A vila nortenha de Moreira de Cónegos recebeu, em duplicado, o bicampeão Benfica que provou ser, neste momento, a melhor equipa do campeonato. Concedo que no jogo da Taça da Liga o desfalcado Moreirense pouco mais fez do que marcar presença, deixando Gaitán, o filé mignon do futebol português, espalhar classe e abrir o apetite para o embate de domingo.

Após as vitórias dos dois rivais, o Benfica entrou em campo de forma avassaladora, musculada e letal. Daí que, com naturalidade, chegou ao primeiro golo logo aos dezasseis minutos. O Moreirense nunca chegou a ameaçar discutir a partida, limitando-se a encurtar ao máximo uma “manta” tática ineficaz, só airosa aquando das aparições de Iuri Medeiros. Realço, na equipa de Rui Vitória, o visível espírito de união de um grupo de trabalho que inicialmente recebeu tão pesadas críticas. Este facto comprova-se em cada golo e consequente festejo. Na raça com que disputam todos os lances e mesmo na constante entreajuda nas recuperações defensivas. Note-se as exibições individuais do pistoleiro de serviço, Jonas, com os assombrosos vinte e um golos; sim, disse bem, vinte e um golos marcados em vinte jornadas. Pizzi, em alta rotação e Gaitán, que é um poema, aquele futebolista que vale o bilhete e que emprega ao jogo verdadeiras pinceladas de arte ao estilo de Monet. Das bancadas sentiu-se um apoio verdadeiramente hercúleo, teologicamente aprovado pelo “bispo” encarnado e ainda com a presença de Kátia Aveiro, a irmã de Cristiano Ronaldo.

É indiscutível que o Benfica vive o seu melhor momento da época e bem precisará de toda a inspiração dos seus gladiadores no ciclo infernal que se aproxima. Numa altura em que a equipa do Sporting parece perder discernimento e fulgor físico, fruto do esgotamento da injeção com a “vitamina Jesus”, estou certo de que, caso o Benfica vença o Futebol Clube do Porto na Luz, acabará por conquistar o desejadíssimo tricampeonato.

Já quanto à notícia da semana, poucas terão sido as vezes que as palavras de Pinto da Costa foram tão bem recebidas pela nação benfiquista e não há mesmo como enganar, não há forma de duvidar: o peruano é um puro sangue – autêntico Mustang vigoroso e virtuoso, poço de força e velocidade. Sim, André Carrillo, ao que tudo indica, a nova jóia da coroa encarnada. Para além de precaver a mais do que provável saída de Nico Gaitán, o Benfica caça em Alvalade o seu maior talento. Num negócio verdadeiramente low cost, Luís Filipe Vieira, honra lhe seja feita, contrata um verdadeiro craque de peso para 2016-2017.

Despeço-me com uma dedicatória especial a Octávio Machado: de futebolista memorável, a um treinador sem relevo, até ao diretor geral tenebroso, com um péssimo poder de comunicação e fraca memória.

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