Quem me lê assiduamente neste espaço, sabe que não morro de amores por Vítor Pereira. Muitas vezes o critiquei pelas opções tomadas e reafirmo que uma quota-parte da responsabilidade pela época titubeante do F.C.Porto deve ser atribuída ao ex-adjunto de Villas-Boas.

Contudo, Vítor Pereira não mostrou apenas que é um mau gestor de conflitos, um inconsequente nas substituições, um fantoche nas conferências de imprensa e um treinador pouco dotado para as eliminatórias. E a segunda parte da temporada comprovou-o.

Façamos (novamente) uma viagem até ao princípio da época e vejamos os resultados importantes conquistados: para a Liga, empate com Benfica e vitória sobre o Braga, no Dragão, empate em Alvalade e uma derrota com contornos históricos frente a um dos finalistas da Taça da Liga, o Gil Vicente; para a taça de Portugal, derrota copiosa contra uma das piores equipas da Liga, a Académica e, finalmente, para as competições europeias, afastamento precoce da Liga dos Campeões num grupo constituído por um clube cipriota, um ucraniano e um russo.

Na segunda parte da temporada, a partir do momento em que o mercado de transferências fechou, o cenário foi outro, não foi assim tão catastrófico, pode até dizer-se que foi relativamente positivo. Na batalha europeia, fomos engolidos pelo Manchester City, derrotados indiferentemente na Taça da Liga, vimos as eliminatórias da Taça de Portugal pela televisão e, mais importante de tudo, ganhámos com categoria e ambição os dois jogos mais importantes da época, as idas à Luz e à Pedreira, tivemos dois pequenos deslizes frente à Académica e Paços de Ferreira e o resto foi um percurso 100% vitorioso.


A mais do que provável conquista do campeonato não apaga a má imagem geral que fica desta época. Foram muitos baldes de água fria, bastantes desilusões, demasiadas insónias, tudo provocado pelo futebol, esse desporto cujo mistério de nos deixar constantemente com os nervos à flor da pele ainda está por determinar.

Apesar de todos os handicaps justa ou injustamente associados a Vítor Pereira, a verdade é que temos de dar o braço a torcer no que ao campeonato diz respeito. O treinador arrumou a casa em Janeiro, tratou de despachar as ervas daninhas que achou que não cabiam no plantel por uma ou outra razão (Guarín, Souza e Belluschi), trouxe a experiência de Janko e Lucho, este último que não sabe ser outra coisa que não campeão, e está a um míseros quatro passos de oferecer mais um bicampeonato para o futuro museu do Dragão.


A conquista de mais um campeonato não vai certamente deixar Vítor Pereira nas boas graças da maioria dos portistas, maioria essa em que me incluo. Reconheço a sua capacidade em ter mudado as coisas à segunda, mas temos de fazer uma análise geral pragmática: jogadores, dirigentes, presidente e treinador têm culpas no cartório e devem ser chamados à razão por esta época agridoce, embora seja mais fácil (e plausível) as críticas subirem de tom para com Vítor Pereira. A explicação é simples. Os jogadores estiveram mal esta época? Sim. Já provaram anteriormente que podem fazer melhor? Sim. Presidente, SAD e dirigentes estiveram mal esta época? Sim. Já provaram anteriormente que podem fazer melhor? Oh, se já! Vítor Pereira e restante equipa técnica estiveram mal esta época? Sim. Já provaram anteriormente que podem fazer melhor? Quer-me parecer que não…


Nota 1: E não é que o clube impoluto se vê agora envolvido num caso de alegada corrupção? Será que é desta que acaba o mito da instituição aristocrática sem cadastro? Enfim, estou-me a marimbar se há ou não consequências neste caso (para já!); o que pretendo é uma averiguação minuciosa, que vá até às últimas consequências como as que foram feitas a Pinto da Costa, ao F.C. Porto e ao Boavista. Além disso, estou ansioso para saber o que os doutores Ricardo Costa e Cunha Leal pensam sobre este caso…


Nota 2: O F.C. Porto está prestes a tornar-se campeão pela mão do adjunto do informático do tradutor do Bobby Robson. O próximo desafio é pôr à prova o jardineiro de Vítor Pereira, a ver no que dá e constatar a reacção do Mestre da Táctica, esse baluarte do futebol que está prestes a alcançar a Tritaça da Liga.


Nota 3: O F.C. Porto regista até ao momento apenas uma derrota na Liga, a tal que Bruno Paixão quis ardentemente; não fosse esse percalço e o Porto teria neste momento uma série de 65 jogos consecutivos sem conhecer o sabor da derrota…



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