde todos desconfiam de todos, ainda há espaço para a palavra dada. E isso, caros leitores, é mais raro do que um jogador “suplente” de 19 anos que, neste mundo terráqueo, só Jorge Mendes conseguiria vender por 50 milhões de euros.”

 

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