Benfica e Sporting encontram-se este domingo, no Estádio da Luz, em jogo a contar para a 13.ª jornada do campeonato. O jogo, já por si especial, acresce de importância se pensarmos que apenas 2 pontos separam as duas equipas (o Benfica lidera com 29 pontos) e que o FC Porto pode aproximar-se dos dois primeiros lugares.

Como é habitual no mundo do futebol, também no Domínio de Bola fomos à procura de estórias, de curiosidades, de factos históricos curiosos daquele que é considerado por muitos como o maior jogo português.

  1. Primeiro, alguns números…
Equipa do SL Benfica de 1948

Desde o primeiro jogo, Benfica e Sporting já se defrontaram 298 vezes. O Benfica venceu mais vezes (129), enquanto o Sporting venceu 108 vezes, além dos 61 empates. Marcaram-se 964 golos (503 para o Benfica, 461 para o Sporting).

Um total de 36 jogadores jogaram pelos dois clubes, alguns casos notáveis como Paulo Futre, Paulo Sousa, João Vieira Pinto, Simão Sabrosa, entre outros; no caso dos treinadores, foram 10 aqueles que treinaram tanto Benfica como Sporting. Desde Otto Glória até Fernando Santos, com o maior exemplo a ser o atual treinador do Sporting, Jorge Jesus.

A maior vitória do Benfica no seu estádio aconteceu a 28 de abril de 1948, por 7-2; a maior vitória do Sporting em casa do Benfica foi por 5-0, a 18 de outubro de 1936.

Em jogos disputados no terreno do Benfica, os encarnados lideram com 83 vitórias contra 32 dos leões, tendo-se registado 32 empates.

 

  1. O primeiro dérbi: as primeiras transferências, muita chuva e um autogolo…

1 de dezembro de 1907, Campo da Quinta Nova, Carcavelos. Um temporal assustador. Este é o contexto necessário para o primeiro dérbi de sempre entre Benfica e Sporting. Os encarnados, na altura, ainda eram denominados de Grupo Sport Lisboa.
O Sporting – clube da elite portuguesa – fez a proposta a oito atletas do Grupo Sport Lisboa para se mudarem para o Campo Grande, que o fizeram mesmo. A mudança deveu-se à oferta do Sporting de um banho quente e camisolas novas ao intervalo.

Sporting vs Sport Lisboa, 1907

Estava lançado o primeiro dérbi de sempre.

Após o 1-0 para o Sporting por Cândido Rodrigues, que fazia parte do grupo de oito atletas que trocaram de clube, Corga restabeleceu o empate, antes de uma intensa chuva se abater sobre o relvado. Os jogadores do Sporting saíram de campo, recusando-se a jogar, enquanto os atletas do Sport Lisboa se mantiveram no terreno.

Os jogadores do Sporting acabaram por aceitar regressar e ganharam mesmo o jogo, com um autogolo de… Cosme Damião, o fundador do Sport Lisboa e Benfica. Um primeiro dérbi cheio de estórias.

 

 

  1. Um dérbi apitado… por um jogador do Porto?
Tavares Bastos, árbitro do Sporting – Benfica, 1924

Nos primeiros anos do século XX não era invulgar jogadores de futebol serem também árbitros. No entanto, a 13 de abril de 1924, na última jornada do Campeonato de Lisboa, que opunha Sporting e Benfica (treinado por Cosme Damião), o árbitro foi Tavares Bastos, avançado do… FC Porto.

 

O dérbi foi vencido pelo Sporting, por 3-0, entregando assim o título ao Casa Pia. Este dérbi é também importante pela presença de Manuel Teixeira Gomes nas bancadas. Foi o primeiro dérbi da história que contou com a presença do Chefe de Estado no público.

 

 

 

  1. O estranho caso do brinco de Vítor Batista…
Vítor Batista procura o brinco, após o golo

12 de fevereiro de 1978. Vítor Batista era o avançado “da moda” do futebol português. Neste dia, num dérbi frente ao Sporting, naquela que seria a sua última época de águia ao peito, Vítor Batista decide o jogo com um golo sensacional. Após o tento, o festejo… não pareceu um festejo. Porque não foi.

Logo depois de ser abraçado pelos colegas, segundos após marcar o golo, os abraços fizeram com que o seu brinco caísse. Jogadores do Benfica e do Sporting começam a procurar o brinco, mas sem sucesso…

O famoso brinco apareceu no dia seguinte, depois de o tratador de relva da luz passar o relvado a pente fino. A justificação do jogador para tanta urgência em encontrar o brinco foi simples: «O brinco custou-me 12 contos e o prémio de jogo eram 8 contos. Perdi dinheiro a trabalhar.»

 

 

 

  1. Em nome do Pai, do Filho… E do Peyroteo!
Guilherme Espírito Santo (1919-2012)

Nas décadas de trinta e quarenta, o Benfica tinha um avançado goleador que fazia frente até ao rival Peyroteo, do Sporting… O seu nome era Espírito Santo. Rezam as lendas que os adeptos do Sporting oravam “em nome do Pai, do Filho e do Peyroteo” porque o Espírito Santo era do Benfica!

 

 

 

 

 

  1. Vítor Damas, o “Eusébio” das balizas…
Vítor Damas, o “Eusébio” das balizas

Ao longo da história, muitos jogadores ganharam alcunhas por parte dos adeptos ou da comunicação social. Há casos até de jogadores terem alcunhas por causa de feitos realizados em dérbi… Liédson, além de “Levezinho”, recebeu a alcunha de SLB (Só Liedson Basta) ou então Luisão, conhecido por “domador de leões”.

Vítor Damas era conhecido como o “Eusébio” das balizas… A alcunha explica-se por si própria.

Para termos uma boa noção da qualidade do guarda-redes basta dizer que num dérbi que terminou, no Estádio da Luz, com o resultado em 5-1 a favor do Benfica, o guarda-redes foi eleito o melhor em campo, tanto pelos adeptos benfiquistas como pelos adeptos sportinguistas.

 

 

 

 

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